[WebLivro] Ambições - Capítulo 57 - Reencontro


Capítulo 57 – Reencontro

— Imagino quais pensamentos pairam sobre sua mente, o que sente ao falar comigo, alguém que tomou as capas dos jornais, invadiu a programação de TV, cuja morte foi espalhada aos quatro ventos, o país lamentou o trágico fim de um homem que aspirava a Presidente da República, que levava esperança ao povo, que se aceitasse e disputasse a presidência conquistaria o topo mais alto do governo, mas eu não morri, a esperança não morreu! — lançou o animado sorriso.
Espantada, admirada por contemplar o ex-governador, Elisa se sentou, julgava estar no meio de um sonho.
— Eu vi... Era ainda adolescente quando vi as notícias... Como pode ser? — foi vencida pela curiosidade —. Como ninguém descobriu?
— A mídia só descobre aquilo que lhe é permitido! Durante todos esses anos fiquei invisível, assisti de longe o prazer dos meus inimigos, mas tudo tem a sua hora e eu sei esperar o momento exato para revelar a minha face. Agora vamos, esse apartamento será revirado, vasculharão cada inútil cantinho, você não pode ficar aqui.
— O que aconteceu com Rodolfo?
— Há muitas coisas que você não sabe sobre as pessoas que estão à sua volta — respondeu misterioso —. Por hora se contente em saber que o seu íntimo anfitrião não tomou o cuidado necessário e foi descoberto quando menos esperava. Não temos tempo para delongas, precisamos partir...
— Acha que estou acreditando em seu discurso? — exibiu a incredulidade —. Não sei qual é o seu plano, mas não vou ser um instrumento! — mostrou-se determinada.
— O problema é que não me preocupo com o que acham ou deixam de achar, o que importa é o que digo — aproximou-se da mulher intimidando-a —. Sugiro que arrume suas coisas o mais rápido que puder e me acompanhe, nem pense em escapar ou me confrontar — tirou do bolso o celular, mostrou a fotografia que mexeu com a ruiva —. Posso ser o caminho mais fácil para que alcance seu propósito como posso ser aquele que arruinará qualquer sonho que possua! — alertou.
Novas dúvidas surgiram na mente de Elisa. Como aquele homem conhecia Rodolfo? Como sabia sobre Whesley? O que planejava a ela? Preferiu não se acanhar, nem relutar, sentiu que o enigmático sujeito fazia cumprir suas palavras.


Sempre hospitaleira àqueles que precisavam de auxílio, Samara não poupou economias ao ampliar sua casa o mais rápido que pôde, construiu dois novos quartos, acomodaria Samuel e Diva em seu lar, não via problema algum, ao contrário, a mãe teria com quem conversar nos dias solitários.
Enquanto a construção acontecia, os hóspedes ficaram em um hotel, mas a Capitã não se sentia confortável com a situação, precisava ter sua equipe por perto, já os considerava como membros da Resistência, era seu dever protegê-los.
— Finalmente, agora terão o conforto que merecem! — apresentou os quartos —. E eu ficarei mais tranquila...
— Sei nem como agradecer, não devia ter se incomodado tanto — embora contente pelo bom tratamento que recebia, Samuel se sentia na obrigação de demonstrar que não era nenhum folgado, que não tinha a intenção de se aproveitar de ninguém.
— Vocês agora fazem parte de algo que é maior que todos nós, fazem parte do meu grupo, lutaremos todos juntos! — assegurou.
— Seu coração é imenso, o mundo seria um lugar maravilhoso se as pessoas possuíssem ao menos uma parte do amor que compartilha — Diva se mostrou agradecida.
— É o que sempre digo, esse nobre coração me enche de orgulho — Laura se manifestou.
— Mas deixando de lado esse momento de elogios, tenho uma surpresa a vocês — Samara exibia um semblante ansioso —. Alguém que os ama mais que tudo está aqui, tem se escondido comigo para que sobrevivesse e tivesse a oportunidade de abraçá-los mais uma vez, espero que gostem!
Acompanhada da mãe, a enfermeira deixou aquele que seria o quarto de Samuel, deixou expectativas nos corações, imaginavam quem seria, um deles não sabia como reagiria embora soubesse que a qualquer momento o inevitável aconteceria.
Emocionada, com as mãos trêmulas pelos muitos sentimentos que abrasavam o seu corpo, Rute caminhou pelo corredor a passos tranquilos, respirava calmamente, buscava em seu interior a paz que precisava a fim de não sucumbir ao nervosismo.
Finalmente, depois de tantos anos, contemplou a face daqueles que precisou se afastar.
Os olhos foram vencidos pelo choro.
Os corações se agitaram.
Sedenta por acabar com a dolorosa saudade que por todos os últimos anos envolveu sua alma, fez subir preocupações à sua mente e minguou as esperanças que insistiam por renascer a cada manhã, Diva avançou de encontro à irmã, abraçou-a com amor, com afeto, derramou as lágrimas de felicidade, lágrimas que rolavam em contraste com o sorriso de satisfação.
— Não imagina o quanto senti a sua falta, o quanto roguei para que estivesse bem, o quanto supliquei por esse dia mais que especial! — a boa senhora, sofrida pelo tempo, com feridas na alma, agora recebia um alento que garantia ao espírito grande paz.
— Nem preciso dizer que a ausência do seu colo me garantiu profunda tristeza, inigualável sentimento de desamparo, nos dias que mais necessitava da sua voz anunciando que tudo ficaria bem foi quando mais provei da insípida solidão — sem condições para explicar o tamanho da felicidade, Rute revelou um pouco do que sofreu naqueles dias de silêncio —. Não faz ideia do quanto esperei por esse abraço!
Sentado na nova cama, assistindo ao reencontro entre duas irmãs que muito se amavam, Samuel sentia o peito arder, relembrou a voz da mãe, recordou-se da doce face que possuía, voltou aos tempos de infância e provou da nostalgia que era receber as carícias suaves da única que sabia acalmá-lo. Embora sentisse todas essas coisas, manteve-se em seu lugar apenas assistindo.
As mulheres, momentaneamente saciadas da falta que sentiram uma da outra, separaram-se.
Ainda mais emocionada, mexendo os lábios como se o som das palavras não conseguisse sair, Rute levou os olhos ao filho, seu coração experimentava um misto entre frustração e alegria: sentia-se frustrada por não ter acompanhado o crescimento do rapaz, sentia-se alegre porque ele se transformara em um belo jovem.
— Filho... — aproximava-se a passos cautelosos, não imaginava qual seria a reação, não sabia qual seria o comportamento daquele que tinha o direito de desprezá-la.
Mantendo-se em seu lugar, Samuel mordiscava os lábios, seus dedos se agitavam e as forças foram vencidas pelas lágrimas que saltaram em seu rosto.
“Samuel, não há coisa melhor e mais profunda que o amor da nossa família”. Lembrou-se das palavras de Sofia.
Venceu a própria mente.
Correu ao encontro daquela que lhe concedeu o privilégio de viver.
Abraçou-a como um menino que fica longe de seus pais por um tempo interminável.
— Mãe... — aquilo que esteve sufocado por tantos anos, a pequena e sublime palavra que por muito tempo foi abafada, teve que ser liberta, envolta por contentamento, cercada de amor, o amor invencível que existe entre pais e filhos.
— Samuel... — tantas vezes usou aquele nome para se proteger, para se manter lúcida, e agora o pronunciava tendo nos braços o seu dono, aquele que morava em seu coração, que lhe garantiu forças para lutar —. Samuel, meu amor, perdoe-me! Perdoe-me por esses anos, pelo sumiço, por não estar ao seu lado nos momentos que mais precisou, sei que eles existiram!
— Sonhei tanto com esse momento, mesmo acreditando que seria impossível, mas quando soube a verdade, quando soube que estava viva, as esperanças aumentaram e eu pedia com imensa fé para que pudesse vê-la nem que fosse por alguns segundos... — não largava a mulher, o menino órfão, receptor de olhares piedosos, deixava de existir no exato momento que o rapaz valoroso entregava-se aos braços de sua mãe.
— Sempre o amei, meu filho, foi a chave para que eu conseguisse vencer, é o motivo da minha sobrevivência, valeu a pena todo o sofrimento, toda a crença, toda a resistência! — confessou que as dores foram muitas, mas o refrigério agora a alcançava.
— Eu também te amo... — quando acreditou que declararia tão sentimental frase? Fato era que a vida o surpreendia mais uma vez, enchia seu caminho de felicidade. A família estava reunida.


Com os olhos vendados, cercada por homens armados, Elisa foi levada ao esconderijo do Sistema, quando já não tinha o que descobrir teve de volta a visão. Assustou-se pela figura que a encarava.
— Seja bem-vinda — o Líder exibia seu constante sorriso frio —. Finalmente estamos nos conhecendo, finalmente receberá a sua missão!


Continua...

No próximo capítulo:

— O propósito do Líder é egoísta, ele não cumprirá nenhuma promessa que firmou àqueles que o seguem, não compartilhará o governo de nada com ninguém, quer dominar tudo sozinho e nos usa como marionetes, bonequinhos que só obedecem — desabafou a frustração —. Talvez eu esteja arrependido por esses anos de perversões, talvez queira pagar pelos meus atos, mas não pagarei sozinho...

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