[WebLivro] Ambições - Capítulo 17 - Tentando Reconquistar
Capítulo 17 – Tentando Reconquistar
— Ninguém diz
que duas solteironas indefesas escondem um laboratório no subsolo da casa
aparentemente simples e inofensiva, devo confessar que fazem um belo trabalho —
observando o ambiente amplo, iluminado, com equipamentos tecnológicos
espalhados pelo lugar junto a dezenas de computadores e acessórios em produção,
Adrian fez seu comentário.
— Farei de conta
que não ouvi o solteirona, sabe que detesto certas liberdades — Samara fingiu
incômodo —. Brincadeiras e distrações à parte, precisamos avançar em nossos
passos, estamos ficando sem tempo — seu semblante preocupado não escondia a
gravidade do problema.
— De acordo às
últimas atualizações eles sofreram declínio — o empresário estranhou.
— Hackearam
nossos sistemas, por isso o chamei, preciso que repare nossa criptografia e
informe a todos sobre o que ocorreu, fomos descobertos!
— Entendo que
esteja receosa, mas precisa ir com calma, o Sistema sabe como agir, possui
recrutas em todos os lugares, se quisermos vencê-los sem alarmar o mundo
devemos calcular minimamente cada decisão.
— Sei disso, mas
quanto mais demoramos, mais gente perde sua essência e se torna marionete em
mãos sujas e repulsivas. Tem sido pesado guardar esse segredo.
— Nós vamos conseguir,
apenas precisamos de inteligência e discrição. Como tem sido no hospital?
— Uma perfeita
enfermeira — sorriu —. Nem pareço a doutora com tantos títulos em ciência
tecnológica, se orgulharia.
— Eu me orgulho,
seu pai também estaria orgulhoso — percebeu a relutância da parceira naquele
assunto, não insistiria, pelo menos por enquanto —. Confesso que quando entrou
para o time pensei que só atrapalharia, mas ainda que jovem ganhou enorme
destaque e hoje é quem nos guia.
— Sabe que não
penso dessa forma, não me considero competente o bastante para liderar, queria
saber onde o Capitão estava com a cabeça para me ofertar responsabilidade tão
grande.
— Ele era mais
que o Capitão... Mas seu coração é puro e sua intenção é ajudar as pessoas, ser
o auxílio que precisam, ainda duvida que foi a escolha certa:?
Samara, uma
jovem mulher repleta de conhecimentos, dentre eles o que dominava o Sistema,
era a atual representante da organização que confrontava o lado opositor. Junto
a sua equipe, pessoas confiáveis que trabalhavam em tecnologias que
enfraquecessem o Sistema, tinha como missão salvar o mundo de forças obscuras
que agiam sem que ninguém soubesse. Esse era seu segredo.
— E como foi seu
retorno triunfal? Aposto que provocou raiva e medo em seus algozes — ligando o
computador-mestre, mostrou interesse quanto aos objetivos pessoais de seu
companheiro.
— Pensei que
não, mas me diverti com os rostos espantados e confusos, tão logo interrompamos
os passos do Líder, serão eles o alvo da minha caçada.
— Com exceção de
certo alguém — Samara sorriu, conhecia o amigo, conhecia sua história e torcia
para que tudo se resolvesse.
— Sílvia é
apenas uma vítima de tudo que aconteceu, foi também vítima da minha arrogância
— refletiu sobre o passado, quando ainda tinha tempo para mudar o futuro —.
Coloquei-a contra mim ao pressioná-la, deveria ser sensato e concordar com o
óbvio, ela não poderia simplesmente fugir do marido, deixar o filho e me
acompanhar. Errei com quem me amava.
— Ultimamente
meu coração tem se movido de uma maneira que nunca imaginei — digitou a senha
para desbloquear o computador —, quero dizer com isso que precisa ser forte e
lutar pelos sentimentos que possui, arrependo-me por nunca ter me permitido a
algo assim.
— Quer dizer que
a solteirona se apaixonou?
— Pelo filho da
sua amante — riu nervosa.
— É, cara
companheira, nossos problemas são maiores do que imaginava...
∞
Quando temos uma
ambição traçamos rotas que devemos seguir a fim de alcançá-la, algumas são mais
fáceis de suportar, outras possuem curvas perigosas e acentuadas, o importante
é que não desanimemos pelas dificuldades, antes encontremos forças em nossa
vontade de vencer para prosseguirmos.
A ambição de
Whesley, a mais importante de todas que possuía, era reconquistar o amor de sua
irmã, a confiança que perdera, o carinho que já não recebia. Através dessa
conquista seria mais fácil trabalhar pela união da família, até lá precisaria
romper a barreira entre ele e Sofia.
Espionando a
mansão notou quando os pais, cada um em seu carro, partiram para mais um dia de
trabalho. Aguardando alguns minutos para que tivesse certeza de que não
retornariam, o rapaz se pôs a caminho de onde um dia vivera, passara por tantos
momentos, desde os mais tristes, que o importunavam insistentemente, até os
mais alegres, que lhe garantiam forças para viver.
Sua passagem foi
prontamente permitida.
Ali também era
sua casa.
Parecia ouvir as
gargalhadas que soaram pelos corredores, parecia enxergar as duas crianças
correndo de um lado para o outro, felizes, protegidas do futuro. Ele, como mais
velho, era sempre quem inventava as brincadeiras, quem escolhia os jogos e quem
melhor se saía neles. Às vezes, condoído pelo desânimo de Sofia, permitia que
ela vencesse, comemorava junto a ela, não se importava em ganhar ou perder, o
importante era que estivessem juntos e felizes.
— Whesley? — na
sala de estar, repleta de retratos que exibiam uma aparente família unida, a
voz soou atrás do empresário dissipando todas as recordações.
— Sofia... —
virou-se para a irmã, vestia no rosto um sorriso simpático, de satisfação —.
Como não respondeu minhas mensagens e nem atendeu as ligações, preferi
visitá-la, sente-se bem?
— Meu número não
é mais o mesmo e minhas redes sociais foram trocadas, não deveria ter se
preocupado, está perdendo tempo — arisca, receosa a qualquer reaproximação que
pudesse acontecer, temendo novas decepções, a garota optava pela frieza embora
desejasse por uma conversa na qual pudesse desabafar, compartilhar as aflições
que carregava.
— Não sou como
eles, não me preocupo mais com o trabalho ao invés de dar atenção a quem amo,
não é perda de tempo estar aqui, pelo menos não para mim...
— Bom, já sabe
que estou bem, deseja algo mais?
— Sim, desejo
ter a minha irmão de volta — encarou-a —. Essa não é você, está se escondendo
por medo, por não querer sofrer outra vez e não a culpo por isso, faria o mesmo
em seu lugar com a diferença de que sei reconhecer quando estão dispostos ao
meu perdão — tentou se aproximar, mas interrompeu o caminhar quando a irmã
recuou, aquele distanciamento o entristecia. Pensara que depois daquele beijo
fraterno seria mais fácil, mas limpar as mágoas de um coração abatido pode ser
a mais árdua missão —. Quero cuidar da sua saúde, quero ajudá-la a se recuperar
dos vícios, sei que precisa de um tratamento e estou disposto a acompanhá-la
nesse desafio, mas preciso que me aceite, que se abra a mim, que me permita
reparar o passado.
— Não é tão
fácil quando pensa, tudo o que sinto quando o encaro é a dor do dia que o vi
partir, que o vi sair por aquelas portas sem nem ao menos olhar para trás, foi
embora como se nada importasse, como se não tivesse motivos para ficar... —
desviou o olhar por alguns segundos, lutou contra as lágrimas furiosas, mas não
venceu a voz embargada —. Como se eu nem existisse...
— Eu não sabia
como seria, se conseguiria sobreviver, se conseguiria me sustentar em lugares
desconhecidos, se seria capaz de todas as noites ter o que jantar e onde
repousar a cabeça. Não poderia levá-la comigo para a incerteza, não poderia
aumentar sua dor, aqui teria conforto, não tinha certeza se comigo estaria
segura — fitava a irmã com seriedade, dizia a verdade, expunha suas razões —.
Não olhei para trás porque não conseguiria deixá-la se contemplasse seu rosto,
se a visse chorando, se descobrisse o sofrimento pelo qual estava passando. Por
amá-la não olhei para trás, mas todos os dias a carreguei em meu coração,
sedento pelo dia que nos reencontraríamos, que estaríamos juntos para que nada
mais nos separasse.
Ouvir uma
declaração tão sincera e repleta de sentimentos tocou o íntimo de Sofia que, se
não fosse pelas dúvidas e pelo medo, teria se permitido ao abraço que ansiava.
— Quero que vá
embora.
— Precisa
desabafar o que sente, quero ouvir suas palavras, quero que me ajude a
reconquistar sua confiança — insistiu suplicando.
— E eu quero que
vá embora. Não me faça falar o que não pode ouvir, não queira se machucar!
∞
Sílvia estava em
seu escritório, concentrada nos muitos papéis, quando alguém bateu à porta. De
forma automática permitiu que entrassem, talvez devesse ter negado a visita.
— Precisamos
conversar — era Adrian, alguém capaz de provocar muitas emoções.
Continua...
No próximo
capítulo:
— No que posso ser útil? —
ignorando os próprios impulsos, controlando a vontade de tocar e sentir o único
capaz de possuí-la por inteiro, a mulher magoada e ressentida optou pelo tom
distante e frio, trataria seu amante como um desconhecido.
— Apenas quero que saiba que sou
incapaz de feri-la, de causar o seu sofrimento — encarava-a de forma
respeitosa, não forçaria o romper das barreiras, possuía consciência de seus
atos passados —. Estou aqui por causas maiores, voltei por motivos que espero
em breve revelar, não posso negar ou esconder meu desejo de vingança pelo que
fizeram, mas você não é um alvo.
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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