[WebLivro] Ambições - Capítulo 52 - Acreditar


Capítulo 52 – Acreditar

Talvez fosse apenas uma surpreendente coincidência, esse tipo de coisa pode acontecer com qualquer um, Samuel preferiu acreditar que alguém tinha uma história semelhante à dele, mas e se não, e se aquela fosse a sua própria história? E se fosse verdade? Como Samara conheceu sua mãe? Por que ela repetia o seu nome tantas vezes? O que estava acontecendo com Sofia para que os fatos se conectassem daquela maneira?
O rapaz cheio de perguntas ouviu sobre o Sistema, conheceu a força de mentes perversas que trabalhavam sem que a humanidade soubesse, trabalhavam para trazer ao mundo tempos nos quais não existiria liberdade, quando ninguém poderia agir de acordo os próprios pensamentos, quando todos seriam regidos pela alienação.
O rapaz cheio de perguntas conheceu também a história da mãe, fazia sentido o sumiço, o silêncio que nunca acabava, o pedido para que a encontrassem em Lobato onde ela estava segura, onde poderia proteger as pessoas que mais amava.
Esperança surgiu em seu coração.
A esperança de ter errado nas conclusões anteriores.
A esperança de viver o que sempre quis.


O amor, com toda a sua nobreza, sendo um sentimento capaz de revoluções nunca antes pensadas, pode também oferecer dores difíceis de suportar, dores que indicam um bom sinal: ainda amamos, ainda somos mexidos pelo nosso objeto de desejo, ainda o estimamos.
Felipe sentia a dor do amor.
Estava difícil pensar em Acsa e não fazer ideia de como a namorada estava, alguns pensamentos que deveriam ser ignorados sussurravam para que a esquecesse, seria melhor assim, sofreria menos, talvez ela já nem vivesse ou tivesse sido levada para um lugar longe o bastante para que jamais pudessem se encontrar.
No laboratório da Resistência, encarando a tela do computador que exibia a foto da namorada, o rapaz vagueava nas possibilidades que sua mente criava, ainda tinha vontade de confrontar o Líder, tentar a sorte, mas não se rendeu ao insano momento de angústia, desesperança e desespero.
— Sei como é sentir a falta de alguém, ter a sensação de que o perdemos e que nunca mais teremos a chance de tocar quem acelera nosso peito, quem faz nossas mãos suarem, quem contagia o nosso corpo com a ansiedade do amor, é uma sensação incômoda, desagradável, mas que devemos suportar, precisamos vencer — Rute, escondida no laboratório, acolhida por Samara e sua mãe, sentou-se ao lado do rapaz que a ajudara a escapar, passou a vê-lo como alguém que necessita de carinho, de uma palavra amiga, via-o como filho —. Sinto esse incômodo por duas pessoas: meu esposo, que morreu e já me convenci de que nunca mais poderei abraçá-lo, e meu filho, ao qual ainda nutro esperanças de poder encontrá-lo, está vivo! — abriu um discreto sorriso —. Precisa acreditar que Acsa esteja bem, precisa alimentar a fé no peito, ainda há esperança! — acariciou as costas do jovem, ofereceu seu conforto.
— Já falei tantas vezes e não me cansarei de falar que ela me transformou desde o momento em que a vi, abriu os meus olhos, limpou meu coração e me fez ter sede de justiça, sede de bondade, sede de livrar quantas pessoas conseguir desse mundo tão injusto — não mais escondeu o choro, sentiu-se à vontade perante a compreensiva mulher, precisava de alguém que ouvisse seu desabafo —. Mas como poderei salvar os outros se não consegui proteger quem mais amo?
— Não pode desacreditar na capacidade que possui, se hoje estou livre, consciente sobre minhas atitudes, andando de acordo meus próprios intentos, devo a você essa conquista, devo à sua bravura! — limpou o rosto molhado com a sutileza de uma mãe —. E se o caminho para chegar até Acsa seja ajudando quem encontramos no trajeto? E se pelo objetivo maior tivermos que valorizar as conquistas que parecem insignificantes?
— Eu errei... — lamentou —. Prometi que a ajudaria, prometi que a salvaria, que seria seu protetor, prometi uma vida em segurança... Falhei... Fracassei...
— Falhar não é o mesmo que fracassar — trouxe os ofuscados olhos de encontro aos seus —. Na vida podemos usar muitas tentativas a fim de acertar, nem sempre conseguiremos êxito, às vezes falharemos e teremos que ser persistentes, fracassa quem desiste de continuar tentando, quem deixa de acreditar e cruza os braços, isso é fracassar...
Felipe percebeu que partia rumo ao fracasso, ainda não era um fracassado, não deveria se culpar pelas falhas, ao contrário, era seu dever aprender com elas, fortalecer-se através delas, conquistar a sabedoria necessária para acertar nas próximas vezes.
— Você tem razão — reconheceu —. Não posso me esquecer de que faço parte da Resistência! — abriu um sorriso que denunciava a faísca da esperança brotando em seu ser.
— É alguém especial, de nobres causas, merecedor de grande admiração, eu tenho certeza de que a vida não seria injusta contra você.
O rapaz agradeceu tamanho elogio, passou a se perceber de forma diferente, tinha com o que contribuir ao mundo.


Cansados, sentindo o peso das tantas horas trancados em um carro correndo contra o tempo, finalmente cruzaram a entrada de Lobato, mas ainda tinham alguns quilômetros pela frente até que chegassem ao destino.
Fato é que chegaram.
Talvez um pouco tarde.

Sílvia não se distanciou da filha por um segundo sequer, aflita, permaneceu às costas da garota vendo-a cabisbaixa, calada, como se infinitos pensamentos gritassem aos seus ouvidos, o que ela não sabia era que Sofia enfrentava uma perigosa guerra dentro da própria mente.
Uma guerra perdida.
O Líder retomou o controle sobre a consciência da jovem garota.
— Os sentimentos são momentâneos — quebrou o silêncio —, são efêmeros — levantou a cabeça —, e quando passam permitem que a dor volte, que a escuridão retorne outra vez, é só uma questão de tempo — colocou-se em pé e virou-se à ex primeira-dama —. Vou aproveitar a oportunidade para lhe perguntar sobre o que sentiu naquela noite no restaurante, por acaso viu a vida passar pelos seus olhos? Dizem que é como um filme quando percebemos a morte sussurrar os nossos nomes — o semblante abatido tomou a forma intimidadora.
— Quem é você? — amedrontada, a mulher indagou —. O que está fazendo com ela?
— Não esperava que fosse mais uma cética ignorante, é por isso que as pessoas erram tanto, às vezes o óbvio está bem debaixo dos seus narizes, mas insistem em ignorar! — declarou —. O depoimento do seu marido diante toda a imprensa não foi o bastante? Minha invasão nas emissoras de TV não a fez compreender o quão terrível é estar perante mim? — confrontava a ouvinte lhe lançando o olhar severo que não desviava nem por um instante, mantinha-se fixo, apavorava quem o visse —. Eu sou o Líder, alguém que detesta sua família, alguém que está a um passo de arruiná-la! — esbravejou.
— Já chega, pode interromper essa palhaçada, pode acabar com esse circo, você já me cansou! — Samara surgiu na cobertura portando armamento pesado, mirando-o contra Sofia, encarando-a com raiva.
— Enlouqueceu de uma vez? — a garota gargalhou —. Sabe que se atirar contra mim estará fazendo um grande favor, carregará para sempre o peso da morte de um alguém inocente, qual sua intenção?
— Repito a pergunta, qual é a sua intenção? — a Capitã se manteve firme —. Por que não se jogou do precipício quando pôde? Por que não acabou com isso antes que chegássemos? Eu tenho a resposta, Sofia está te vencendo! — revelou convicta —. Pode estar controlando a fala, as palavras que são proferidas, mas não consegue mover as pernas porque ela ainda vive, ainda clama aí dentro, ainda sabe que não existe coisa melhor do que se render aos nobres e valorosos sentimentos humanos! — disparou contra o alto —. E isso é para você saber que estou cansada, farta, ansiosa por derrotá-lo!
Aplaudindo ironicamente, Sofia caminhou pela mureta.
— Como explica isso? Ainda acha que não estou sobre o controle?
— Então se jogue! — arriscou.
— É assim que pretende me vencer?
— Se jogue, babaca! — irritou-se —. Não consegue! — debochou —. Sofia, eu sei que está me ouvindo, eu sei que consegue entender as minhas palavras e precisa acreditar que nós confiamos em você, na sua força, na sua vontade de viver, nós amamos a sua companhia e queremos lhe provar que pode amar a nossa também!
— É verdade, seu valor em nossas vidas supera a maior riqueza que possa existir, nossas histórias não estariam completas se você delas não participasse, além de acreditar na sua força precisamos do seu sorriso para permanecermos fortes — foi a vez de Whesley se apresentar.
— E tudo que posso dizer é que mais do que estimar sua amizade, mais do que considerá-la importante na minha vida, eu amo quem você é, amo suas palavras, amo confessar que conheço o tamanho da sua força e quero que sinta todo esse amor — Samuel subiu à cobertura —. Sofia, pode parecer loucura, mas mais do que amiga, desejo-a como namorada, a garota com quem desejo construir o futuro — declarou —. Imploro que me aceite, que permita-se ao que tenho a oferecer!


Continua...

No próximo capítulo:

— Poderia ter evitado tudo isso, bastava aceitar o meu acordou — jogou o empresário como se fosse uma pena, lançou-o aos pés da Capitã —. Agora que terá com o que se preocupar vai deixar o meu caminho livre!

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