[Conto] Se soubesse...
Se soubesse
que a vida passa como num conto ligeiro e que o presente, como num piscar de
olhos, se transforma no distante passado, teria valorizado mais os momentos de
companhia, de alegria, de satisfação, de amor. Teria vivido cada dia como se
fosse o derradeiro, aquele que se encerrará anunciando que jamais retornará.
Teria aproveitado as horas, não apenas as horas, teria saboreado os segundos
como se experimenta a mais gostosa sobremesa. Teria vivido de verdade.
Quantos
sorrisos deixou de dar por ser orgulhoso demais? Quantos abraços negou em nome
de sua aparente perfeição? Quantos amigos afastou por acreditar ter em suas
mãos a soberana razão? Quantos amores deixou esfriar por não saber como
alimentá-los? O quanto insistiu na tolice ao ponto de deixar escapar o coração
que para sempre possuiria?
Agora, já
velho, indo para frente e voltando para trás, sentado naquela cadeira
costumeira, observando as gotas pesadas que do telhado caíam e soava o impacto
contra as poças formadas, escutando as trovoadas severas daquele fim de tarde
em um verão atípico, Eliseu assistia ao filme de sua vida. Muitos erros. Poucos
acertos. Negligências. Posturas erradas. Não era mais o de antes, não era mais
o empresário rodeado por amigos, cercado por tanta gente, agora vivia
solitário, sentia o desprezo, colhia os frutos de uma plantação mal feita.
Queria voltar
ao passado. Queria dizer aos amigos que os amava mais que qualquer fortuna.
Queria dizer aos filhos que eram mais importantes que qualquer negócio. Queria
dizer à esposa que era apaixonado ao ponto de abandonar sua própria ganância a
fim de tê-la em seus braços eternamente.
Mas já era
tarde.
Tratou as
pessoas como simples marionetes, usava-as e descartava-as em nome de seus
interesses, colocou acima de qualquer sentimento sua adoração à riqueza
material, esqueceu-se de que da vida só levamos o amor que doamos.
Seu dinheiro
não lhe daria novas oportunidades. Suas propriedades não seriam capazes de
pagar uma viagem ao passado. Sua fortuna não era o bastante para comprar
perdão, amor e companheirismo. Teve a oportunidade de, gratuitamente,
enriquecer-se dos valores da alma, adquirir espaço no coração de pessoas
importantes, mas preferiu investir seu interesse nas coisas momentâneas e
corruptíveis. Achou que “ter” e “poder” lhe dariam o que quisesse.
Restava-lhe
apenas arrependimento. Em seus últimos dias de vida provava de afastamentos,
esquecimentos. Não tinha com quem conversar. Não tinha com quem dividir suas
angústias. Estava pobre de espírito, miserável de amor, infelizmente a culpa
era apenas sua.
Se soubesse,
teria feito diferente...
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Um texto maravilhoso que nos trás uma reflexão, na nossa vida deixamos de fazer muitas coisas importante, quando o tempo passa que não dá mais pra voltar a trás então vem o arrependimento, Então perguntamos se soubesse faríamos tudo diferente, por isso se temos que fazer façamos hoje, porque o tempo não volta mais, abraços.
ResponderEliminarUau! Gostei super ☺️ Adoro contos, parabéns!
ResponderEliminarOlá! Belíssimo conto,deixando uma ótima reflexão em nossa vida.
ResponderEliminarAvida passa em um piscar de olhos e dela não levamos nada só o amor que damos e recebemos,infelizmente Eliseu não teve oportunidade de mudar sua triste trajetória,é triste não ter mais tempo para mudar e fazer diferente.
Parabéns pelo conto,bem reflexivo! Abraço!
Cara, como você escreve bem! Que texto magnífico e reflexivo. Não faça nada que possa se arrepender depois, a vida passa muito rápido, então vamos deixar coisas boas pelos nossos caminhos, para sermos apenas lembranças belas.
ResponderEliminarCada vez mais encantada com a tua escrita. Parabéns, Amilton, por trazer tantas reflexões nos seus textos. Sobre este, o que fica mesmo é a certeza de que o melhor é a gente ser rico de tudo aquilo que o dinheiro não pode comprar.
ResponderEliminarUma bela reflexão! Pena que o Eliseu percebeu muito tarde seus erros, que não soube valorizar o que realmente importava! Temos que viver como se não houvesse amanhã.
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