[Conto] Sentir Falta
Ou por falta
de sorte, ou por não saber escolher, fato é que algumas pessoas não têm tanta
sorte quando o assunto é amor, acabam sofrendo por ele, chegam à beira da
destruição, derramam lágrimas que nunca acreditaram que pudessem ser causadas
pelo nobre, cobiçado e valoroso amor. Essa era a situação de Cecília, uma
mulher carismática, cheia de energia, que com seu próprio charme a muitos
encantava, que com sua pacífica áurea a tantos aproximava, mas que não coseguia
viver uma consistente e segura história de amor.
Depois de
cinco longos anos divorciada, submersa ao enfado da solidão, incrédula quanto à
possibilidade de viver novos capítulos nos quais teria o prazer e a honra de
desfrutar da mais íntegra e genuína paixão, a psicóloga organizacional cruzou
com Fábio, um homem gentil e divertido que em poucos dias se instalou em seus
pensamentos, que em poucas semanas adentrou o seu coração e que em poucos meses
declarou os próprios sentimentos e propôs à sonhadora mulher que o aceitasse
como seu namorado.
Tudo foi bem,
pelo menos nos dez primeiros meses daquele relacionamento que prometia ser
diferente de todos os outros, até mesmo o seu filho, fruto do último casamento,
o aceitava como um bom amigo, mas a sua insegurança controlou os seus passos, o
ciúmes dominou suas ações, depois de tantas discussões nada agradáveis a pior
de todas as conclusões sentenciou o casal à separação. Ambos se amavam. Mas as
desavenças colocaram aquele amor no fogo, a chama só se apagou quando os
combustíveis finalmente se afastaram.
Cecília
confessava a si mesma o quanto se sentia bem ao lado do mais diferente e
especial dos homens que pôde conhecer, lembrava-se do formigamento que sentia
quando ele lhe sorria exibindo aquelas covinhas que lhe garantiam uma sedução
única e exclusiva, recordava-se do quanto era reconfortante sentir o seu toque
singelo na pele. Mas todas aquelas boas e extasiantes sensações se resumiam a
saudosas memórias, se não fosse a sua insegurança...
— Não sente
falta do titio? — deitado com a mãe no sofá-cama, assistindo ao filme que ele
mesmo escolhera, o pequeno Luís perguntou sobre o querido amigo que fizera,
pela primeira vez dava pistas de que sentia falta do sujeito que por tantas
noites lhes fizera companhia naquela mesma sala.
— Por que essa
pergunta? — tentando se concentrar na história que aos seus olhos passava, mas
sendo levada para longe pelos intentos que abatiam seu coração desejoso por
algo que apenas um outro alguém teria a capacidade de ofertar, Cecília se
esquivou de responder.
— Você era
feliz com ele — o garoto se sentou, levou as jabuticabas brilhantes ao rosto da
mãe, soube descrevê-la comparando-a com o passado, sabia que ela sentia a falta
do visitante cuja presença se transformou em algo natural —. Aposto que
brigaram. Eu e meus amigos fazemos isso quando brigamos, mas então a vontade de
brincar nos faz esquecer do que passou e voltamos a ser amigos — tornou a se
deitar aninhando-se ao corpo da mulher —. Vocês deviam voltar a serem amigos...
Cecília se
espantou com tão sábia fala, reconheceu que o filho se mostrava mais maduro do
que ela: não perdia tempo com bobagens, não se deixava vencer por orgulhos que
de nada serviriam, apenas queria estar com as pessoas que lhe faziam bem. E se
faltasse aquilo a ela? Seus dias poderiam recuperar o brilho de outrora,
dependia apenas de sua coragem.
O dia
amanheceu, a luz do sol que atravessava as janelas de vidro tocou os olhos do
gerente comercial que, espreguiçando-se entre os lençóis, tentou abraçar alguém
que estaria ao seu lado, quando se deu por conta percebeu que a única companhia
era a do travesseiro entre os seus braços. Suspirando desconsolado, sabendo que
o coração sentia falta da mulher de cabelos encaracolados e pele serena, Fábio
se sentou na cabeceira da cama, abriu a galeria do celular e encontrou a foto
que mais amava apreciar, nela uma mulher alegre exibia seu contagiante sorriso
ao fotógrafo que a cada dia se apaixonava mais. Lembrou-se dos tantos passeios
que juntos fizeram, do quanto se sentia confortável ao lado de Cecília e do
pequeno Luís, sentia que aquela era a sua família que a vida lhe dera.
Recordou-se de manhãs como aquela cuja diferença era que não acordava
solitário, ao contrário, era o primeiro a ouvir a mais bela das vozes.
Sentia saudade
de Cecília, do seu cheiro, da sua companhia, mas o que poderia fazer se não se
conformar com tal distanciamento? Ela não precisava ser tão insegura, não
deveria ter tanto ciúmes, ele não queria outra mulher, não procurava por outros
amores, outros sorrisos não despertavam o seu interesse, tudo o que ele queria
era a doce e amável Cecília. Mas talvez ela não fosse a única culpada, ele
poderia ter sido um pouco mais paciente, porém já não importava, estava feito,
restava-lhe apenas se preparar para mais um dia de trabalho.
Como em todas
as manhãs, Cecília beijou a face do filho, bagunçou a franja que lhe cobria a
testa, abraçou-o desejando um bom dia de aula e esperou que ele adentrasse a
escola. Também, como em todas as manhãs, Luís sabia que seu amigo mais velho
passaria pelo portão da escola e o cumprimentaria. E se sua mãe e ele, naquela
manhã, se encontrassem por acaso? Tendo a brilhante ideia, o garoto saiu em
disparada chamando pela mãe, a inspetora da escola não teve tempo de contê-lo,
nem o carro conseguiu frear a tempo suficiente, o pequeno Luís sofreu um
acidente.
Estacionado na
esquina da escola, esperando a mulher amada partir para então ver o menino que
conquistou seu carinho de uma forma especial, Fábio viu quando o garoto voltou
para trás, colocou a mão na maçaneta da porta, mas nunca conseguiria evitar a
tragédia que seus olhos assistiram e que afligiu o seu peito.
O movimento
ficou intenso no hospital, a ala pediátrica se mobilizou para atender o garoto
inconsciente que chegara ferido acompanhado por uma mãe desesperada, aflita,
que suplicava a médicos e enfermeiros para que salvassem o seu menino.
Nada a
acalmava, ninguém que se aproximava conseguia convencê-la de que tudo ficaria
bem, Luís era fruto de um amor que um dia existiu, que por algum tempo foi
verdadeiro, mas que como de praxe chegou ao fim. Ela não queria perder a única
boa coisa que ficara. Ligou ao pai do garoto, sua desculpa foi que teria uma
reunião inadiável. Ficou irritada, sempre que precisava dele algo mais
importante o levava para longe, não era a toa que o filho se identificara tanto
com Fábio. Fábio. Precisou conter o próprio orgulho, precisava de alguém que a
ajudasse naquela terrível experiência, seus dedos trêmulos discaram o número de
que deixara sua agenda, mas permanecera no meio das tantas agradáveis memórias.
Ao assistir o
terrível acidente, Fábio preferiu se manter distante, deixaria que Cecília
resolvesse o problema sozinha, afinal, na última e acalorada discussão que tiveram, ela exigiu
que fosse deixada em paz e era o que ele
faria.
Mas Luís
estava acima de qualquer desavença, não merecia ser castigado pela imaturidade
de dois adultos, ele precisaria do amigo que Fábio prometeu ser, o que o gerente
comercial seria. Seguiu a ambulância, assistiu a todo o movimento angustiante,
mas não se aproximou, mesmo sabendo que Cecília necessitaria de um ombro amigo
ele se manteve distante o bastante para que sua presença não fosse percebida.
Até que o telefone tocou. Foi quando se despiu do próprio orgulho para, ao
invés de atender a ligação, mostrar que estava por perto como um dia prometeu.
Esquecendo-se
do que passou, necessitando apenas da segurança que aquele homem sempre lhe
ofereceu com sua simples presença, a psicóloga organizacional se lançou aos
braços onde encontrava paz e abrigo, foi envolta por eles, foi acolhida pelo
homem que tinha muito a lhe ensinar sobre o amor e muito com ela a aprender.
— Ele vai
ficar bem... — a voz macia soou bonança —. Ele vai ficar bem...
— O susto foi
grande, mas já está tudo bem — o médico simpático levou a boa notícia ao casal
que ansiava por informações —. Podem ver o filho de vocês — saiu sem dar tempo
para que o corrigissem, mas não importava, por algum tempo viveram como uma
verdadeira família.
— Meu amor...
— a mulher se debruçou sobre o filho beijando-o agradecida —. Não imagina o
medo que senti... Não posso perdê-lo!
— Amigão... —
reservado, querendo respeitar o espaço de mãe e filho, Fábio se colocou do outro
lado da cama hospitalar acariciando os cabelos escorridos —. Como se sente?
— Bem
melhor... — ignorando o pouco de dor que ainda acometia o seu corpo, Luís abriu
um travesso sorriso acolhendo as mãos dos dois visitantes e unindo-as sobre o
seu peito —. Já fizeram as pazes? — ao menos, pensava ele, seu objetivo poderia
ter sido alcançado.
Desconcertados
e intrigados, homem e mulher apenas riram, aquela criança sempre soube como
tornar as mais tensas situações em algo simples de enfrentar.
— Precisamos
conversar — no corredor do hospital, acompanhando o homem que lhe fizera
companhia até a saída, Cecília mantinha as mãos sobre os bolsos embora
desejasse que as de Fábio lhe tocassem.
— Eu acho que
sei como viemos parar aqui.
— O que quer
dizer?
— Todas as
manhãs, desde que seguimos nosso rumo, sempre vou à escola, espero você sair e,
então, vou conversar um pouco com Luís. Eu vi o que aconteceu. Ele voltou para
trás chamando por você, talvez quisesse que nos encontrássemos e, quem sabe,
voltássemos a ser o que éramos — alguns instantes de silêncio os envolveu —. Só
quero que saiba que posso ser o responsável por isso, se eu não fosse à
escola...
— Obrigado...
— Obrigado?
— Sim.
Obrigado — a mulher suspirou —. Sabe quando o pai dele o acompanhou até a
escola? Nunca. O pai dele acha que pagar pensão já é o bastante, só aceito esse
dinheiro porque é um direito do meu filho, mas o que ele sempre quis de verdade
foi um pai que o amasse e sei que é em você que ele encontrou esse pai... —
emocionou-se —. Por outro lado eu sempre quis um homem que me amasse
verdadeiramente e, quando o encontrei, não soube como mantê-lo ao meu lado.
Você é especial, em todos os sentidos, e se puder me dar uma nova chance...
— Uma nova
chance? — sorriu do seu jeito característico —. Posso lhe dar todas as chances
que quiser se você também me der a chance de ser paciente — acolheu as mãos que
sentia falta de tocar —. Sei que sua história não tem sido fácil, eu deveria
ter sido mais compreensivo, mas não fui e coloquei a perder a família que
sempre quis ter, a família que a vida me deu — tocou a face serena —. Se puder
me dar uma nova chance...
No corredor do
hospital homem e mulher se deixaram levar pelo que sentiam, beijaram-se
românticos dissipando a frieza, derrubando os muros e construindo pontes entre
os seus corações.
~~~~
Vem
aí, uma nova emoção!
Rute era uma jovem
romântica, acreditava no amor, cometeu o erro de acreditar no amor de um
sujeito indecente. O amor conheceu a desilusão e os sonhos se transformaram em
pesadelo. A jovem romântica deu lugar a uma mulher amarga, solitária, que se
escondia do mundo pelo medo de sofrer. Mas o amor voltou a bater na porta de
seu coração. Ela conseguirá abrir?
Victor, desde
muito novo, condenava as ações ignorantes dos escravocratas, não conseguia
compreender as injustificáveis razões que levavam uns a subjugarem outros, a
torturarem outros, a banalizarem a existência dos outros. Tal pensamento fora
herdado de seu pai, um homem que pagou com a vida pelos discursos rebeldes.
Victor, então, alimentou-se de sede de justiça, traçou como meta vingar a
brutal morte da família, ele só não contava com a aparição do amor em seu
caminho. O que falará mais alto? A dor do passado ou a esperança do futuro?
Dia
1º de julho estreia, aqui no Web Livro e no Wattpad, sua nova emoção de todos
os dias. Marcados Pelo Amor! Não perca!
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