[WebLivro] Ambições - Capítulo 48 - Apaixonados
Capítulo 48 – Apaixonados
Adrian percebeu a luz vermelha fixada no peito da ex
primeira-dama.
Jogou-se sobre a mesa e derrubou a mulher ficando sobre ela,
sendo seu protetor, seu guardião, aquele que salvava sua vida.
Disparos inúmeros.
Gritos horrorizados.
Pessoas pranteavam.
— E acabam de chegar novas informações. Um
restaurante de luxo no centro da cidade foi violentamente atacado. Segundo
fontes, entre os presentes estão Sílvia Rebelo, a ex primeira-dama e o
empresário Adrian Armani. Estamos deslocando nossas equipes e a qualquer
momento vamos interromper a programação para atualizar nossos telespectadores.
O sinal de todas as emissoras foi invadido.
Não seguiam com a grade normal, em todos os canais era exibido o
restaurante massacrado, com janelas destruídas e pessoas apavoradas escondidas
umas sobre as outras, esparramadas sobre o chão como se assim estivessem
seguras.
Nenhum apresentador pôde interferir na narração dos fatos.
A voz era pesada e desconfigurada.
— Caros cidadãos de Lobato e porque não
dizer do mundo todo, primeiramente peço perdão por invadir suas casas sem um
aviso prévio, não costumo ser tão grosseiro — fez uma pausa misteriosa, nas
residências ninguém desviava os olhos da TV, nos bares o silêncio era absoluto,
as ruas pararam —. O problema é que alguém passou na minha frente, apressou-se
de uma forma que me irritou, eu precisava chamar a atenção, existe maneira
melhor do que provocando um atentado contra pessoas inocentes que nada sabem ou
devem? Esse é o poder do Sistema. A guerra está declarada. Somos nós contra
vocês. É o fim dessa humanidade podre e corrompida para que novos tempos possam
nascer, tempos de ordem, tempos que atenderão aos meus desejos. Fiquem no
aguardo e não se desesperem, o medo nos faz cometer loucuras que encurtam
nossos dias, não é agradável morrer antes da hora!
Após alguns segundos de telas completamente apagadas, as
transmissoras recuperaram a comunicação com seus satélites, não conseguiram
entender e nem explicar o que acontecera, sabiam de apenas uma coisa: estavam
em guerra contra um inimigo que não imaginavam.
— Você está bem? — Adrian interrogou àquela que lhe despertava
um doce interesse.
— Sim... — Sílvia recebeu ajuda para se levantar —. Percebeu
alguma coisa?
— Alguém queria atirar para matar — declarou com preocupação,
com medo —. Precisamos ir.
— É assim que enfraquecemos o inimigo em relação a nós, meu caro
amigo, despertando nele o medo — saindo do computador, o Líder se dirigiu a
Cícero —. Com medo as pessoas não pensam direito, procuram agir
instintivamente, trata-se de uma emoção primária, até mesmo os animais a
expressam, as pupilas dilatam, o coração bombeia mais forte, o sangue desce
para as pernas, enfim, e aí o animal que vive dentro de nós opta ou por uma
fuga desnorteada, por um enfrentamento arriscado ou simplesmente fica imóvel,
nenhuma dessas ações são inteligentes o bastante para nos derrotar — aconselhou
demonstrando todo o conhecimento —. Ficarão desesperados, confusos, amedrontados
e quando se convencerem de que não há o que fazer por não conhecerem o objeto
de seu medo será quando atacaremos! — sorriu prepotente.
— Por que tentou assassinar Sílvia? Não era minha tarefa?
— Continua sendo, mas já iniciei seus passos, despertei o medo
naquela que tem por alvo, aproveite e finalize o trabalho antes que o medo se
transforme em coragem!
∞
Poucos dias depois...
Receosos quanto aos dias vindouros após o sumiço de Cícero e a
declaração dada pelo Sistema em rede nacional, Whesley e Samara adiantaram a
viagem rumo a São Bento, Sofia se isolava a cada instante, não queriam se
arriscar às tragédias.
A viagem, de carro, duraria dez horas, mesmo assim a enfermeira
demonstrou não se sentir confortável em abusar da sorte e encarar o avião,
forças ocultas trabalhavam contra ela e o que era para ser uma missão de
salvação, transformar-se-ia em iminentes tragédias.
Chegaram ao destino já noite, preferiram buscar Samuel quando o
dia clareasse, até lá ficariam hospedados num hotel confortável da mesma forma
que simples, cada um no seu quarto, esquivando-se do que pode fazer a paixão.
Mas antes de se separarem, sentaram-se sobre a grama do cheiroso
jardim que ali existia, com boas companhias garantidas levaram os olhos às
estrelas, o céu noturno estava maravilhosamente lindo.
— E pensar que até pouco tempo conversava com a lua reclamando
da solidão, dizendo que não valia à pena se dedicar tanto em amar as pessoas se
não somos recompensados... — Whesley revelou mais um pouco dos momentos de
enfado que sofrera ao longo da vida —. E hoje estou tão bem acompanhado, vejo
as estrelas caindo e agradeço mais do que suplico — encarou as íris
esverdeadas, olhos que remetiam à força da natureza —. Meu único desejo é para
que isso que estamos vivendo nunca termine...
Samara abriu um satisfeito sorriso, seu olhar resplandeceu a
alegria do coração, a euforia de uma alma que experimentava o quão bom era ser
amada.
— E eu, sempre me preparando para os piores momentos que um dia
chegarão, convencendo-me de que entregaria a minha vida para que outras pessoas
tivessem a oportunidade de viver uma felicidade livre e consciente, hoje me
vejo pensando em formas de sair ilesa, de lutar até o fim para sobreviver e é
por um simples, especial e único motivo: você — levou a mão ao rosto suave que
não se cansava de admirar, muito menos de tocar —. Eu te amo... — seus olhos se
encheram d’água por tão íntima declaração que saltara direto do peito.
O jovem empresário, acostumado à frieza dos negócios, à
distância que existia entre ele e muitas outras pessoas, comoveu-se ao ter os
olhos descobertos e se convencer finalmente de que nunca mais estaria sozinho,
nunca mais teria que sentir medo da solidão, nunca mais precisaria se proteger
em relações nas quais se privava de ser quem era.
— Nossos netos um dia estarão ao meu redor ouvindo tantas
histórias e eu ainda estarei anunciando que conhecê-la foi a melhor coisa que
me aconteceu, ter meu convite aceito para algo que basicamente se resume à
minha família me faz sentir uma grande certeza: sou aceito por você com todos
os meus problemas.
— Se já estamos pensando nos netos é porque desejamos ardentemente
que as coisas dêem certo e que construamos uma bela história, então é claro que
o aceitarei como é, é claro que participarei da sua vida em todos os momentos,
sejam eles bons ou ruins, sei que também estará ao meu lado.
— É claro que sim... — passeou o indicador pelo rosto sutil,
acariciou os fios que por ali estacionaram, embriagava-se na muita beleza —. E
quer saber de uma coisa?
Os olhares se conectaram intensos e curiosos.
As palavras não foram articuladas.
Há coisas que não conseguimos dizer através de verbos ou
substantivos, metáforas ou eufemismos. Há coisas que somente as atitudes
conseguem expressar.
Sob o luar, debaixo das estrelas, rodeados por flores,
beijaram-se românticos, através daquele beijo tão sentimental conseguiram dizer
tantas afirmações, viviam um pelo outro, queria um ao outro.
Foram para os quartos.
Mas não conseguiram se separar sem antes trocar palavras.
— Se acontecer alguma coisa basta dar um grito, meu sono é leve
— Whesley assegurou recusando-se a soltar as mãos da namorada.
— É melhor que você fique esperto, aposto que luto muito melhor!
— Samara retrucou com diversão, não se incomodava pelas mãos presas, sofreria
quando fossem soltas.
— Será mesmo? — estreitou os olhos.
— Garanto que sim — piscou provocativa.
Beijaram-se outra vez.
Mas agora o jovem rapaz segurou a moça contra si, que,
controlada por seus desejos, levou as mãos às costas daquele que amava. Deram
alguns passos mantendo os olhos fechados. Porém, sorridente, tímida, a
enfermeira interrompeu aquele momento de paixão, afastou-se daquele que queria
em seus braços, decidiu ignorar os próprios impulsos.
— Boa noite, teremos um longo dia amanhã... — disse docilmente.
Passando as mãos sobre a cabeça, procurando se conter quanto a
vontade de ter Samara para si, o empresário retrocedeu lentamente.
— É... Você tem razão — avançou mais uma vez, depositou o
delicado beijo na testa da amada —. Durma bem...
Apaixonados, separaram-se.
Teriam mesmo uma boa noite de belos sonhos.
Teriam...
Continua...
No próximo
capítulo:
—
Precisa compreender que covarde é aquele que foge da luta, nunca nego as brigas
— protestou —. Será que não percebe que uso o meu exército para enfraquecer o
inimigo? Quando ele estiver fraco o suficiente é quando surgirei com toda a
minha força e o farei se render a mim, prostrar-se aos meus intentos! —
prosseguiu alguns passos —. Ao tentar ferir os meus seguidores pensando que
ataca diretamente a mim está se enganando, são pessoas inconscientes,
inocentes, que não controlam as próprias ações — a expressão no rosto era de
vitória —. Já pensou que lutar contra mim é o mesmo que oprimir aqueles que já
são oprimidos?
De segunda a
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