[WebLivro] Ambições - Capítulo 08 - Encarando o Problema
Capítulo 08 – Encarando o Problema
Amamos.
Sim, nós amamos.
E esperamos
receber de volta o amor que doamos.
Mas esse
sentimento complexo demais para a nossa frágil e falha compreensão humana, em
muitos momentos, ao invés de garantir aconchego e conforto, é quem provoca
lágrimas ardentes de uma decepção arruinadora. Entregamo-nos, abrimos o nosso
coração para ofertar amor, mas nem sempre somos valorizados por esse ato de
entrega.
Sofia sentia-se
traída.
Confiou no
irmão, confiou em amá-lo, tinha-o por porto seguro, acreditou que ao seu lado
seria escondia das aflições, estaria invisível perante tantos traumas.
Enganou-se. Vê-lo partir deixando-a para trás deixou marcas profundas.
— Precisa me
ouvir. Sei que errei, confesso que pensei apenas no meu bem estar e agi feito
um egoísta, fui ignorante por achar que suportaria a realidade somente com as
próprias forças. Estou arrependido e quero concertar o meu erro — Whesley
ignorou a ordem da irmã, insistiu em seu propósito, estava determinado.
— Nenhuma
ligação. Nenhum chamado. Nem mesmo uma simples mensagem. Nada. Silêncio foi
tudo que obtive durante os últimos meses. Não tinha com quem conversar, alguém
para me ouvir e agora quer que eu o ouça? Quer me convencer a partir de um
discurso pronto a perdoá-lo? A aliviar sua mente conturbada, suas costas
pesadas? — a jovem soltou uma risada irônica, incrédula, desacreditada —. Se em
toda a minha vida amei alguém foi você, mas agora não me resta nada se não
desprezo e rancor.
Perder o amor.
Perder o amor
empobrece a mais rica das pessoas, torna miserável o mais privilegiado dos
sujeitos. É como perder o sustento, quando perdemos o amor perdemos também o
alimento de nossas almas.
Ouvir um
argumento tão objetivo e impiedoso tremulou o pobre Whesley, tinha seus
motivos, possuía justificativas para seu ato falho, era imaturo ainda, não
sabia bem como um homem de verdade agiria em seu lugar, mas agora, pouco mais
experiente, reconhecia seu equívoco e mais do que nunca estava disposto a lutar
por um futuro digno.
— Pode ser que
não me ame mais, pode ser que não me tenha como o irmão que sempre disse
admirar e gostar, poder ser que me odeie, que deseje nunca mais me vir, não vou
lhe tirar a razão, feri seus sentimentos, quebrei uma promessa, falhei... —
firme e seguro em cada palavra, o jovem empresário não desviava os olhos de
Sofia, alguém que aos seus intentos continuava delicada, indefesa, necessitada
de seu abraço, de seu cuidado, de seu afeto —. No entanto nada disso me
importa, não é maior do que quero, do que sinto, não é mais forte do que meu
sentimento. Eu a amo e lutarei por você.
Palavras.
São invisíveis.
Parecem coisas
simples.
Mas em certos
momentos incitam nosso choro, eliciam nosso desespero e nos privam do fôlego.
Podem ser densas, obscuras, fatais, mas quando as libertamos alcançamos paz,
alegria, leveza.
Whesley repousou
o corpo sobre a parede no corredor do hospital. Suspirou profundamente. Levou
as mãos aos olhos e escondeu o choro.
— Conseguiu? — a
voz doce soou ao seu lado.
— Como imaginei,
ela me despreza. Assegurei que a amo e que não desistirei de provar isso, de
reconquistá-la, mas não me sinto capaz, olho para mim e não vejo forças, saber
que sou o culpado por essa tragédia torna tudo mais impossível.
— Não pode
pensar assim e nem deve assumir responsabilidades ilógicas, não pode se render
aos momentos de dificuldade — Samara, com sua atraente sabedoria, buscou
fortalecer o abatido rapaz —. Conhecemo-nos há poucas horas, o suficiente para
que eu conhecesse seu nobre coração, suas intenções são boas, o desejo que
cultiva por salvar sua família é algo inspirador, não acredite que é fraco ou
incapaz, você pode e sei que vai conseguir, sua ambição não é como a dos
perversos, é nobre como a dos bons homens.
E mais uma vez
se viu encorajado e apoiado por uma desconhecida que se tornava uma amiga, a
única, a diferente, a especial.
Whesley, em
pleno corredor, abraçou a enfermeira, derramou as últimas lágrimas e abriu um
belo sorriso há tempos ofuscado, sentia-se pronto para os desafios, sentia-se
aceito, finalmente sentira-se distante da incômoda solidão.
— Nunca tive
amigos leais, que fizessem a diferença, que se importassem mais com o que sou
ao invés do que tenho, nunca conquistaram minha confiança para que eu revelasse
minhas dores, nem ao menos o tentaram, mas como pode alguém jamais visto me
ofertar palavras de valentia?
— Somos todos
seres da mesma espécie, temos a graça da racionalidade, por que não podemos nos
ajudar? É um prazer saber que represento algum diferencial — tímida, sem
conseguir reagir ao elogio, Samara revelou a filosofia que a movia.
Filosofia que
encantou Whesley.
Trocaram os
contatos.
Marcaram
encontro entre novos e bons amigos.
∞
Elisa sorria
para as câmeras, fazia poses desinibidas diante os fotógrafos, exibia um olhar
convincente, entregava-se à sua primeira sessão de fotos em um teste para o
atento Rodolfo Eras, proprietário da mais prestigiada agência de modelos, um
homem de fortes parcerias, um influenciador de estrondoso alcance que seduzia
grandes desenvolvedores de produtos de moda e beleza.
— Algumas
pessoas nascem com talento para a faxina, outras para o canto, outras para
empreender, mas existem aquelas que através da beleza, maior dom, vivem sonhos
que nem acreditavam — o empresário astuto e experiente, vendo em sua presa um
forte potencial, lançou seu sedutor elogio enquanto acariciava o pescoço da
jovem mulher.
— Devo
agradecê-lo por ter me encontrado dentre milhões de pessoas e me capturado de
um lamaçal miserável. Estava fadada ao anonimato, teria meus dotes
inutilizados, mas agora consigo contemplar novos e atraentes horizontes — a
ambiciosa, com uma taça de champanhe em mãos, observava do último andar no
luxuoso prédio, através das límpidas e espaçosas janelas de vidro, o show da
natureza, o sol se escondendo atrás das tantas construções e dando lugar à
noite.
— Seria um
desperdício o mundo não contemplar essa beleza arrebatadora — beijou o rosto
sereno, fechou os olhos pressionando os lábios contra a pele alva, sentia a
maciez apaixonante e o perfume embriagante, seguia com sua intenção de enganar
Elisa, convencê-la de seu poder de sedução —. Mas tudo tem um preço, nada é de
graça e o seu compromisso comigo começa agora.
— O que preciso
fazer? — concentrando-se no afago do grisalho atraente, rendia-se ao domínio de
alguém que já a manipulava, controlava e coagia.
— Apenas
observe.
Alguém bateu na
porta.
O casal se
separou.
A mulher se
escondeu.
O homem se
colocou na mesa da presidência.
Alguém entrou.
— Espero que
tenha trazido ótimos agrados que compensem sua falta de compromisso nos
acordos, odeio devedores.
— E eu odeio
dever para pobres nojentos — Sílvia, a mãe de Whesley, jogou a bolsa sobre o
vidro, os objetos saltaram e o empresário sorriu satisfeito ao conferir o
conteúdo.
— Roubou o
banco? Ou melhor, roubou o marido?
— Não devo
satisfações. Aí está tudo. Nada a mais e nem a menos. Espero que se dê por
contente — apressou-se por partir.
— Esse é o
problema, sempre quero mais... — Rodolfo, com seu olhar severo e semblante
rígido, pressionou a mão da visitante contra a mesa, levantou-se depressa e se
aproximou daquela que o repudiava —. Somos dois trapaceiros, sabe disso, e para
que eu fique completamente satisfeito preciso de mais um favor, afinal, os
juros são altos.
— Já falei que
aí está tudo! — a primeira-dama exibia ira através dos intimidadores olhos.
— E eu falei que
para mim não é o bastante! — engrossou a voz —. Em troca do meu silêncio quero
que convença Whesley a ser um parceiro, quero que me contrate para apresentar
seu negócio, quero um acordo com o herdeiro bastardo!
— Isso é
impossível. Ele te...
— Nada importa.
Eu sei que vai conseguir. Caso contrário será nos meus termos, sabe quais
são... — ameaçou.
Irritada, a
mulher desferiu um golpe sobre a face de Rodolfo, encarou-o espantada com a
própria atitude, permaneceu em silêncio.
— Sugiro que não
demore. Vá!
Ordem dada.
Deveria ser
cumprida.
— Quantos
mistérios... — Elisa ressurgiu tão logo Sílvia partira.
— Gravou bem
aquele rosto?
— Mas é claro.
— Sílvia Rebelo
— tomou um gole do champanhe —, sua futura sogra!
∞
— Senhor, trago
más notícias, dois jovens se rebelaram contra o Sistema.
— Rebeldes? — o
sujeito coberto por capa preta e camuflado pela máscara intimidadora, manteve a
serena e desfigurada voz —. Capture-os violentamente! — sorriu malicioso.
Continua...
No próximo
capítulo:
— Acredito que nossas histórias
não teriam outro desfecho, estavam predestinadas a um encontro redentor...
Quando pude cultivar a certeza de que alguém se disporia a me amar, a ser meu
companheiro? Sempre estive sozinha, fui adotada por pessoas incríveis e mais
tarde arrancada de suas mãos, fadada a uma realidade de humilhação, opressão...
— sentou-se na cama confortável, apoiou a testa na do querido namorado e fechou
os olhos mantendo as mãos unidas —. Com todo seu charme, com toda sua coragem e
com todo seu cuidado, você surgiu oferecendo aquilo que desisti de achar,
aquilo que me mantém viva e que almejo para sempre sentir...
De
segunda a sexta, aqui no blog!
Livros
gratuitos:
Encontre
o blog pelas redes sociais:
Obrigado
pela companhia, um forte abraço e até logo!

Comentários
Enviar um comentário
Não deixe de expressar sua opinião, ela é muito importante!