[Conto] Quanto Tudo Começou
Braços enganchados.
Cabeças cobertas
por chapéus.
Passos sincronizados
e lentos.
Caminhavam pela
praça onde tudo começou.
Luana
era uma jovem atraente, cheia de expectativas quanto aos dias vindouros,
vaidosa, gostava de se cuidar para cumprir com suas obrigações. Porém, sofrera
uma decepção que jamais imaginara, as amargas dores ofuscaram o brilho da vida,
fizeram o prazer de viver seguir outros caminhos, diminuíram as forças daquela
que esbanjava energia para fazer da experiência de nesse mundo estar ser a melhor
história que alguém poderia escrever.
Os
dias se passavam, menos as dores.
Amara
verdadeiramente, entregara-se completamente, confiara o coração, seu maior
tesouro, a mãos que não souberam manuseá-lo, protegê-lo, antes foram as que o
estraçalharam.
Sentada
no banco da agitada praça, sem admirar como antes a beleza da natureza, o show
do sol se escondendo e cedendo espaço à noite, a mulher de cabelos castanhos e
olhos atraentes mantinha o rosto escondido, depois de tanto relutar cedeu às
lágrimas.
Marcos
era um rapaz de valente espírito, sempre esperançoso, sempre buscando crer na
melhor das situações, sempre procurando nos problemas um belo aprendizado. Possuía
a querência de muitos, contagiava a tantos com sua maneira espontânea e
sonhadora de viver: se quisessem um conselho, o procuravam; se precisassem de
um conforto era nele que encontravam.
Amava
viver. Amava fazer a diferença na vida daqueles que se permitiam à sua companhia.
No
entanto, fugia do amor.
Sim,
não acreditava no sentimento que arranca suspiros, desenha sorrisos, aquece
corações e consola almas, sabia que esse mesmo sentimento causava dores,
frustrações, amargos sofrimentos àqueles que nele confiavam cegamente.
Vivia
outros amores.
Não
o romântico.
Isso
porque não encontrara a pessoa que faria seu coração pulsar de uma forma
diferente.
Sorridente,
como sempre estava, caminhava pela inspiradora praça de cabeça erguida, olhos
atentos aos espetáculos que Deus garantira aos homens, olhos atentos a quem
precisasse de um cumprimento, olhos que se atentaram à moça solitária que
parecia distante, parecia submersa a prantos incômodos.
—
Seria muita ousadia de minha parte oferecer a essa perfeita obra de arte as
rosas que merecem? — prostrou-se perante Luana como os nobres cavalheiros,
estendeu-lhe os ramos que montara em poucos minutos.
Surpresa,
a jovem voltou em si, tomou noção da realidade, perdera o controle sobre o
tempo divagando em tantos pensamentos, percebeu que as estrelas já despontavam.
Notou
também os alegres olhos azulados que lhe eram dirigidos.
—
Obrigada... — abriu um discreto sorriso aceitando as flores.
—
Sei que esse riso é pura educação, não engane a mim, sou fascinado por sorrisos
e tenho certeza de que o seu é melhor do que isso — estava apenas sendo ele
mesmo, queria garantir contentamento a alguém visivelmente abalado.
—
Sorrisos verdadeiros só podem ser dados quanto temos motivos verdadeiros,
certas coisas não conseguimos mudar... — desabafou mantendo-se na tristeza que
a perseguia.
—
E se os motivos tiverem que ser criados por nós? — ligeiro, sentou-se ao lado
da moça, permitiu que o perfume amadeirado a alcançasse —. Quando era criança
chorava como um doido quando caía e via todos rirem, depois, aprendi a afastar
a dor gargalhando de mim mesmo, por que seria o sofredor da minha história se
posso ser o palhaço? — tirou do bolso uma foto de quando era mais novo,
franzino, um menino assustado —. Parecia o patinho feio — disse com piedade —. Mas
se eu não aprendesse a me valorizar nunca seria esse cisne maravilhoso! —
colocou-se em pé outra vez, através de sua ingênua e despretensiosa exaltação
pôde inspirar o sorriso mais espontâneo na face de Luana —. Era disso que
estava falando, seus lábios desenham curvas embriagantes...
Tímida,
a mulher abaixou o rosto.
Mas
o rapaz o ergueu.
—
O que aconteceu?
—
Traições. As pessoas nos decepcionam...
—
Perdoe-me, donzela, mas quem a feriu dessa forma merece o prêmio de jumento do
ano — foi simplesmente franco —. Não vale a pena se lamentar por jumentos,
vale?
—
Eu o amava...
—
Ama, amou e amará. É assim mesmo. Nem sempre reconhecerão o nosso valor, mas em
algum lugar há alguém digno de receber a sua confiança!
Depois daquele
dia nunca mais deixaram de se falar, construíram uma vida juntos, escreveram
memórias que jamais seriam apagadas.
— Foi ali, foi
ali que me salvou... — já avançada no tempo, com os cabelos alvos e a voz
trêmula, sempre que passava pelo banco onde esteve sentada Luana declarava tais
palavras.
— Seria digno
do prêmio de jumento do ano se permitisse que escapasse... — Marcos perdera o
vigor da juventude por conta do tempo, mas nunca a essência que o marcava na
vida das pessoas —. Fui salvo também...
Em uma simples
conversa entre desconhecidos nasceu um verdadeiro amor. Quantas oportunidades
são perdidas por aqueles que preferem manter o semblante fechado a descobrir
novos sorrisos?
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De uma simples conversa surge o amor entre dois desconhecido. Concordo com você , a cada momento pode surgir algo especial de uma amizade até um grande amor .sorria e não percamos essas oportunidades.
ResponderEliminarOlaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
ResponderEliminarO amor não tem explicação. Belo texto. Tens jeito. Florir do nada e escreveres uma estória de amor entre duas pessoas. Assim é real. Não é como o Crepúsculo que só tem duas falas.
Ele: Olá.
Ela: Amo-te.
Na primeira vez que se conhecem. Peço desculpa pelo spoiler.
E é mesmo assim. Como amar alguém que não se construiu uma base de amizade antes?
AMEI!
Beijokitaz
www.devaneiosdemissl.com
oi!
ResponderEliminarAdoro seus contos :D Amar é algo maravilhoso e pode acontecer quando você menos espera..
O amor é supreendente né? Quando menos se espera pode acontecer. Seus contos são lindos.
ResponderEliminarComo sempre, se superando nas suas escritas. E realmente, o amor supera todos os obstáculos e nos surpreender, quando menos esperamos.
ResponderEliminarQue lindo conto. O amor é tão grandioso, é tão bom suspirar e ter alguém pra amar. Eu amo estar amando alguém rsrs. O amor supera tudo!
ResponderEliminarMais um conto incrível. Realmente a vida é feita de momentos. Alguns se passam, outros se eternizam. Devemos sempre estar atento para os acontecimentos e pessoas à nossa volta, tudo pode mudar o rumo da nossa vida. O destino sempre nos prepara momentos assim, basta saber aproveitar.
ResponderEliminarOiii, tudo bem?
ResponderEliminarPassei um tempinho enrolada, mas agora voltei e fiquei feliz em vir novamente ler um post seu, como sempre escreve super bem! E foi justo em um post sobre amor,achei muito bonito.
beijos!
Olá! É simplesmente lindo este conto.
ResponderEliminarIdentifico-me tanto com o jovem Marcos...
Não consigo perceber porque é que as pessoas cometem traições...Porque é que gostam de magoar...
Este conto é simplesmente maravilhoso!
Parabéns!
Beijinhos
www.aalfacinha.com