[WebLivro] Ambições - Capítulo 44 - Buscando Ajuda


Capítulo 44 – Buscando Ajuda

Homens perigosos costumam se juntar a homens igualmente perigosos, unidos são capazes de altivas conquistas, grandes destruições e acreditam piamente na lealdade que uns devem para com os outros, afinal, se são tão perigosos custam acreditar que se levantarão uns contra os outros.
Mas a traição acontece.
A desonestidade pode seduzir alguns corações e motivar guerra entre os audaciosos.
Estupefato, sentado em sua poltrona atrás da mesa que dava de frente para a porta do escritório, Rodolfo assistia a declaração do ex-governador cheio de espanto, indignação e receio. Não imaginava que tal gesto pudesse ter tomado, não acreditava na ousadia de um sujeito marcado para ser extirpado.
Pegou o telefone.
— Viu isso?
— A cada dia me surpreendo mais com a estupidez de certos vermes metidos a prepotentes, custo a acreditar que ele esteja cometendo tamanha loucura! — a voz do Líder soou irritada —. Mas quem é que acreditará numa coisa dessas? As pessoas são burras demais para entenderem minha mente complexa... — convencia-se de que o traidor seria tido por chacota, um lunático sem limites, ninguém poderia dar ouvidos a uma conspiração tão surreal.
— Não podemos acreditar que ele vai parar, com certeza há pessoas perturbadas que darão razão e farão o possível a fim de desvendar qualquer mistério, é um prato cheio aos teóricos de conspirações, corremos riscos — advertiu.
— Não, fique tranquilo, estamos e sempre estaremos seguros, temos um exército adormecido aguardando o momento exato para despertar e instaurar o Sistema — anunciou —. Mas Cícero terá a devida punição, o mesmo fim que há muitos garantiu, que a mim desejou.


O volume da televisão foi aumentado.
Ouviram o discurso aturdidos.
— Ou acreditarão ferozmente e se desesperarão caoticamente, ou rirão da sua cara e o chamarão de sonhador, qual opção preferem? — Adrian questionou sem tirar os olhos do visor, observava a reação dos jornalistas, atentava-se à opinião das pessoas.
— Prefiro que não se preocupem e se agraciem com o que daria um excelente filme se não fosse verdade, é melhor que debochem das ameaças que nem mesmo imaginam persegui-las do que se metam em confrontos que dificilmente vencerão — Samara, curiosa pelas motivações do político, também se atentava às expressões nos rostos filmados —. Pelo que me parece ninguém surtou, ninguém pensa em dar ouvidos a isso, teremos tempo até que os conspiradores convençam a população de que forças ocultas trabalham nas sombras.
— Ele não parecia disposto a entregar sua equipe, em nenhum momento deixou parecer que culpava alguém por sua ruína ou que cobraria favores, apenas acreditava que daria um jeito — a detetive Clarke argumentou —. O que aconteceu? — era o que todos almejavam saber.
— Precisa descobrir. Se o Sistema está passando por rupturas, se os seus membros estão abrindo mão do propósito, esse é o melhor momento para nos infiltrarmos mais uma vez, mas agora para terminarmos o que começamos — a Capitã encarou os seus seguidores —. É a hora de ganharmos!


Quando percebemos que alguém que amamos não está em seu melhor estado e parece sofrer dores que o enfraquecem, fazemos o possível para que se curem as feridas na alma, não economizamos esforços naquilo que podemos fazer.
O sangue não era o mesmo, o DNA não correspondia, mas Sílvia sentia grande amor pela filha, o mesmo que tinha por Whesley, um amor que não soube demonstrar ao longo do tempo e que estava disposta a exibir, não perderia tal oportunidade, não se deixaria privar da chance especial.
Procurou o jovem empresário.
Desabafou sua inquietação.
— Ela tem passado por momentos difíceis, experiências para as quais não nos atentamos, dificuldades que sugaram suas energias e agora procura um descanso, mas de maneira errada — Whesley procurou entender o sofrimento da irmã, não a culparia, seria injusto —. Quem é esse Samuel?
— Acredito que um amigo, ele possui palavras de conforto, sinto que faz bem para Sofia e que poderia nos ajudar nessa fase difícil...
— Tem certeza de que não é um charlatão?
— Investiguei seu perfil, é alguém querido, suas postagens transmitem paz, chego a pensar que se a sua irmã ainda não nos abandonou foi por essa amizade distante. Precisamos dar um jeito e trazê-lo para cá. É um rapaz de caráter, Sofia pediu para que viesse, mas ele recusou, disse não ter condições e que não aceitaria receber ajuda, queria pelos próprios meios vir até aqui... — tal fato preocupava a mulher, queria ajudar, salvar a filha dos próprios monstros, mas sentia que os recursos eram limitados, que seus braços eram curtos.
— Não se preocupe, darei um jeito nisso — acolheu as mãos da aflita mãe —. E nem continue com esse olhar culpado, todos temos alguma responsabilidade e precisamos trabalhar juntos!
A ex primeira-dama deu razão ao conselho, não era o momento de se desesperar ou procurar culpados, era o momento de trabalhar.
— Como tem reagido ao que aconteceu com meu pai?
— Fui visitá-lo para que assinasse o pedido de divórcio, ele não hesitou, mas também não deixou de exercer sua arrogância e prometer que não estarei livre dele. Parece não se importar com a prisão, comporta-se como o dono de tudo...
— Sempre foi assim, sempre procurou intimidar quem o cerca demonstrando ser destemido, mas na verdade o medo o consome e a melhor forma de o esconder é o negando. Está livre para ser feliz, nunca mais será incomodada!  — acreditava no que dizia, cometia um erro ao subestimar um sujeito astuto.


Samuel detestava saber que pessoas amadas sofriam angústias que ele não possuía a capacidade de afastar, sentia-se insuficiente, sempre desejava garantir conforto àqueles que muito considerava. Com Sofia a preocupação era ainda maior, precisava atender ao seu pedido, precisava ser o amigo que dizia.
Mas como?
De onde tiraria recursos a fim de uma longa viagem? De onde teria dinheiro para se manter em uma nova cidade até que arranjasse algum emprego? Quem cuidaria da tia? Quem seria a companhia que ela precisava e merecia?
As perguntas o incomodavam.
Enchiam sua mente de questionamentos que tornavam tudo mais escuro, que ofuscava todas as luzes e dissipava qualquer solução.
Conversaria com Diva.
Alcançando sua compreensão ficaria feliz.
Do resto cuidaria mais tarde.
Enquanto se aproximava da boa senhora observou seu aspecto preocupado, a face abalada, os dedos que se moviam sobre o balcão da mercearia e o olhar distante que enxergava visões imaginárias.
— Tia?
— Oi... — a mulher voltou em si, limpou dos olhos a discreta lágrima que insistia para saltar, procurou disfarçar o momento de inquietação.
— Ela está bem, embora não mande notícias sei que está bem, as fotos não mentem.
— Respondeu alguma mensagem?
Não respondeu. Estava cansado de dizer à Diva que sua filha continuava ignorando suas palavras, desprezando a preocupação que demonstrava, preferiu o silêncio.
— Fotos é uma boa maneira de saber como alguém se sente, mas ter quem tanto estimamos ao nosso lado é incalculavelmente melhor, até quando terei que me contentar com fotografias? — encarou o sobrinho, não esperava que dele viesse a resposta, contava apenas com sua atenção para desabafar o que sentia —. Ainda acredita que ela se importa conosco?
— É o que procuro pensar todos os dias. É melhor nos convencermos de que está ocupada demais do que aceitar que nos abandonou, a ingratidão dói de uma forma insuportável...
— Tem razão, o melhor é continuar no engano — decidiu mudar o assunto, decidiu contar a Samuel o que acontecera, o que poderia lhe ofertar alegria, alguma esperança ou profundas incertezas —. O que pensa sobre sua mãe?
— Prefiro não dizer... — esquivava-se do assunto, sentia mágoas profundas desde que descobrira que ela não perdera a vida, mas o deixara para trás.
— É melhor que se prepare bem para as surpresas da vida, meu querido. Ela voltou, está em Lobato e deseja nos ver.


Continua...

No próximo capítulo:

Descaradamente beijou a face do empresário com intimidade o bastante para que transmitisse a ideia de uma amizade antiga ou um relacionamento mais próximo.
— Que mundo pequeno. O que fazem no meu restaurante predileto? — Elisa se sentou, mentiu, nem conhecia o lugar, foi o melhor pretexto que encontrou para esconder sua perseguição e a repentina aparição.

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