[WebLivro] Ambições - Capítulo 14 - Novo Governo
Capítulo 14 – Novo Governo
Por ambição
somos capazes de encarar o perigo, gargalhar sobre sua face e subestimar
simploriamente seu poderio de destruição. Somos capazes de coisas
inimagináveis, coisas que nem nossas mentes arquitetariam.
Lá estava
Adrian, diante seu inimigo.
Lá estava
Cícero, sendo desafiado por seu opositor.
— O que quer
dizer com novo governador? Acha mesmo que perderia as eleições para você? Darei
meu sangue, entregarei minha alma, mas não terei o poder tirado de minhas mãos!
— ameaçou profeticamente.
— Lamento
informar, caro governador, mas foi destituído de seu trono nesse exato momento!
— Adrian sorria enigmático, seus planos funcionavam —. Lembro-me perfeitamente
de como agia e me inspirei no seu êxito, na época o governo era de Fernando,
porém o verdadeiro governador, quem dava a palavra final e ditava os rumos do
Estado era você com sua soberba, sua riqueza, sua influência e sua capacidade
de no mais simples testemunho trancar a todos nós na cadeia, ainda assim sairia
ileso — à vontade, dominando o diálogo, cativando a atenção de seus ouvintes, o
empresário se sentou na cadeira reservada à autoridade máxima ali presente —.
Pois agora, anos mais tarde, essas armas são minhas! Não me interesso por
eleições, ao menos não agora, aliás, farei o possível para que vença, o poder
não será seu, mas meu, estarei por trás de todas as suas decisões, a partir de
hoje sou quem governa cada um dos seus passos!
Era o anúncio de
uma guerra.
— Com quem pensa
estar falando? Foi inteligente o bastante para seguir meu exemplo, mas da mesma
forma burro em pensar que seria fácil... Posso acabar com a sua vida, basta
permanecer nessa arrogante e tola valentia.
— Pare de se
achar insuperável, pare de pensar que é inatingível, pare de se enganar! — do
bolso, Adrian retirou um pen-drive,
trouxe para perto o notebook que
descansava sobre a mesa, injetou o hardware
e abriu o arquivo revelador —. Senhores, assistam com atenção, mas tomem
cuidado com a vertigem.
O vídeo foi
iniciado.
Em frente ao
Palácio do Governo havia um carro estacionado, o motorista desceu, avaliou o
local e prosseguiu em seus passos rumo à sede administrativa do Estado. Alguns
minutos depois, quando o sol já não era exibido, ele retornou acompanhado,
ofereceu-se para abrir a porta do banco traseiro e permitiu que o então
governador se acomodasse. Retomou a direção e partiu. No canto da gravação
estava a data de 23 de março de 2008.
As filmagens
provocavam medo.
Ameaçavam.
— Podemos ver
nitidamente que o motorista se trata de Cícero, o último homem com quem
Fernando teve contato já que desde esse momento nunca mais foi visto. Alguém
duvidaria da minha denúncia? Quem seria capaz de contestar fatos tão óbvios?
— O que você
quer? — Rodolfo, revivendo as incertezas do passado, quando pensava que a qualquer
momento descobririam sua omissão em um crime que chocou, encarou o antigo
parceiro, exigia esclarecimentos —. Qual o motivo para fazer ressuscitar dos
mortos algo que já nem é comentado?
— Primeiramente,
se antes não iniciei essa batalha, foi por amor, porém a vida continua, meus
filhos estão independentes, minha esposa fez resplandecer sua traição e meu
desejo por vingança só aumenta, sempre fui enérgico demais para baixar a
cabeça! — encarou o maior inimigo, com quem possuía contas a acertar —. Mas o
que realmente quero é o monopólio, minhas empresas são capazes de faturarem
muito mais, para isso devo me tornar a única opção naquilo que produzo. Existe
maneira melhor do que infiltrado no governo?
— Já sabemos o
que acontece quando sonhamos demais, por que não se contenta com o muito que
possui e deixa de namorar os excessos? — Sílvia, a primeira-dama, protestou.
— Porque o
excesso não pode ser tratado como sobra, cada gota de poder é capaz de nos
fazer invencíveis! — guardou o pen-drive
—. Espero que nosso acordo esteja claro o bastante, não se esqueçam de que
agora também devo ser consultado a cada nova ação.
— Só pode estar
de brincadeira — Cícero resmungou.
— Não,
governador, nunca falei tão sério. A menos que queira ser enjaulado irá me
ouvir e atender. Nem pense em me apagar, se qualquer coisa acontecer com minha
vida esse vídeo será espalhado aos milhares. Podemos trabalhar juntos, mas não
me queira por opositor!
∞
Sofia encarava o
irmão.
Esperava que os
pais a buscassem ou então que os motoristas cumprissem a ordem, mas foi
surpreendida pela aparição inesperada do irmão. Em seu ser houve um confronto
de sentimentos.
— O que faz
aqui?
— Imagino que
esteja cansada, ansiosa por voltar para casa e retomar sua vida, cheguei tão
logo me informaram que estava liberada... — Whesley, paciente e prestativo,
recolheu a mala disposta sobre a cama, queria demonstrar seu arrependimento, a
mudança que o envolvia e o desejo que o movia.
— Não quero que
faça isso.
— E por que não?
— Não quero que
sinta pena, não preciso da sua compaixão, posso esperar que me busquem.
— Sofia...
— Sofia, precisa
repousar, recuperar as energias, estar o quanto antes rodeada daquilo que lhe
garante momentos agradáveis, inspiração para viver e sei que encontrará essas
coisas em casa — Samara, irradiando paz e doçura, dirigiu suas palavras à
garota —. Não seja orgulhosa dessa forma, não impeça as pessoas de lhe
estenderem a mão quando precisar, não negue o auxílio despretensioso de quem
quer o seu bem.
Relutante, a
jovem permitiu que as palavras surtissem efeito, colocou-se em pé ainda
enfraquecida, começou a caminhar.
Espantado e
contente, Whesley dirigiu um inaudível agradecimento à enfermeira, sentia-se
premiado por ter alguém tão especial entrando em sua vida, apaixonava-se inegavelmente.
O empresário e a
irmã caminharam juntos pelos corredores, nenhuma palavra trocada, nem mesmo
algum olhar, a distância entre duas pessoas tão próximas era incômoda, ambos
queriam que tudo fosse diferente, mas a insegurança de um e o orgulho da outra
eram obstáculos difíceis de enfrentar.
Atencioso, com o
mesmo cuidado de anos passados, Whesley ajudou Sofia a entrar no veículo e se
acomodar. De propósito deixara o banco traseiro ocupado com roupas e livros,
teria enquanto dirigia a companhia de quem muito estimava.
O silêncio
precisava se afastar.
— Como se sente?
— Bem.
— Acredito que
tenham sido tediosos esses últimos dias, aposto que não vê a hora de retomar
seus desenhos — lembrou-se da grande artista que a irmã sempre fora.
— Não desenho
mais.
— Por quê?
— Qual razão
teria para isso? Se não tivesse desaparecido saberia o quanto mudei, não sou
mais a ingênua sonhadora de antes, consigo encarar a verdade da vida, o que de
fato é viver e tudo não passa de uma grande inutilidade.
— Viver não é
inútil e a vida não é feita apenas de maus momentos, podemos usufruir de
experiências maravilhosas, basta que nos permitamos a isso.
— Como pode
afirmar isso com a história que tem? Com tudo o que viveu?
— Não posso
basear minha história a partir do que os outros fazem com as deles, é uma pena
ter descoberto isso só agora. Somos únicos e somos responsáveis pela nossa
mudança, pela diferença que queremos proporcionar ao mundo e a nós mesmos —
parou o carro em frente à mansão onde crescera, onde experimentara tantos
sentimentos, a maioria ruins —. Estou disposto a provar que me arrependo do que
fiz e que anseio por salvar nossa família, trazer amor, trazer união. Mas não
posso fazer isso sozinho, preciso da sua ajuda, sei o quanto sonha com dias
melhores e esse sonho também é o meu, quero que lute ao meu lado...
Sofia não deu
resposta.
Apenas beijou o
rosto do irmão e seguiu seu destino.
Para Whesley,
fora uma imensa conquista.
∞
Seus pulsos
ardiam pelos machucados, mas a dor não era maior que sua vontade de fugir. Após
muito esforço, derramando sangue, Felipe conseguiu romper as cordas que o
prendiam.
Lutando contra a
fome, combatendo contra a sede e insistindo contra o cansaço, o rapaz
desamarrou sua eterna amante que, exausta, caiu de joelhos.
Ele a levantou.
Seria seu apoio.
Seu libertador.
As luzes se
acenderam e a porta de ferro se abriu.
Não era um dia
de sorte.
— Vejo que se
cansaram de esperar, lamento por isso, mas peço para que não se apressem tanto,
temos uma longa conversa pela frente — perante o casal oprimido estava seu
maior opressor, o temido Líder.
Continua...
No próximo
capítulo:
— Nunca tivemos a oportunidade de
conversar com calma, como amigos de longa data, mas sempre há uma chance, não
se esqueçam disso, sempre há uma chance! — graças a um dispositivo
imperceptível instalado na garganta, a voz do Líder soava irreconhecível, deturpada,
ele não era apenas um criminoso, bandido procurado, era inteligente, detinha o
conhecimento, sua maior arma.
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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pela companhia, um forte abraço e até logo!

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