[WebLivrro] Ambições - Capítulo 46 - Provocações
Capítulo 46 – Provocações
Inibido, confuso pela forma como Elisa o abordara, Whesley não
soube como reagir, se retribuía o cumprimento como se nada demais tivesse
acontecido ou se deveria se preocupar já que não era um homem solteiro, dado a
liberdades, reconhecia aos seus deveres.
Samara achou estranho, chegou ao ponto de se sentir
desconfortável, mas não se daria ao papel de namorada ciumenta, não criaria na
imaginação o que não era real, talvez fossem amigos de longa data, não era sua
intenção sufocar o namorado em um mundo no qual apenas ela existisse, contudo o
incômodo persistiu.
Já Elisa, com tantas ambições guiando os seus passos, com o
desejo de crescer gritando aos seus ouvidos, disposta a qualquer desafio para
alcançar a planejada ascensão, desprezou o fato de que Whesley pudesse se
afastar, desaprovar seu gesto ou que a moça que o acompanhava motivasse o
afastamento, correria qualquer risco, faria o que devesse a qualquer preço.
— Espero não incomodar, estava mesmo precisando de uma noite
especial com bons amigos — a modelo leu o cardápio enquanto anunciou sua
intenção.
“Bons amigos”. Tal
expressão trouxe novo incômodo ao empresário que não se abria tão facilmente a
quem não confiava, para considerar alguém como amigo levava tempo, reconhecia
que com a namorada fora diferente porque as almas se comunicaram sem que eles
pudessem evitar.
Elisa não era sua amiga.
Mas não poderia ser tão indelicado deixando isso à mostra.
— Então essa é a sua namorada? — analisou a mulher —. Tem mesmo
um bom gosto! — forçou o elogio.
— Sim, sim, essa é Samara — acolheu a mão da querida
acompanhante —. Alguém que deveria ter aparecido no meu caminho há muito tempo.
— Bobagem, não sou nenhuma criatura excepcional, mas ele não
costuma economizar na admiração — procurando manter a pose e incentivar um momento
prazeroso, a enfermeira ignorou os pensamentos, deixou-se levar pela noite —. E
quem seria você?
— Elisa, alguém de muita sorte! — os olhos castanhos fitavam a
Capitã como se procurassem por detalhes a admirar ou condenar —. Seu namorado é
mesmo um anjo, alguém de nobre coração, concedeu a mim a oportunidade que
procurava, se estou mudando de vida devo gratidão a ele — passou a encarar o
jovem rapaz com doçura, como quem se apaixona.
— Fico feliz por saber que terei ao meu lado um homem exemplar —
percebendo a forma como a ruiva se dirigia àquele que amava, Samara levou a mão
ao seu rosto, acariciou-o, mostrava que cuidaria do que era seu.
— E como fica o meu ego perante tantos elogios? Ao ponto de
estourar! — o empresário brincou —. Estão sendo gentis, mas não precisam me
admirar tanto, também tenho defeitos que gostaria de mudar.
— Merece todos os elogios possíveis, para mim é perfeito —
declarando o comentário levou a atenção ao garçom que anotou o seu pedido —.
Acredito que seja um desafio segurar um homem desses! — em tom de brincadeira
dirigiu as palavras àquela que via como rival, um empecilho a ser vencido.
Samara nada declarou, não soube o que responder. Teria que
assegurar a uma desconhecida que confiava no namorado? Teria mesmo que ouvir
tamanho absurdo de uma pessoa que jamais teria o direito de palpitar? Sentiu
provocação. Sentiu os instintos repudiarem a desnecessária companhia. Achou
melhor se atentar a eles.
Mas Whesley, ainda mais constrangido por tamanha petulância,
percebendo o silêncio da namorada e o desconforto exposto em seu semblante,
encarou-a nos olhos, abriu o sorriso apaixonado que nunca deixava seus lábios,
faria uma forte declaração:
— Quanto a isso nunca precisará se preocupar, ela enlaçou meu
coração e desse laço jamais quero escapar! — beijou-a perante o olhar invejoso
e discretamente irado.
∞
Os olhos se abriram, incomodaram-se com o clarão.
A mente parecia distante, por alguns segundos não compreendeu a
realidade.
Até que a consciência finalmente foi recobrada.
— Conheço muitos homens valentes, cheios de coragem, que exalam
força e garantem medo apenas com a simples presença, mas você me surpreendeu —
sentado como em um trono, de frente para o prisioneiro, o Líder falou —. Além
de assustar os meus homens conseguiu me preocupar, conseguiu me causar espanto,
o problema é que me emocionou negativamente e eu não suporto quando isso
acontece, não quero sentir dores, quero ser o motivo delas!
Olhando ao redor, Cícero percebeu que estava no esconderijo do
Sistema cercado por homens fortemente armados, percebeu as amarras nos pulsos e
nos pés, estava preso em uma cadeira.
— Quando iria me buscar? Fiquei esperando que cumprisse com a
sua parte e nada aconteceu. Lembro-me perfeitamente do que me prometeu, da
segurança que me assegurou, chegou a dizer que eu não passaria nem uma hora
atrás das grades, tive que dormir enjaulado! — reclamou daquilo que o
enfurecera.
— Garanto que refletirá sobre seu conceito de prisão, aqui
saberá o que é uma cadeia de verdade! — argumentou ameaçadoramente —. O acordo
era bem simples e eu posso refrescá-lo em sua memória: se alguém descobrisse as
volumosas transferências bancárias que entre nós acontecia eu não pouparia
esforços para protegê-lo, prometi isso porque sabia exatamente como agir para
que as coisas permanecessem em segredo — a voz desconfigurada soava tranquila, ninguém
imaginava quais decisões vagueavam pela mente imprevisivelmente astuciosa —. O
problema é que você não soube resolver suas próprias questões, nem mesmo
conseguiu notar que era vigiado e perseguido, nada tive a ver com o que tentou
contra Fernando, aliás, poso me considerar sua vítima, alguém que mais uma vez
tentou trapacear.
— Disse bem, meu problema é com ele, onde está? Por que estou
aqui?! — esbravejou, percebeu que nunca teve a lealdade de seu mais perigoso
aliado, antes era apenas uma peça no perverso tabuleiro.
— A partir do momento que declarou ao mundo quais são os
interesses do Sistema declarou também guerra contra mim — levantou-se —. Não
recuso guerras como nunca as perco!
Assustado, convencendo-se de que fora um erro confrontar o Líder
da forma como fez, o político acompanhou os passos lentos dados em sua direção,
a ansiedade o consumia, o medo pelo porvir começava a se manifestar.
— Traidores não passam de covardes, de inúteis indivíduos,
pessoas que sucumbem ao medo, à insegurança ou a momentos de desprezíveis
reflexões e acham que atacando o próprio grupo terão liberdade — o sorriso
medonho foi ofertado —. Iludidos... Traidores sempre colhem o preço da traição.
Lembra o que aconteceu com Judas Iscariotes? Não aguentou a própria consciência
e se matou — colocou-se atrás do ex-governador, apalpou firmemente os seus
ombros —. Sabe que pode ter o mesmo destino, não sabe? Basta que eu encare os
seus olhos e aí suas mãos obedecerão ao meu controle. O que pensa sobre morrer
asfixiado pelos próprios dedos? — as palavras soavam assustadoras, eram ditas
por alguém sadicamente enlouquecido —. Ou melhor, e se eu lhe fizesse esquecer
como se respira? Imagine o sofrimento! — gargalhou friamente —. Terá apenas uma
chance para me convencer de poupá-lo, é melhor que tenha um motivo irrecusável.
O Líder não gritava, não usava de forças embrutecidas e nem de
métodos violentos, mas a sua presença e a forma como se portava eram capazes de
provocar o batimento acelerado de um coração que não se emocionava, motivavam o
desespero em uma alma prepotente e faziam dos olhos impiedosos correrem
lágrimas de angústia.
— Faço o que precisar que seja feito, cumpro a ordem que for,
concedo-lhe a minha lealdade — com a voz embargada firmou a promessa.
— Qualquer coisa?
— Tão logo ordene!
— Sua esposa, Sílvia Rebelo, quero assistir ao seu enterro em
uma semana e é você quem terá que destruí-la!
∞
O jantar prosseguiu entre tentativas de provocação e a
tolerância de quem apenas procurava por paz, mas Elisa nunca desistiu de seus
planos, não seria agora que desistiria.
— Qual sua profissão? Aposto que seja uma executiva premiada ou
uma médica requisitada...
— Enfermeira.
A ruiva vestiu o rosto com deboche, observou o casal por alguns
instantes, articulou o argumento venenoso.
— Sabemos como essa história termina... — tentou disfarçar a
acidez com o tom divertido, foi inútil, era para o ser.
— Está insinuando que há um jogo de interesses da minha parte? —
Samara suportaria muitas coisas, menos ser tida como aproveitadora.
— Por que se incomodou? — os olhos esverdeados exigiam
explicação.
Continua...
No próximo capítulo:
—
Não se preocupe com isso, jamais pensaria em tamanha bobagem, ao contrário, se
há algum interesseiro sou eu, completamente interessado no seu amor — tocou o coração
de Samara, encolerizou-a instantaneamente, adorava vê-la tão tímida, sem
reação, perdidamente envergonhada quando estavam juntos.
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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pela companhia, um forte abraço e até logo!

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