[WebLivro] Ambições - Capítulo 49 - Auxílio


Capítulo 49 – Auxílio

Em uma guerra os inimigos se vigiam, se perseguem, prestam tanta atenção um no outro que seria inspirador se não fosse trágico a forma como se importam um com o outro. Esperam o momento certo para atacar. Aguardam pelo momento da distração.
Samara tinha um perigoso inimigo.
Tal inimigo possuía olhos espalhados por onde nem imaginava.
Possuía também uma mente astuta, impiedosa, planos frios e minuciosamente calculados para que o objetivo fosse alcançado, para que ninguém ficasse no seu caminho.
O porteiro do hotel, homem de gentil aspecto, aparentemente inofensivo, era na verdade mais um alienado pelo Sistema, alguém que perdera a identidade, a humanidade e esperava pelo despertar do grande dia, quando o Líder desse a ordem e a Anunciação tivesse que acontecer, um dia que prometia ser terrível, um dia de sangue.
Moderado, subiu às escadas.
Sabia exatamente qual era o quarto da Capitã.
Virou a maçaneta, teve o serviço facilitado por esta não ter sido travada.
Avistou a vulnerável mulher adormecida.
A oportunidade era de ouro.

Sem sono, pensando no futuro que almejava com Samara e na forma como a desejava, pensando também em como convencer o amigo da irmã a partir para Lobato, Whesley abriu a janela, mais uma vez encarou o céu noturno enquanto se deixava levar pelos pensamentos.
Decidiu pegar o computador no carro, resolveria algumas pendências da empresa.
Estranhou a porta aberta no quarto da namorada.
Sentiu as pernas estremecerem ao vê-la inofensiva perante as más intenções do homem que lhe apontava a arma.
Avançou contra o meliante, por trás passou a enforcá-lo ferozmente.
 O alienado disparou sem alcançar êxito, o revólver, porém, usava um silenciador.
Os homens caíram sobre o chão enquanto lutavam um contra o outro, disputavam pela posse do artefato mortal.
Foi quando a enfermeira despertou já se assustando com o que acontecia.
A luz do luar que iluminava o ambiente era fraca, precisou ligar o abajur, identificou que entre os sujeitos estava o namorado.
Colocou-se em pé.
Mirou a própria arma contra aquele que queria a sua vida.
— Renda-se! — exigiu.
O homem soltou o revólver, abriu os braços, foi liberto da possessão de Whesley que dominou o armamento e se ergueu cansado pela luta, colocou-se à porta, ninguém sairia dali sem antes passar por ele.
— Quem é você?! — Samara interrogou com a fúria de autoridade.
— Não importa! — o indivíduo vestia um semblante debochado, como se não sentisse medo, como se não compreendesse que agora era ele a vítima em potencial.
— É melhor que me responda! — insistiu —. Tentou tirar a minha vida, tenho testemunha, posso alegar legítima defesa se me cobrarem pela sua desprezível vida, agora responda: quem é você?!
O sujeito sorriu destemido, levou os olhos escuros de encontro aos verdes, daria sua resposta.
— Sabe quem eu sou, como trabalho, o que quero e o que planejo para alcançar meu desejo, pense um pouco antes de depositar toda a raiva que sente em disparos impiedosos contra esse homem que verá, com prazer, ser tombado, talvez ele não tenha culpa, pode ser apenas mais uma vítima!
— Então é você... — a capitã tudo entendeu —. Até quando vai jogar sujo? Até quando usará os seus peões, os sacrificará em nome de seus egoístas interesses? Até quando lutarei contra um covarde?! — provocou.
— Precisa compreender que covarde é aquele que foge da luta, nunca nego as brigas — protestou —. Será que não percebe que uso o meu exército para enfraquecer o inimigo? Quando ele estiver fraco o suficiente é quando surgirei com toda a minha força e o farei se render a mim, prostrar-se aos meus intentos! — prosseguiu alguns passos —. Ao tentar ferir os meus seguidores pensando que ataca diretamente a mim está se enganando, são pessoas inconscientes, inocentes, que não controlam as próprias ações — a expressão no rosto era de vitória —. Já pensou que lutar contra mim é o mesmo que oprimir aqueles que já são oprimidos?
— Cala a boca! — Whesley atacou o alienado com um vaso de porcelana que ornamentava o ambiente, causou seu desmaio.
Ágil, Samara tirou dos pertences o bloqueador.
Colocou—o no homem estendido sobre o chão.
Sentou-se atordoada por inúmeros pensamentos.
— Como você está? — Whesley se colocou ao seu lado, envolveu-a com um dos braços, ofereceu seu apoio.
— Ele tem razão, como não pude perceber? — reclamou —. Combater aqueles que o obedecem é injusto, são sujeitos sem o poder de reflexão, de escolha, ao invés de salvar as pessoas tenho sufocado-as com minha cegueira.
— Precisa entender que salvar a todos é impossível, há aqueles que perderão suas vidas, em uma guerra sempre é necessário que sacrifícios sejam feitos, como disse, não possuem o poder de reflexão, a matarão sem remorso algum e o mundo precisa de você viva! — encorajou —. Não pode dar ouvidos a astúcia de quem é ambicioso ao extremo, de quem quer mexer nos seus sentimentos a fim de manipulá-la, deverá ser forte e se convencer de que perdas acontecerão em prol de difíceis conquistas.
Samara não disse nada.
Repousada sobre o peito do namorado, escutando as batidas sutis de seu coração, fechou os olhos, nem percebeu quando os corpos se deitaram e o sono os envolveu.

Logo pela manhã, esclarecendo ao porteiro a nova realidade que o alcançara e aconselhando para que recomeçasse sua vida sem declarar nada sobre o dispositivo que usava, Whesley visitou a redondeza, comprou algumas guloseimas saborosas e despertou Samara acompanhado pela bandeja de café da manhã. A mulher, claro, admirou-se por tão nobre, cavalheira e gentil atitude.
— Começo a pensar que estou ao lado de um príncipe — mordiscou o pão coberto por calda de caramelo —, não mereço tantos mimos.
— Merece até mais — o jovem rapaz se estendeu sobre a cama, observou carinhoso a namorada se servir —. Dormiu bem?
— Não poderia ter tido uma noite melhor — gostou da experiência de se entregar ao sono nos braços de alguém, não seria capaz de negar que queria mais de momentos como aquele —. E o homem? — preocupou-se ao não encontrá-lo onde estava.
— Ele está bem. Não entendia como veio parar aqui, pediu tantas desculpas que perdi as contas, mas o esclareci e aconselhei para que lutasse pela própria liberdade — tocou a pele delicada —. É triste viver nessas condições, é triste estar preso na própria cabeça, é por isso que precisamos ser fortes, para que as pessoas sejam salvas desse destino...
— Obrigado... — a mulher lançou a gratidão exposta no olhar sobre o namorado —. Se não estivesse aqui eu não acreditaria que vale a pena continuar tentando...

Prosseguiram em sua missão.
Procuraram na cidade pelo rapaz que desejavam.
Até que, finalmente, após ouvirem belos discursos que enalteciam a honra de Samuel, foram informados de que estavam no estabelecimento que ficava onde o rapaz morava. Diva entrou à procura do sobrinho, assegurou que voltaria com o jovem.
Whesley e Samara se empolgaram, sentiam que o alvo era conquistado e, o melhor, ficaram em paz após ouvirem palavras tão belas e honradas sobre alguém que ansiavam conhecer, que tinham por solução.
Curioso já que dificilmente o procuravam, Samuel se dirigiu até os visitantes exibindo sua simplicidade, não era um moço ambicioso, desgostoso quanto à vida que levava, era uma pessoa humilde cujo brilho no olhar denunciava a grandeza e a nobreza do esperançoso coração.
— Então você é o famoso Samuel?
— Sim... — respondeu ainda preso na timidez.
— Venho de longe atrás de você, talvez nunca tenhamos imaginado de um dia nos conhecermos, mas a vida nos reserva tantas surpresas que nem sei mais se compensa tentar desvendar o futuro... — Whesley discursou brevemente —. É a solução que busco, a salvação de que preciso.
— Mas como? — questionou sorrindo, pensou que poderia ser uma brincadeira —. Vocês não parecem precisar de mim...
— Por conta de nossas vestimentas? A alma de algumas pessoas é como a sua, mais ricas que os maiores magnatas — confessou —. Sou Whesley Rebelo, irmão de Sofia, ela precisa de sua ajuda, nós precisamos...


Continua...

No próximo capítulo:

Como frequentemente fazia a fim de tentar um comportamento diferente, Sílvia adentrou o quarto da filha, assustou-se por não encontrá-la, procurou-a em toda parte, descobriu as portas do fundo abertas.
Subiu a escadaria.
Pisou sobre a cobertura.
Viu a filha sentada sobre a beirada da estreita mureta que se ultrapassada serviria de testemunha diante a tragédia.

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