[WebLivro] Ambições - Capítulo 56 - Êxito


Capítulo 56 – Êxito

A detetive, sempre buscando estratégias para que ficasse invisível perante seus algozes, não perdeu a oportunidade de, sorrateiramente, entrar na cabine do longo veículo, antes que o motorista pudesse gritar ou enviar qualquer tipo de sinal denunciando a invasão, Amanda o forçou a respirar o pano ensopado por substância tóxica. O homem perdeu os sentidos. A mulher ganhou novas roupas.
Desceu do caminhão.
Vestida com o uniforme dos membros do Sistema, mantendo a cabeça erguida e a postura ereta, a detetive avançou pela agência, o que esperava aconteceu.
— Você! — um dos homens que aguardavam na carroceria alçou a voz —. Não ouviu que não é para entrarmos?
Amanda Clarke se virou.
Sorria convencida.
— E quem vai me impedir?
Perceberam que se tratava de uma armadilha.
Mulheres não eram aceitas em ocasiões como aquela.
Antes que os dois homens usassem seus armamentos, a mulher estrategista disparou o próprio revólver, graças ao silenciador ninguém percebeu seu ataque e o remorso não a incomodou, enojava-se pelos perversos planos que eram praticados, desejava a morte daqueles que deles participavam.
Prosseguiu em seus passos.
Logo na entrada da Eras Modas percebeu movimentos no corredor à sua esquerda, dirigiu-se àquele caminho.
As luzes eram fracas.
Ninguém se importou com a sua presença que viria a resultar num verdadeiro caos.

Moças e rapazes, jovens, exibindo a beleza da juventude, dotados da força por ainda serem tão novos. Todos com as mãos amarradas para trás. Ligados por correntes presas às suas pernas. Aguardavam pelos episódios seguintes da trágica história a qual foram submetidos.
— Confusos? — no porão bem iluminado e protegido, Rodolfo se manifestou —. Lamento que os tenha decepcionado, mas a culpa é de vocês por serem tão belos, esbeltos, representarem lucro em um mundo no qual a beleza é mais valorizada que a própria vida — encarava suas vítimas assustadas, contemplava os olhares desesperados, alguns choravam, mas nada daquilo o comovia —. Peço que me perdoem pelos esparadrapos, não poderia arriscar que gritassem feito loucos, preciso manter o bom relacionamento com os nossos vizinhos — seu discurso era insuportável —. Depois de poucos dias aprisionados, escondidos, impossibilitados de ver a luz do sol, finalmente terão liberdade, finalmente viverão aquilo que prometi: o propósito que enxerguei em cada rostinho lindo quando os vi pela primeira vez. Precisava me despedir, afinal, sentirei saudades — as palavras que nada diziam, que tornava o futuro uma grande incógnita aos prisioneiros, garantiam maiores angústias, incômodas ansiedades.

Parada na entrada do porão, onde as luzes não tinham forças, Amanda ouvia aquilo com raiva maior, mas prometia que aquela noite seria diferente ao malicioso indivíduo, se dependesse dela seria uma noite de inesquecíveis fracassos.

— Meu cliente os receberá e determinará o objetivo de cada um, não se preocupem, se forem passivos sobreviverão — deu as costas —. Podem levar! — ordenou aos súditos caminhando rumo à saída do porão.
— Ninguém atira! — mirando contra o empresário, a detetive se fez presente, avançou alguns passos, colocou-se diante o ambicioso sujeito —. Se quiserem proteger esse desgraçado é melhor que me obedeçam! — as armas continuavam dirigidas a ela —. Rodolfo, se quiser permanecer vivo, ordene que retrocedam! — exigiu.
O homem ergueu as mãos.
Sinalizou para que se acalmassem.
— Quem é você? — questionou analisando a mulher —. Ou melhor, como conseguiu entrar?
— Os bandidos podem ter poderosos armamentos, talvez muita inteligência, mas erram ao escolher aliados que não possuem tanto comprometimento. Seus homens são tão tolos que é impossível não vencê-los!
— Consegue compreender a gravidade do problema no qual se meteu? Aqui está rodeada por pessoas que apenas obedecem ordens, mesmo que me arrisque posso determinar que a matem e é o que farão sem pensar, sugiro que aproveite meu bom humor, recolha-se à sua fragilidade e não me atrapalhe! — ameaçou.
— Quem são eles? — apontou aos sequestradores —. O que pensa em fazer?
— Isso não é da sua conta!
— Não poderá alegar que faço afirmações mentirosas, teve a oportunidade de contar sua versão dos fatos e preferiu dar uma resposta arrogante — acionou o botão no rádio que tinha escondido na cintura —. Rodolfo Eras, você está preso por tráfico humano!
Tiroteio.
Barulho de guerra.
Som apavorante.
— O que está acontecendo? — o empresário se preocupou —. Se estiver a fim de um combate é melhor que reflita sobre a insanidade de tão imprudente escolha! — e mais uma vez ameaçava, mas seus argumentos em nada intimidavam aquela que o queria atrás das grades.
— Embora não acredite, você é frágil, possui suas falhas e errou ao acreditar que nunca seria pego, que nunca o denunciariam, há pessoas mais fortes que qualquer ameaça! — anunciou —. O barulho que ouviu é o Exército aniquilando os seus homens, a ordem foi bem clara, que não tivessem misericórdia daqueles que se usam de corpos alheios para enriquecerem, nenhuma morte que aqui acontecer será lamentada, por isso aconselho que se mantenham quietos, se possuem amor na própria vida não revidarão, há um batalhão sedento por justiça!
Como desejou, Amanda fez daquela noite a pior para o grupo criminoso que feria pessoas, difamava seres humanos, humilhava vergonhosamente aqueles que só estavam à procura de realizações.
Rodolfo, e muitos daqueles que não conseguiriam fugir, deixaram a agência de modelos algemados.
Aos prisioneiros foi devolvida a vida que possuíam.
A detetive obtinha mais um notável êxito.

— Acha mesmo que ficarei preso? Não faz ideia do erro que cometeu! — encarando a detetive, tendo o coração consumido por um ódio sem proporção, Rodolfo permaneceu com a postura ameaçadora.
— Já ouvi isso tantas vezes e nesse mesmo lugar e sabe o que mais chama a atenção? Todos estiveram errados! — Amanda retrucou.
— Não pode falar a mesma coisa de Cícero, aliás, já que se considera tão eficaz em seu trabalho, por que não o achou? — lançou a indagação.
— Porque é você que me levará até ele! — surpreendeu.
— O detetive aqui não sou eu.
— Não seja modesto, sei que é inteligente e que entendeu minha colocação, é inútil a essa altura tentar me despistar ou cansar, tenho paciência infinita! — jogou-se contra o encosto da cadeira estofada —. Conheço o seu envolvimento com o Sistema, sei que Cícero está com o Líder, apenas quero que me leve até lá!
— E por que eu faria isso?
— Posso negociar sua pena, garantir que tenha um tratamento diferenciado, sabe como é, a única coisa que o dinheiro não resolve é a morte...
— É divertido ver os justiceiros, os apregoadores do bem, aqueles que defendem a boa conduta com a própria vida, tentando se igualar a homens como eu, verdadeiros bandidos, inescrupulosos, que sabem exatamente como manipular suas vítimas — debruçou sobre a mesa —. Se quiser encontrá-lo, se quiser chegar até o Sistema, terá que descobrir sozinha qual o melhor caminho, mas seja sensata ao menos uma vez e não se importe com questões alheias, preocupe-se em correr o mais rápido que puder, incomode-se em fugir para o lugar mais longínquo e escondido possível, porque eu juro que tão logo saia daqui me vingarei impiedosa e duramente! — declarou com perigo no olhar, um perigo que fez balançar o coração de Amanda, estaria frente a frente a próprio Líder?


Despertando logo pela manhã, estranhando a ausência de Rodolfo na cama, Elisa foi procurar pelo homem, mas quem encontrou no sofá da sala assistindo à TV foi alguém que nunca imaginou.
— Perdoe-me pela invasão, mas tenho triste notícia, Rodolfo está preso — anunciou Fernando.
Como se não bastasse estar conversando com um homem dado como morto, ainda ouvia tamanha loucura, a ruiva não queria acreditar na trágica realidade.


Continua...

No próximo capítulo:

— O problema é que não me preocupo com o que acham ou deixam de achar, o que importa é o que digo — aproximou-se da mulher intimidando-a —. Sugiro que arrume suas coisas o mais rápido que puder e me acompanhe, nem pense em escapar ou me confrontar — tirou do bolso o celular, mostrou a fotografia que mexeu com a ruiva —. Posso ser o caminho mais fácil para que alcance seu propósito como posso ser aquele que arruinará qualquer sonho que possua! — alertou.

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