[Conto] Fascínio Coibido



Os convidados entravam um a um.
Todos com máscaras que escondiam seus rostos.
Alguns estavam acompanhados, outros imaginavam encontrar naquela noite agradável alguém que despertasse o amor.
O rei via o salão do castelo se encher.
A princesa estava ansiosa pela aparição de um alguém especial.

Amores proibidos sempre existiram, são os mais intensos, os mais difíceis de acabar, são os que se fortalecem pelas dificuldades, pelos perigos, pelas ameaças que os valentes amantes aprendem a suportar. Amores proibidos são de fato verdadeiros, ninguém se importa com suas consequências, preocupa-se em vivê-los.
Sofia, a princesa adorável, vivia em segredo um romance suave, uma história que enchia seu peito de esperança, de força para aguentar a distância, de paciência para suportar a vida oculta que precisava manter. Vivia um amor proibido com Rafael, jovem plebeu. Era por ele que esperava no baile de máscaras.
Rafael, um rapaz sonhador e esforçado, digno e honrado, apaixonara-se perdidamente pela princesa tão logo a vira na cerimônia que celebrou seus quinze anos, desde aquele dia nunca mais a esquecera. Vendendo sapatos e oferecendo outros serviços ao rei, conseguiu se aproximar, conseguiu conquistar aquela que não deixava seus sonhos, mesmo conhecendo os riscos, mesmo convencido sobre o quão difícil poderia ser, alimentou aquele amor proibido e aproveitaria o baile de máscaras para descobrir como seria estar com a amada diante tantos olhares.
Conseguiu entrar livremente.
Ninguém o reconheceu.

A música começou.
Os casais se formaram.

Sofia recusava todos os convites lançando um belo sorriso, até que ouviu a voz inconfundível.
— Concede-me essa honra? — feito um nobre cavalheiro, vestido elegantemente, disfarçado pela peça fundamental na festa tão aguardada, Rafael se curvou diante a princesa, estendeu-lhe a mão, convidou-a para o que mais desejava.
— Será um prazer! — ainda mais sorridente, impossibilitada de exibir o brilho dos olhos, Sofia se entregou ao convite, jamais recusaria as ofertas de quem amava assim como nunca deixaria de conhecer sua melodiosa voz.
Começaram a dançar calmamente.
Estavam intimamente conectados naquele momento.
— Como é bom estar aqui, não imagina o quanto esperei por esse dia — animado, satisfeito, o jovem plebeu envolvia a cintura da amada moça, entrelaçava os dedos e sentia o doce aroma que dela exalava —. Está ainda mais bonita, é quase impossível ceder aos impulsos de beijá-la, como consegue ser tão mágica ao mesmo tempo em que real?
— E o que posso dizer sobre você? Vestido dessa forma, como um verdadeiro príncipe, provoca-me o desejo de anunciar ao mundo que já encontrei um grande amor — podendo perceber as batidas do forte coração, mantendo os olhos fechados e se concentrando no perfume amadeirado que emanava do belo rapaz, Sofia se aninhou à curva de seu pescoço, esqueceu-se de todo o resto, entregava-se a uma noite especial.
— E se o fizéssemos? E se declarássemos que estamos apaixonados? Que queremos um ao outro? Que nos amamos? — lançou as incógnitas —. Não quero pressioná-la, mas não é possível aguentar por muito tempo um segredo com tamanha proporção...
— Entendo, meu querido, possuo o mesmo pensamento, mas não é por mim que evito correr o risco, é por você... — afastou-se alguns centímetros, tocou o resto que não se cansava de apalpar, como o desejava para sempre —. Não poupariam os ataques, não sei como o meu pai reagiria, temo que seja você o maior prejudicado.
— Sabe que em nome desse sentimento que cultivo por você eu seria capaz de morrer, não sabe? Sabe que a fim de viver esse sonho que nunca se acaba eu pagaria o preço que fosse. A única coisa que quero é amá-la livre e abertamente, é gritar ao universo que meu coração está em suas mãos.
— Beije-me...
— Como?
— Não há o que temer, qual o problema de amar? Por qual razão deveríamos esconder o que sentimos? Não estaríamos cometendo um crime por nos entregarmos ao mais limpo, puro, nobre e belo dos sentimentos, não podem nos condenar porque amamos... Então, beije-me...
Rafael rompeu as barreiras, diminuiu as distâncias e demonstrou todo seu amor no beijo apaixonado, sedento por dias diferentes, dias que trouxessem liberdade ao amor proibido.

Mas há pessoas mal intencionadas que nos perseguem sem que percebamos, que possuem planos maldosos e percebem na nossa ruína a sua ascensão.
— Sua filha namora um plebeu? — a voz feminina soou ao ouvido do rei.
— Do que está falando?
A mulher apontou na direção do casal que descobria o amor encoberto.

Sem que pudessem prever ou perceber alguém tirou a máscara de Rafael revelando sua identidade.
Os guardas logo se aproximaram.
Separaram de maneira violenta o casal que se amava ignorando as exigências para que o não fizessem.
Forte, o rapaz se livrou de seus algozes, lançou o último olhar à amada namorada e correu pulando obstáculos, empurrando serventes, derrubando taças, tombando convidados e desviando dos soldados que não puderam com sua destreza para a fuga, viram-no fugir passivos.

A festa chegou ao fim.
Sofia foi trancada em seu quarto enquanto o rei pensava no que fazer perante tão caótica situação.
Olhando para as estrelas, lançando seus pedidos à formosa Lua, a princesa interrogou sobre quando viveria aquele ardente amor ou se até mesmo o viveria.
A resposta somente o futuro seria capaz de dar.



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Comentários

  1. Olá tudo bem ? Não perco um conto mais dessa vez entrei no baile de máscara e viajei . Parabéns pela escrita.

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  2. Ahhh espero muito que Sofia e Rafael possam viver seu grande amor. Eu gosto muito de historia contextualizada no âmbito medieval assim. Sempre a diferença de classes atrapalhando um casal que quer se amar. Curiosa pra saber o desenrolar do conto.

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  3. Vou torcer para o casal Sofia e Rafael, que eles possam ficar junto, o baile de máscara foi o começo de um grande amor, fiquei aqui curiosa pra saber o final no conto espero que o final seja feliz para eles, abraços.

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  4. Espero que o futuro possa mudar essa realidade e que os dois, mesmo com a diferença de classe, possam conseguir viver esse amor aos olhos de todos, com total aceitação. Que Rafael possa escapar ileso e que a princesa possa conseguir encontrar uma saída.

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  5. Adoro esse tipo de conto. Qu3 seja um final feliz

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  6. Os amores proibidos são os mais intensos realmente. Mais um belo e emocionante conto. Espero que o amor entre a Sofia e o Rafael sobreviva às dificuldades!
    Abraço!

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  7. Nessa época esses amores proibidos aconteciam sempre, o que davam uma certa tensão entre o casais. Adorei esse conto, arrasando como sempre e estou na torcida para que tudo acabe bem com o casal Sofia e Rafael.

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  8. Conto maravilhoso e muito bem escrito, parabéns! E sim, espero que Rafael consiga viver esse amor com sua amada. Estou louca pra ver o resto do desenrolar...


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  9. Acabou??? Não!!! Espero que tenha continuação. Eu sou mega romântica e acho lindo um amor como o deles, com barreiras a serem vencidas. É muito injusto o dinheiro e a classe social separar as pessoas. Torcendo por um final feliz (você vai dar um final feliz, não é???) Risos...
    beijinhos.
    cila.

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  10. Eu espero que Sofia e Rafael finalmente superam as ondas de amor que sentem um pelo outro, ninguém tem qualquer motivo para esconder o que sentimos, eles têm amor que ninguém pode tirar deles.

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