[WebLivro] Ambições - Capítulo 58 - Improvável Ajuda


Capítulo 58 – Improvável Ajuda

Alguns dias antes...

Refletindo sobre a determinação daquele que detinha grandes poderes, Rodolfo analisou as consequências caso a ele se opusesse, ignorou a própria intuição, considerou-se influente e forte o bastante para confrontar o temido Líder.
— Ela continua comigo.
— Está com você por tempo demais, não acha? — protestou —. E quais avanços foram obtidos? Não tente suavizar o fracasso que ele representa, falhou no plano inicial e agora precisa nos recompensar por isso!
— Entenda que a estou preparando, leva tempo, garanto que será mais rápido do que pode imaginar, mas não quero que corramos o risco de deslizes provocados pela pressa.
— Deslizes? — riu desacreditado —. Whesley a demitiu, afastou-se definitivamente, esse plano que você idealizou para Elisa não passa de um fracasso!
— Ela continua comigo... — mostrou-se inflexível.
Perceptivo, estranhando a relutância do subordinado, entendendo que tal comportamento só seria provocado a partir de sentimentos indesejáveis, o sujeito mascarado declarou aquilo que o empresário não confessava, aquilo que tentava esconder de si mesmo.
— Apaixonou-se. Infelizmente está apaixonado por essa mulher, mas sabe muito bem que as coisas não funcionam assim, não admito que nos deixemos vencer pelas coisas que arduamente combato, para o seu próprio bem entregue Elisa!
— Está enganado, não quer aceitar minha postura e inventa teorias, nem sempre estarei disposto a acatar suas ordens, deixei isso claro ao nos unirmos e nesse momento faço valer o nosso acordo! — afirmou destemido.
— Veja como está falando comigo, a forma como me desafia, parece ter perdido o respeito, o temor, parece ter esquecido sobre quem sou e do quão terrível posso ser, o que seria essa insanidade se não resultado de uma desprezível paixão?! — falou irritado —. Esse assunto se encerra aqui e você vai me obedecer!
— Você só é esse monstro que assusta a muitos por possuir homens e mulheres que o seguem sem pestanejar, mas basta que eu forme conselho contra o seu império e todos se rebelarão, darão às costas, o odiarão fatalmente!
— Por acaso estou sendo ameaçado por um qualquer?
— Não sou nenhum qualquer, tenho a influência necessária para destruir o Sistema, deixá-lo em ruínas e nós dois temos essa noção! — declarou com semblante triunfante —. O plano para destruir Samara e os Rebelo foi entregue a mim e sou eu quem o concluirá, fique longe disso, fique longe de Elisa, pense muito bem antes de cometer suas maldades contra mim, eu sei quem você é, conheço suas fraquezas, posso usá-las se estiver a fim de iniciar uma guerra! — partiu deixando o Líder perplexo com tamanha afronta.

— Pois é... Ele me confrontou dessa forma por sua causa, por uma fracassada que só precisava seduzir Whesley, deixar Samara emocionalmente destruída e se infiltrar naquela podridão de família. Conseguiu? Falhou! Odeio os inúteis! — declarou.
— Por que estou aqui? — questionou —. Se me acha tão desprezível por que estamos conversando? Não seria melhor me deixar esmorecer?
— Alguém como você, uma mulher sedutora, capaz de fazer os homens mais terríveis se esquecerem de seus propósitos, que foi capaz de embriagar Rodolfo e tê-lo nas mãos, pode ser melhor utilizada — aproximou-se de Elisa, passeou os dedos envoltos pela luva de coro ao longo do rosto suave —. No fundo, entendo o quanto foi difícil para ele resisti-la, contudo sou imperdoável e não tolero rebeldias, agora ele paga por isso!
— É melhor que me respeite! — valente, a ruiva conteve o braço do Líder, encarou os olhos flamejantes da máscara misteriosa —. Não sei quais são as suas intenções, o que planeja para mim, mas adianto que me recuso às suas investidas, não farei nada do que disser, não devo nada a você! — afirmou —. Rodolfo foi apenas um objeto, precisava mudar de vida, precisava sair do lugar onde vivia e ele me ofereceu essas coisas, porém nunca fui atraída por aquele homem, não tenho culpa se ele o traiu!
— Se soubesse com quem está falando... — soltou-se bruscamente da ambiciosa mulher —. Acredito que todos tenhamos o direito a uma chance, a uma oportunidade e permitirei que vá embora com uma missão: possuir Whesley completamente dentro de uma semana, caso contrário servirá aos meus caprichos!
— E se não quiser? O que fará? Não tenho medo da morte!
— Você talvez não, mas eles com certeza possuem! — tirou do casado duas fotos, nelas estavam Diva e Samuel —. Serão os maiores punidos!
As palavras da mãe soaram aos ouvidos de Elisa, fora avisada, recebera conselhos, fora alertada para que não se juntasse a gente perigosa, que não seguisse por caminhos dos quais se arrependeria, pela primeira vez sentiu um medo incômodo, forte, algo que não pôde ser ignorado.
Temeu pela família.


Sozinho numa cela especial, aguardando que decidissem qual seria o seu destino, Rodolfo se entregou aos pensamentos, confiava no Sistema, a segurança que tinha era de que se algo acontecesse o Líder estaria pronto a salvá-lo, mas não foi assim que aconteceu, nenhum sinal recebia, nenhum recado para que tivesse paciência, tudo que lhe era ofertado resumia-se ao estrondoso silêncio.
Silêncio revelador.
Recordou-se de quando o Líder determinou para que entregasse Elisa, recordou-se do quanto fora irredutível, das ameaças que fizera, da forma como confrontou o sujeito vingativo.
Não existia esperança.
Era punido pelo Sistema.
Apodreceria na cadeia.

— Espero que tenha algo importante a dizer — a detetive Amanda entrou na sala onde os suspeitos conversavam com advogados, investigadores e outros visitantes —. Sabe quais são as minhas preocupações.
— Preocupações que nesse momento me interessam — declarou —. Resolvi ajudar, resolvi dizer como pode encontrar o esconderijo, mas preciso que me prometa uma coisa.
— Não queira me subornar...
— Está ao seu alcance. Eu quero proteção. Quero que essa delegacia seja rigorosamente vigiada, que não faltem policiais altamente qualificados, eu quero estar a salvo do Sistema!
— Por que tanto medo?
— A essa altura já era para estar liberto, eles apareceriam em questão de minutos, é o que fazemos quando um dos nossos é capturado, mas eles não vieram, nem virão, desafiei o Líder, não lhe dei o que queria e agora sou cobrado por isso, fui esquecido, traído...
— Como terei certeza?
— Eles possuem esconderijos espalhados pelo mundo, é onde alienam as pessoas, mas o Líder tem sua preferência, raramente se afasta, está sempre em Lobato onde fica o que chamamos de sua fortaleza — começou a declaração —. Fica na mata, a única dessa cidade, bem ao centro, escondido por folhas, pela terra com restos orgânicos, é ali onde está a entrada para o Sistema.
— Como não consigo me lembrar disso?
— As vítimas são sempre levadas inconscientes para que nunca saibam o caminho em caso de fuga, não se desespere por não lembrar.
— A entrada é vigiada?
— Há armadilhas, sejam espertos e rápidos. Estourem os obstáculos antes que eles explodam vocês, sei que consegue entender...
Parecia bom demais para ser verdade, como alguém tão fiel à facção agora a entregava daquela forma?
— Se estiver mentindo...
— O propósito do Líder é egoísta, ele não cumprirá nenhuma promessa que firmou àqueles que o seguem, não compartilhará o governo de nada com ninguém, quer dominar tudo sozinho e nos usa como marionetes, bonequinhos que só obedecem — desabafou a frustração —. Talvez eu esteja arrependido por esses anos de perversões, talvez queira pagar pelos meus atos, mas não pagarei sozinho...
— Tudo que posso dizer é que sou grata e farei o possível para que sobreviva a fim de pagar o que deve — levantou-se —. É uma pena que só tenha percebido a verdade agora.
— Amanda, mais uma coisa — interrompeu os passos da mulher —. Esteja preparada para a guerra, mas, sobretudo, esteja preparada para conhecer o Líder, não permita que ele a seduza, seja forte! — alarmou enigmático.


Não poderia tardar mais.
Se quisesse permanecer vivo teria que cumprir a ordem.
Ao anoitecer, usando o capuz que escondia sua face, Cícero parou em frente ao apartamento de Whesley, atentava-se aos movimentos, daquela noite não poderia passar.


Continua...

No próximo capítulo:

— É isso o que me garante... Não é perigo, não é ameaça, não é medo, não é inquietação... Você me garante paz — acariciou os lisos fios cuja textura não se cansava de sentir —. Perdoar-se de quê? Por me fazer feliz? Por me ofertar calmaria? Por ter transformado a tempestade que dentro de mim existia na mais perfeita ordem? — encarava os olhos que remetiam à natureza, era capaz de se enxergar neles —. Precisa entender que há coisas muito maiores que nós, maiores que a nossa força e o que acontecer não será de nossa responsabilidade, não conseguiríamos evitar, o que nos resta é amar...

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