[Conto] Poder Amar
Eu queria ter
o poder de derrotar o amor, matá-lo, extingui-lo, aniquilá-lo para que não
fizesse novas vítimas, não destruísse outros corações e arrancasse das almas o
prazer de viver. Mas sou frágil demais para esse sentimento poderoso que como
um tornado raivoso avassala o íntimo de nossas emoções, que atrapalha as nossas
vistas e não nos deixa pensar com a razão, antes nos entrega ao equívoco das
sensações.
Dentro dos
meus braços, chorando como uma criança aflita sobre o meu ombro, recebendo as
carícias de minhas mãos que nunca se cansavam de passear entre os seus cabelos,
Helena me presenteava pela última vez com a sua benquista e cobiçada presença,
tão logo o sol raiasse e os pássaros a todos despertassem com sua cantoria
nossas vidas seriam transformadas para sempre, estaríamos vitimados,
sentenciados a sofrer amargamente por aquilo que, embora quiséssemos, não
conseguíamos dissipar.
— Sentirei sua
falta, tenho certeza de que jamais esquecerei que foi em você que encontrei o
significado do amor — embora as palavras lutassem contra o choro, eu as
compreendi perfeitamente, sabia que eram as últimas, tentava me conformar com o
fato de que nunca mais ouviria aquela doce e sublime voz.
— Também
sentirei a sua, mas se me levar dentro do coração para sempre estaremos
ligados, estarei ao seu lado, mesmo que separados por uma distância
incalculável — eu a amava mais do que a mim mesmo, apaixonei-me terrivelmente
quando a vi tocando flauta em uma apresentação na qual trabalhei servindo os
convidados, foi naquele dia que eu conheci a mulher dos meus sonhos sem saber
que certos devaneios não foram feitos para serem transformados em realidade.
— Lembro-me
perfeitamente de como nos conhecemos — afastando-se um pouco, o suficiente para
que nossos olhos se encontrassem, ela nos levou de volta aos meses passados,
quando nossos corações palpitaram a partir da agradável e inevitável
aproximação —. Estava guardando a flauta, sendo acompanhada por meu pai, quando
você apareceu com a bandeja e gaguejando me ofereceu os doces. Quando reparei
na semelhança que suas íris possuem com o límpido céu percebi que algo dentro
de mim despertava, era meu destino se cumprindo, finalmente me encontrara com
minha alma gêmea...
— Desde aquele
dia seu pai deixou claro não gostar de mim. Ele mesmo se serviu dos doces e me
dispensou o mais rápido que pôde.
— Mas você não
foi embora...
— Não... Eu
não fui... — sentindo que a opressora saudade já despontava dentro de mim, não
hesitei ao tocar o suave rosto da minha amada, talvez aquela fosse a última
oportunidade que tínhamos para que nossas peles se tocassem —. Fiquei do lado
de fora do salão, sabia que a qualquer momento você poderia passar, pouco me
importei se sentiriam a minha falta lá dentro, se seria demitido por minha
ausência, eu precisava uma vez mais contemplar esses olhos que brilham mais que
o sol...
— E, então,
finalmente apareci. Tentei subir na carruagem, mas acabei me desequilibrando e,
quando estava no chão, um nobre cavalheiro, dono do mais belo e terno sorriso,
ao meu lado apareceu estendendo sua mão, oferecendo auxílio — sorridente, sem
desviar a atenção de mim, Helena levou os delicados dedos ao meu rosto por onde
os passeou de forma calma, serena, da forma como me amava.
— A donzela,
por sua vez, retribuindo ao sorriso desse humilde senhor, agraciou-o com a
exibição do esplêndido curvar de seus lábios. Sua mão pequenina achegou-se a
dele aceitando a ajuda — fechando os olhos por alguns instantes, cobri a mão
que alisava minha face, senti-a com ternura, apreciei aquele momento que
precisava eternizar em minhas recordações, nunca mais teria tal prazer —. Mas
seu pai, mais uma vez descobrindo ao sol que não aceitava a presença de
estranhos ao lado da bela moça, achegou-se afastando o cavalheiro, nem ao menos
o agradeceu, foi ligeiro ao ordenar ao cocheiro que fizesse a carruagem seguir
seu destino.
— Talvez
devêssemos ter percebido naquela hora que estaríamos sob perigo constante se
insistíssemos nesse amor ameaçador, mas estávamos cegados, nada nos convenceria
do contrário, nada mudaria os nossos desejos, queríamos um ao outro e foi isso
o que tivemos...
— E eu não me
arrependo, de nada, por nada... — encostei minha testa na dela, entrelacei
nossos dedos, por mim ficaríamos sentados naquela cama daquela forma por todo o
sempre —. Um simples garçom como eu, um homem humilde que jamais participaria
de festas luxuosas se não fosse o servente, jamais pensaria em viver um amor,
mas apesar de tudo, apesar dos confrontos, apesar das duras palavras que
precisei ouvir de seu pai, tive a sorte de ser amado por uma mulher que nunca
desaparecerá dos meus intentos, eu a amo, Helena, nada pode mudar isso, nem o
tempo, e se conseguir amar outra pessoa nunca será com a mesma intensidade e
paixão com as quais eu amo você...
— Não queria
que fosse assim, nunca imaginei que seria assim, daria qualquer coisa para que
não fosse obrigada a suportar essa dor que já me consome. Lamento-me por sermos
tão frágeis, por estarmos em desvantagem em relação a um homem poderoso,
lamento-me por esse ser o final de nossa história...
Restava-nos
apenas aceitar que para alguns o amor se apresenta de repente e da mesma
maneira trata de desaparecer deixando rastros dolorosos e cicatrizes que nunca
curam.
Naquela noite
permitimos que os nossos sentimentos governassem nossas ações, os lençóis
testemunharam o quanto nos amávamos, o quanto nos desejávamos e o quanto estávamos
feridos por sermos forçados a um destino impiedoso.
Na manhã do
dia seguinte as lágrimas nos envolveram enquanto nos arrumávamos para partir do
hotel que serviu de momentâneo refúgio às nossas almas afligidas.
— Não quero
que fique assim, isso me abala... — condoído, abracei a linda mulher, tomei-a
em meus braços me oferecendo como apoio —. Valeu a pena... Todos esses meses
valeram a pena. Seremos eternamente acompanhados pelos bons momentos que juntos
vivemos, teremos aos nossos ouvidos todas as acaloradas palavras que trocamos,
tudo isso servirá para que tenhamos forças e sigamos em frente.
Com os olhos
encharcados ela me encarou, forçou um sorriso que quebrantou minha alma e me
beijou pela derradeira vez.
Estrondos.
Lembro-me de
ter experimentado uma dor latejante.
E então as
luzes se apagaram.
Sim. Eu queria
ter o poder de arruinar o amor, como ele me arruinou. Eu queria arrancar dele o
fôlego, como ele fez com a minha amada Helena que teve o nome estampado em
jornais, proclamado por tantas bocas e eternizado na lápide que agora encaro
desejando ferozmente para que o amor deixe de vitimar outros apaixonados.
Naquela manhã
alguém informou ao pai de Helena que estávamos juntos no hotel, ele mesmo
apareceu repentinamente disparando insanamente, no julgamento teve a ousadia de
dizer que não era sua intenção matar a própria filha, mas que queria salvá-la
de um verme como eu e disso não se arrependia.
Eu queria o
ter o poder de arruinar o amor, mas então entendi que tive o poder de amar e
ser amado enquanto outros não possuem tal dádiva, sucumbem à própria frustração
e intentam covardemente destruir o amor daqueles que amam. Mas o amor não deixa
de existir. Ela para de ser vivido, mas para sempre é sentido, eu só desejo que
as pessoas consigam se encontrar, se resolver, alcançar o poder de amar para
que outros não sofram a dor que eu sofri.
~~~~
Vem
aí, uma nova emoção!
Laís conheceu o
amor, foi marcada por tão nobre sentimento, mas teve lastimável azar por ter
nascido em uma época na qual o poder era quem imperava e onde impera onde o
poder o amor não floresce. Precisou desprezar os próprios sentimentos, precisou
se convencer de que esqueceria do rosto do amor de sua vida, foi condenada a um
casamento indesejável, condenada a passar o resto de seus dias ao lado do
repudiável e inescrupuloso barão de São Pedro. Porém aquele antigo amor nunca
deixou de existir e se tornou em algo irresistivelmente perigoso. Conhecerá o
amor a pena da morte?
Heitor, um jovem
sonhador, contemplou a mulher de sua vida ser tomada de suas mãos e levada por
um sujeito arrogante. A fim de protegê-la tentou matar o sentimento que ardia
em seu peito, mas ele não sabia que o quê é genuíno nada corrompe, nada
enfraquece, nem a distância nem a morte. O tempo se passou. O que já era
intenso ficou imenso, sobrepôs-se aos riscos e fez ignorar as ameaças. É o amor
imprudente?
Dia
1º de julho, aqui no WebLivro e no Wattpad, estreia sua nova emoção de todos os
dias. Marcados Pelo Amor! Você não pode deixar de se emocionar!
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perca, toda sexta, um novo conto!
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