[WebLivro] Ambições - Capítulo 53 - Perder o Controle
Capítulo 53 – Perder o Controle
É através dos sentimentos que somos intimamente tocados, que
chegamos a ser transformados ou para melhor ou para pior. Os sentimentos podem
confortar, consolar, fortalecer afetos, os sentimentos podem também provocar
lágrimas, incomodar, alimentar rancores fatais. Os sentimentos são
tremendamente poderosos, ninguém escapa deles, ninguém tem o direito de
recusá-los, mas o poder de escolhê-los está em nossas mãos: amor ou ódio, cada
um alimenta aquele que melhor o satisfaz.
Sofia desejava pelo amor, queria sentir o amor, queria viver o
amor, queria ser salva pelo amor que muitos se dispunham a lhe oferecer, mas
para alcançar tal anseio precisaria antes lutar contra o ódio que a dominava,
contra os pensamentos maldosos que brotavam em sua mente sem que ela quisesse,
precisaria vencer a voz que gritava aos seus ouvidos para que não se rendesse,
não se desse por convencida, a voz que anunciava que o amor não passava de uma
mentira inventada por homens fracos, sonhadores que se iludem ao acreditar que
podem alcançar às suas almas descanso de um mundo cheio de tormentos.
O Líder não estava em seu esconderijo.
Adentrara o quarto de Sofia sem que ninguém soubesse.
Era de lá que controlava a garota.
Porém começava a perder as rédeas, mantendo-se concentrado
precisou se sentar na cama macia, não esperava que fosse tão difícil combater
contra a esperança que a vítima cultivava, sua crença no amor era forte demais
para que ele conseguisse convencê-la do contrário, dominá-la por completo e
destruí-la diante dos olhos daqueles que a amavam. Mas não desistiria. Nunca
desistiu. Sempre venceu.
Diante de todos, Sofia fechou os olhos.
Desceu da mureta.
Mas não deu nenhum passo a mais.
— Está em conflito contra o Líder. Tenta recobrar a consciência,
tenho certeza de que se esforça ao máximo, mas ele também é inegavelmente
persistente — Samara interpretou o estranho comportamento da alienada —.
Samuel, foi com você que ela criou um laço maior nesses últimos tempos, foi a
sua presença que insistemente pediu, precisa abrir seu coração, ser o mais
sincero possível, ela precisa da sua ajuda!
O rapaz sempre tão discreto, longe de holofotes, acostumado a
levar uma vida pacata, constantemente humilde, não sabia como agir naquele
momento, não se sentia capaz de ter nas mãos o poder da decisão, não conseguia
aceitar que era decisivo o gesto que teria.
— Meu querido, quando me falou sobre ela seus olhos brilharam,
foi com entusiasmo, era por sua causa que estava até mesmo disposto a recomeçar
sua vida em Lobato — Diva acolheu as mãos impacientes e ergueu o rosto
preocupado —. Chegou a hora de demonstrar o quanto se importa, chegou a hora de
ser feliz!
A escolha de Samuel sempre foi o amor, não via sentido em odiar
as pessoas, detestar a vida, não compreendia quem se amargurava em sentimentos
dolorosos e egoístas, sempre soube que o ódio é como uma erva traiçoeira às
nossas almas.
Fixou o olhar sobre Sofia.
Não se preocupou com a gradativa aproximação.
— Via as suas fotos e me encantava, sempre tão bonita, elegante,
com um potente brilho nos olhos, exibindo aquele sorriso que me fazia suspirar,
quando descobri o que sentia de verdade me indaguei se algum dia teria a
oportunidade de tocar seu rosto, sentir seus cabelos e assistir pessoalmente ao
mais belo dos sorrisos e hoje estou aqui — tocou os dedos imóveis, acolheu as
mãos inflexíveis —. É ainda mais linda pessoalmente — fez o rosto delicado se
erguer, passeou com os dedos sobre a pele suave —. Sou muito mais apaixonado
pela sua alma. Não se importou com quem eu era, com as minhas condições e nem
com o orgulho que sei que possuo, importou-se apenas comigo, em que eu
estivesse ao seu lado, que pudéssemos viver dias agradáveis sem que a distância
nos mantivesse separados e foi assim que me conquistou, por me aceitar, por
acreditar em mim, por estimar minha amizade — refletiu um pouco, usaria a última
munição —. Perdoe-me por isso, mas duvido que não me ame e não temos mais tempo
a perder...
Desejoso por aquele momento há tanto idealizado, Samuel uniu os
lábios no beijo repleto de amor, paixão e desejos juvenis. Pelos primeiros
segundos não sentiu que fosse correspondido, mas insistiu, foi recompensado,
Sofia venceu a batalha invisível entregando-se ao beijo redentor.
Suas pernas estremeceram.
Desmaiou.
Sentindo o suor correr por dentro da máscara, o Líder foi capaz
de sentir a força do amor que envolvera o coração daquela que tinha por
prisioneira, sentiu aquilo que mais repudiava, contra o que lutava dia e noite,
pelo que batalhava para que não mais existisse.
Caiu sobre o chão.
Derrotado.
— Fiquem calmos — Samara examinou a garota —. Gastou muita energia,
foi uma guerreira, precisa descansar.
— Acabou! — Whesley passou a mão sobre o rosto, sentou-se no
chão, estava aliviado —. Acabou...
— Não sejam tão precoces na comemoração, esse é apenas o início!
— o Líder surgiu na cobertura —. A família reunida, é um prazer farte parte
nesse encontro sentimental! — exibia o sorriso debochado.
— Como imaginei... — Samara se colocou em posição de confronto
—. Ela não tinha nenhum corte, não poderia estar com o chip, você a alienou
pelo olhar e precisava estar perto o suficiente para governá-la — mantinha o
armamento em mãos, apontou-o contra o opressor —. É por isso que trouxe o que
me fez parecer imprudente! — disparou.
O raio de alta voltagem foi lançado impiedosamente.
Mas o Líder era ligeiro.
Em questão de segundos moveu-se na direção de Whesley.
Voltou para onde estava.
Usou o jovem rapaz como escudo.
— Poderia ter evitado tudo isso, bastava aceitar o meu acordou —
jogou o empresário como se fosse uma pena, lançou-o aos pés da Capitã —. Agora
que terá com o que se preocupar vai deixar o meu caminho livre!
Partiu como num piscar de olhos.
Angustiada, Samara pegou o celular, pressionou o botão
configurado como Emergência, a Resistência receberia sua localização e o pedido
de urgente socorro.
O raio era intenso para ao menos imobilizar o Líder poucos
instantes, o bastante para que fosse algemado e levado cativo, mas em pessoas
comuns seria como uma perigosa descarga elétrica.
O corpo de Whesley estremecia.
Seus olhos branqueavam.
Entrava em convulsão.
A Capitã segurava sua cabeça para que não se machucasse, tirou
dele a camisa, enrolou-a e colocou entre os dentes para que a boca não se
ferisse, era tudo o que poderia fazer até que chegassem com ajuda ou até que
morresse.
Ninguém tinha reação.
Estavam assustados.
A Resistência também tinha seus poderosos equipamentos
tecnológicos, preparados para a guerra contra o Sistema que mais cedo ou mais
tarde atacaria com maior rigor.
Adrian e Felipe correram até o helicóptero.
Sobrevoaram Lobato em alta velocidade.
As informações que receberam eram claras e objetivas: Samara
estava no topo de um prédio.
Em poucos minutos surgiram apressados.
Whesley resistia.
— O que aconteceu? — franzindo a testa por conta da ventania
provocada pelas hélices, o empresário pulou sobre a cobertura.
— Sofreu um disparo da arma de raios — a enfermeira alçou a voz,
seus olhos não venciam o pranto.
— Jogue a caixa! — gritou para Felipe que logo atendeu —. Fique
calma — agachou-se diante o ferido abrindo a maleta —. Não é sua culpa —
conhecia àquela que servia tão bem quanto Matheus, aprendera a desvendar seu
semblante, aprendera ser como um pai para a filha de um querido amigo.
Adrian seguiu com seus procedimentos que resolveriam parte do
problema, mas que não dispensavam cuidados hospitalares complexos.
∞
Furioso, não aceitando que mais uma vez sofrera grande derrota
para aquilo que mais repudiava, o Líder retornou ao esconderijo, precisava se
vingar, precisava causar dor.
— Amarrem Acsa! — esbravejou —. Seu namoradinho e os amiguinhos
daquele paspalho terão uma surpresa! — compreenderam que algo saíra do seu
controle.
Continua...
No próximo
capítulo:
—
Não é utopia, é possibilidade! — Whesley colheu o choro que era derramado —.
Seremos muito felizes ainda, sinto isso, sinto que seremos recompensados pelo
bom coração que temos, pela alma nobre que você possui e que expõe ao se
preocupar até mesmo por aqueles que nem conhece. Quando isso acabar, quando o
nosso amor vencer qualquer obstáculo e derrotar o ódio apregoado por um insano
desalmado, veremos que valeu a pena persistir, valeu a pena acreditar!
De segunda a
sexta, aqui no blog!
Livros
gratuitos:
Encontre
o blog pelas redes sociais:
Obrigado
pela companhia, um forte abraço e até logo!

Comentários
Enviar um comentário
Não deixe de expressar sua opinião, ela é muito importante!