[WebLivro] Ambições - Capítulo 51 - A um passo do fim
Capítulo 51 – A um passo do fim
— Filha?! — a voz embargada da mãe que experimentava um incômodo
aperto no peito, uma intensa aflição na alma, soou trêmula, o choro queria se
manifestar, as lágrimas se reuniam nos olhos que relutavam para não soltá-las.
Sofia manteve-se em silêncio.
Rosto abaixado.
Olhos fechados.
— Filha, pelo amor de Deus, venha comigo, saia daí! — Sílvia
suplicou, rogou por misericórdia, elevou os pensamentos a tudo o que
acreditava, implorou por compaixão naquele momento desesperador, almejou por
alcançar um milagre —. Não vale a pena cometer algo tão trágico, sei que esses
dias foram difíceis, reconheço que tenho minha culpa diante o passado de choro,
mas não se condene por erros que não foram seus, permita que eu possa
recompensar minha negligência, é o que tenho procurado fazer, é o que sempre
farei até ver em seu semblante um sorriso sincero...
As lágrimas da garota atormentada por inúmeros maus sentimentos
saltaram de suas pálpebras, percorreram todos aqueles metros de altura, antes
de tocarem o chão já não existiam, o vento as consumia.
— Não dá mais, mãe, eu não aguento... — a voz rouca soou
abafada, exibiu o peso que estava sobre suas costas, o peso que alguém
desanimado sente ao insistir na vida —. Foram muitas coisas, mas não se culpe,
não pense que tudo é por sua causa, não tem nenhuma obrigação de se sentir mal,
nem temos o mesmo sangue...
— Acha que laço sanguíneo quer dizer algo? — questionou
avançando a passos lentos, em um plano desesperado não permitiria que a filha
cometesse o ato violento contra a própria existência —. Veja seu pai e seu
irmão, possuem o mesmo sangue, mas há tempos parecem mais dois grandes
desconhecidos, não me recordo de quando foi a última vez que conseguiram
conversar sem desentendimentos... Se não existir um amor verdadeiro o sangue
não quer dizer nada, a família é formada pelo coração e posso afirmar que o meu
sempre será todo seu! — continuava a se aproximar da garota.
— Belas palavras, discurso maravilhoso, mas os sentimentos como
amor, empatia, carinho, não passam de ilusão! — Sofia se levantou, ficou em pé
sobre a mureta baixa, virou-se à mãe dirigindo-lhe um sorriso irônico, medonho
—. Eu tentei avisar a sua filha, tentei convencê-la de que se render às
palavras dóceis de nada vale, de pouco importa, mas não me ouviu e agora se
encontra a um passo da felicidade — levantou uma das pernas, equilibrou o corpo
sobre a outra —. Deixo o vento me levar? — abriu os braços.
Sílvia se assustou.
Conhecia a garota o suficiente para saber que aquele não era seu
estado de lucidez, algo acontecia em sua mente, algo terrível o bastante para
fazê-la assumir uma personagem inconsequente.
— Sofia...
— Ligue para Whesley — ordenou —. A partir de agora, se quiser
salvar essa acabada, é melhor que me atenda!
O silêncio imperava dentro do carro.
Um silêncio de nervosismo pelo futuro.
— Palavras não são capazes de exprimir toda a minha gratidão por
estar recebendo essa indispensável ajuda de pessoas que não têm nenhuma
obrigação, que não precisavam se preocupar em abrir mão da própria vida para me
ajudar a salvar alguém que amo, prometo que meus gestos falarão por mim... —
atento à estrada, fazendo o possível para não ser vencido pelo cansaço, Whesley
declarou.
— Não quero que se importe com isso e nem se incomode
acreditando que terá dívidas comigo, Sofia é tão especial a mim quanto a você,
não poderia negar um pedido de socorro — Samuel, sempre despretensioso, logo
mostrou que não agia por interesse, sua intenção era apenas ajudar.
— Você é bastante nobre, mostra ser um amigo sincero, aquele que
se apresenta tanto nas horas boas quanto mais nos momentos difíceis, mas é de
igual modo orgulhoso — virando-se para trás, encarando o jovem humilde, Samara
discursou —. Amigos servem para isso, para nos ajudar como podem quando mais
precisamos. Somos seus amigos agora, precisa permitir que o ajudemos, isso é
ser justo!
Impressionado com tamanha franqueza, Samuel abriu um discreto
sorriso. Não se lembrava da última vez que se importaram em auxiliá-lo.
O telefone tocou.
A enfermeira acionou o viva-voz.
— Mãe? — o empresário atendeu.
— Onde vocês estão? — a mulher chorava.
— Em poucas horas devemos chegar. Aconteceu alguma coisa?
— Pode acontecer... Não sei o que fazer... Sua irmã não parece a
mesma pessoa.
— Como assim? — a Capitã se interessou.
— Samara? — a firme e gélida voz de Sofia se fez presente —. É
impressionante a valentia que possui, devo confessar, mas não seja tão
prepotente ao ponto de acreditar que tem o poder de resolver todas as situações
porque você não o tem, como agora, estou a um fio de cumprir o que vim fazer!
— É você... — a mulher reconheceu —. O que está fazendo?
— Acreditou mesmo que eu permiti a Sofia sair dos meus domínios,
do meu comando, sem antes dominá-la? — disse com desprezo —. É claro que
instalei o chip, é claro que permaneceria sendo o seu pesadelo e aguardei o
momento exato para me manifestar... Surpresa?
Samara fechou os olhos, controlou-se para não extravasar, não
agredir com palavras duras aquele que repudiava com todas as forças, procurou
ser sensata para evitar um desastre que se acontecesse nunca conseguiria
alcançar o próprio perdão.
— Bom... Já que de certa forma estamos todos reunidos posso
encerrar o espetáculo, essa é a demonstração do que os aguarda brevemente!
— Sofia, eu sei que pode me ouvir, eu sei que perdida nesse mar
de escuridão há uma pequenina luz que tenta resplandecer, precisa ser forte, precisa
confiar na sua força, precisa derrotar quem torce pela sua ruína.
— Samara, Samara, não conhece tão bem a Alienação quanto pensa,
ela está inconsciente, como uma morta, e é pela sua ruína que vivo, ela será
apenas um instrumento para dar início ao meu propósito!
De repente, procurando na mente por soluções, a Capitã da
Resistência se recordou de Rute, da forma como ela se controlava, da forma que
encontrara para se livrar da perversa dominação.
Levou o celular para perto do rapaz no banco traseiro.
Olhou-o com espanto.
— Fale com ela.
— Sofia? — ele não sabia o que dizer, como agir naquele momento
confuso —. Pode me ouvir? — não compreendia o que estava acontecendo.
— Samara, pare de tentar, quem, é esse desconhecido para o qual
apelou?
— Sofia, sou eu, Samuel... — não obteve resposta —. Sofia, seu
desejo era que nos conhecêssemos, que estivéssemos juntos, que rompêssemos a
distância da internet e agora, finalmente, estamos perto de viver tal
maravilha, não pode desistir de tudo, valeu a pena esperar.
Silêncio.
— Ela se acalmou, voltou a se sentar sobre a mureta — Sílvia
narrou —. Venham depressa!
Respirando aliviada, Samara acariciou o namorado, ofereceu o
carinho que o enchia de esperança. Surpresa, dirigiu-se a Samuel.
— Há um grupo de criminosos que desenvolveu tecnologia capaz de
dominar a mente das pessoas. Há pouco tempo recebi uma mulher completamente
alienada por esses monstros, ela não conseguia refletir sobre quaisquer ações,
mas tinha uma arma que funcionava momentaneamente, ela repetia certo nome e
conseguia sobriedade por alguns instantes — levou a atenção a Diva —. Você tem
irmã?
— Sim... Não nos vemos faz muito tempo, há poucos dias recebi
uma ligação, sei que está bem.
— Onde ela está?
— Em Lobato...
— Como se chama?
— Rute.
A enfermeira percebeu o desconforto no rapaz perante o assunto,
imaginou que mágoas o cercavam, sentimentos de decepção, ainda assim prosseguiu
na revelação que faria.
— Essa mulher se chama Rute e o nome que repetia incansavelmente
era o de seu filho, ele se chama Samuel!
Continua...
No próximo
capítulo:
—
Falhar não é o mesmo que fracassar — trouxe os ofuscados olhos de encontro aos
seus —. Na vida podemos usar muitas tentativas a fim de acertar, nem sempre
conseguiremos êxito, às vezes falharemos e teremos que ser persistentes,
fracassa quem desiste de continuar tentando, quem deixa de acreditar e cruza os
braços, isso é fracassar...
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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pela companhia, um forte abraço e até logo!

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