[WebLivro] Ambições - Capítulo 01 - Decepção
Capítulo 01 – Decepção
Enquanto as
luzes se apagam, as portas se fecham, os corpos descansam e a lua reina sobre
uma noite densa e longa, ações secretas tomam as ruas, ações ocultas são
descaradamente praticadas, enquanto a paz é o sonho de tantos, o real tormento
é o pesadelo de muitos. É quando ninguém está olhando que os perversos se
mostram.
O caminhão
estava prestes a sair.
Mas alguém
queria se certificar quanto à perfeição.
O homem alto, de
corpo bruto, que vestia preto, caminhava lentamente e escondia o rosto atrás de
uma máscara intimidadora que exibia apenas os lábios ferozes, parou diante a
traseira, era o proprietário do veículo, mais que isso, era a mente por trás do
terror.
— Está tudo aí?
— questionou firmemente, não encarava ninguém, mantinha o olhar fixo num ponto
específico, parecia analisar seus seguidores, sentir o palpitar de cada
coração. Em todos os encontros, rotineiramente, era acompanhado por seu fiel
companheiro: o pavor.
— Sim, senhor —
o motorista, funcionário da figura misteriosa, fizera questão de conferir o
pedido repetidas vezes, conhecia seu superior, conhecia o poder fatal que era
possuído pelo ser intolerante a erros.
— Nossos
clientes não suportam erros e nem eu aceito devoluções. Posso me orgulhar do
ótimo trabalho que tenho promovido até aqui, verdade é que fracassados foram
extintos, ao menos minha honra não foi manchada... — seu discurso, que para ele
era uma declaração de sucesso, soava como ameaça aos que o ouviam, o menor dos
erros era pago com a vida —. Abra as portas, não sou tão imprudente ao ponto de
confiar em amadores — seu arrogante egoísmo o embriagava.
As portas se
abriram.
Com o sorriso do
homem imprevisível à mostra, puderam perceber sua satisfação.
— Ótimo
trabalho! — a voz grave também exibiu contentamento.
A visão que o
agradara era triste, angustiante.
A visão que o
agradara era a mesma capaz de enojar os puros corações.
Em cada canto da
carroceria estava alguém armado, muito bem munido de artefatos mortais,
seguravam prepotentes os fuzis a eles entregues.
Aos seus pés o
terror.
O segredo da
noite.
Moças e rapazes,
jovens, com tantos sonhos, tantos planos, tantas expectativas quanto ao futuro,
eram mantidos reféns, suas mãos amarradas estavam posicionadas em suas costas,
os panos que os amordaçavam impediam o grito por socorro, os olhos assustados
derramavam lágrimas desesperadas; eram atormentados, torturados, levados a uma
vida de dificuldades.
— Sinto o cheiro
da virilidade, da juventude, sinto o cheiro de uma louca jovialidade — adentrou
a ambiente apertado, encarava os encarcerados arquitetando cenas repulsivas, de
dor, de humilhação —. Fique calma... — agachou-se diante uma garota que
tremulava, esforçava-se por respirar, fazia o possível para não se render ao
pânico —. Com toda minha vasta experiência posso afirmar que será a mais
preferida atração dos poderosos, dos detentores de grandes riquezas — passeava
seus dedos abomináveis pelo rosto sereno, suave, molhado pelo choro —. Aliás,
todos vocês me serão úteis, seus corpos me serão por lucro, por fonte
inesgotável de prazer! — saiu do veículo —. Nem pensem em resistir. Odeio os
resistentes, faço a dor os devorar!
∞
Há pessoas que
se contentam com a simplicidade e, ainda que trabalhem por mais, não reclamam
da pequena porção que as auxilia a viver, sabem que a satisfação do homem não
se encontra no luxo, a verdadeira felicidade só pode ser conquistada quando os
mínimos detalhes são ao extremo valorizados.
Porém, sempre
haverá o outro lado, a oposição, aqueles que não se satisfazem nunca, que
quanto mais conquistam, mais querem colecionar, que desprezam a simplicidade e
perseguem a riqueza, o dinheiro e seus caminhos. Lutam, desbravam e fazem
qualquer coisa a fim de alcançarem o pódio, qualquer coisa.
Essa era Elisa,
uma mulher ambiciosa.
Seus desejos
eram grandes, seus intentos cercados por conquistas materiais, seus devaneios
se baseavam na vida de magnatas, na realização de poderosos, seu sonho era em
um dia fazer parte daquilo que chamava de elite.
Mas como?
Nasceu em berço
humilde, família pobre, em uma cidade pacata, pequena, que não oferecia
qualquer expectativa de crescimento aos seus moradores, a renda era baseada nos
pequenos comerciantes, nos humildes agricultores, simplicidade que incomodava a
arrogante Elisa.
Contudo,
reviravoltas podem acontecer e as nossas vidas podem mudar completamente, esse
dia parecia ter encontrado o caminho da jovem mulher. Sempre confiante, não se
enfadava de encher a internet com fotos ousadas, provocativas, que arrancavam
curtidas e colecionavam comentários e, embora não fosse a trajetória de sua
ascensão, alimentava seu já inflado ego.
Alguém se
interessou pela personagem virtual.
Alguém de fortes
influências.
Elisa passou a
manter conversa com o empresário que de atraente, aos seus olhos, só possuía a
fortuna. A distância entre eles era grande, nada que o mundo online não
resolvesse. As mensagens ingênuas passaram a ganhar interesse, a sedução ditou
o futuro do aparente relacionamento, os desconhecidos concluíram que chegara o
momento para que se conhecessem.
— Será que não
percebe que o meu sonho é crescer, mudar de vida, conquistar aquilo que por
toda uma vida me foi negado? Não é capaz de ficar feliz pela sua filha? Como
pode me amar dessa forma? Que amor possessivo e egoísta é esse? — discutia com
a mãe, a mulher que como podia alimentava suas vontades, poupava-a de trabalhos
pesados.
— Eu sou
egoísta? Você quer abandonar o seu berço, a sua família, quer desprezar os
amigos que aqui construiu por causa de dinheiro e ainda consegue me chamar de
egoísta? — Diva, aflita pelo diálogo indesejável, intencionava mudar os
pensamentos daquela que com tanto zelo cuidou, conhecia quem gerara, imaginava
os passos que por ela poderiam ser decididos —. Acha mesmo que dinheiro é tudo?
Que o luxo é sinônimo de felicidade? O que importa é o amor que sentimos e que
sentem por nós, esse sentimento nos une, fortalece, ao ponto de lutarmos uns ao
lado dos outros para que todos juntos possamos conquistar a felicidade!
— Amor? — sorria
com desprezo e chocarrice —. Vai mesmo falar de amor? Foi traída debaixo do seu
teto, foi profanada sobre a própria cama e ainda me vem falar de amor? Por
acaso aquele monstro a amava? O que conquistou por ter amado? Continua nessa
vida medíocre como uma pobre coitada, dona de uma simples mercearia! — soltou
as palavras que jamais deveria proferir, humilhou quem muito a amava.
Diva, com seus
cabelos brancos, abaixou os olhos cansados, concentrou-se nos dedos enrugados
que sobre o colo se tocavam repetidamente, não conteve a dor do desprezo, a
ardência da decepção, a pontada da humilhação. Não conteve a lágrima de
sofrimento. Teve que confessar, aquela que muito estimava a cada dia se
aproximava de quem uma vez arruinou sua história.
Ao lado da
abalada senhora estava Samuel, um rapaz bondoso, que reprovando a atitude
precipitada da prima ofereceu seu ombro para a tia, a mulher que o acolheu
quando ninguém lhe estendeu a mão, quando o mundo lhe deu as costas.
As palavras vão,
mas jamais voltam.
Ninguém é capaz
de apagá-las.
Para sempre
existirão.
— Mãe... —
talvez tivesse que reconhecer o erro, voltar atrás, pedir perdão.
— Não... — Diva,
cansada de tanto relutar, ergueu a mão como se pedisse para que a filha se
calasse, não queria ouvir mais nada, não estava disposta a sofrer o que não
aguentaria suportar —. Samuel irá acompanhá-la até a rodoviária, se é esse o
seu desejo não vou me opor para que mais tarde não me condene... — tornou a
encarar as poderosas íris verdes, olhos que não se intimidavam —. Quando
perceber seu coração corrompido será tarde demais para que desista...
Continua...
No próximo
capítulo:
— Está certo, quero mesmo uma
ascensão e me disponho ao que for necessário para que os meus sonhos se
transformem em realidade. Por que não aceita? Por que ao invés de me criticar
não convence minha mãe de que isso é o melhor para todos nós? Será que ainda
não viu que o que faço é correr atrás de uma oportunidade para que melhoremos
de vida?
— Melhoremos? — soltou uma risada
incrédula, descrente —. Depois do que assisti não sei se acredito que ainda se
lembrará do seu povo quando o topo for seu limite ou se pisará em nós como se
pisa em vermes — foi duro em seu protesto —. O que há em seu coração? Pensa
mesmo naqueles que te ama?
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Obrigado
pela companhia, um forte abraço e até logo!

Muitas pessoas acham que o dinheiro é tudo na vida alguns dá muito valor ao dinheiro, muitas vezes a pessoa que subir na vida de uma forma fácil, a ambição está sempre a frente, aguardando a continuação dessa história abraços.
ResponderEliminarQue bacana, estréia de mais um web livro. Sempre escrevendo tudo com muita fluidez e detalhes. Conseguimos imaginar tudo o que vc descreve. Elisa realmente é uma pessoa de grande ambições. Vamos ver o que acontece.
ResponderEliminarPrimeiro tenho que dizer que a ideia de um weblivro é maravilhoso e com certeza fará muito sucesso. Esse primeiro capítulo é muito bem escrito e a história envolvente... estou louca pelo próximo.
ResponderEliminarGosto muito de leitura. Criei até uma planilha com os livros q leio. Atualmente, estou lendo Prisioneiros da mente, do Augusto Cury. Recomendo!
ResponderEliminarOi!
ResponderEliminarInfelizmente muitas pessoas valorizam mais o dinheiro que o ser humano. ...
infelizmente parece que os nossos valores foram invertidos e a cada dia as pessoas vão de decepcionando mais umas com as outras.
ResponderEliminaro dinheiro como sinônimo de felicidade, uma história antiga e tão atual.
ResponderEliminarOlá , seus post me fazem refletir muito . Ser grande é valorizar cada detalhe da vida transformando isso em felicidade.
ResponderEliminarComecei a ler e acheia historia surpreendente e que nos prende...
ResponderEliminarParabéns
www.robsondemorais.blogspot.com.br
Já adorei o primeiro capítulo, sua escrita é fascinante, já no aguardo do próximo capítulo.
ResponderEliminarOlá, tudo bem?
ResponderEliminarJá no primeiro capítulo fiquei com medo por aquelas que estava sendo feitas de refém. E com pena de Elisa, pois ela está embarcando em um mundo perigoso e sem volta e nem percebeu. Que venha o próximo capítulo.
beijinhos.
cila.
Infelizmente, quando vemos o que os outros têm, isso pode nos fazer querer o mesmo tipo de vida, porque assumimos falsamente que a vida da pessoa rica é qualitativamente melhor que a nossa. Nós nos esquecemos do fato de que ter um maço de dinheiro pronto não significa que você atrai um parceiro mais querido ou desfruta de melhores amizades do que na sua. Esquecemos que não importa o quão bom o colchão que você está dormindo. O dinheiro não muda a textura da nossa identidade , apenas as circunstâncias externas.
ResponderEliminarJá quero ler os próximos. É muito bom pra gente refletir e perceber o quanto a gente deve dar valor as nossas coisas e não achar q a grama do vizinho é sempre mais verde
ResponderEliminarJá quero a continuação, esse capítulo foi ótimo para refletirmos e vermos que o dinheiro não é tudo.
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