[WebLivro] Ambições - Capítulo 61 - Por Amor


Capítulo 61 – Por Amor

Por amor somos capazes de muitas coisas, corremos o máximo que conseguimos, aplicamos toda nossa força em algum importante sacrifício, por amor somos até mesmo capazes de entregar a nossa vida da forma mais violenta possível.
Por amor Adrian rompeu a barreira dos policiais.
Por amor correu pelos degraus do edifício que servira de cenário a mais horrorosa imagem que seus olhos contemplaram.
Por amor acolheu a mulher enfraquecida que murmurava palavras inaudíveis.
Por amor se esqueceu de que poderosos inimigos poderiam cercar o lugar e causar maior destruição.
Por amor...


— Elisa? — espantada, agradavelmente surpresa pela contemplação que alcançara os seus olhos e logo assustada pela arma na mão da jovem ambiciosa, Diva se colocou em pé, se não tivesse tanta certeza da realidade diria que sonhava —. Minha filha? O que faz aqui? E qual o motivo para estar segurando essa porcaria?
Jamais imaginou que aquele dia pudesse acontecer, muito menos em condições tão inapropriadas e impensáveis. O que a mãe fazia ali? O que fazia na casa de Samara?
— Não falei que estava partindo a Lobato em nome da minha ambição? Não assegurei que me disporia ao que fosse necessário? Sabe que a palavra limite não existe em meu dicionário e aquilo que prometi é o que estou fazendo: correndo atrás do meu propósito custe o que custar! — seus olhos já não possuíam o pouco brilho que exibiam antes da partida, seu semblante não preservara o restante de amor que Diva nele enxergava, seu coração obscuro a transformara drasticamente, a pobre mãe teve que confessar.
Curiosa e atenta, Samara a tudo ouvia enquanto torcia para que seu único e grande amor estivesse seguro.
— E para alcançar o que sonhou tem ameaçado a vida das pessoas? Tem se comportado como uma criminosa sem escrúpulos e nem piedade? — falava com severidade, com decepção, sentindo vergonha daquela que tão bem cuidou, criou, ensinou os verdadeiros valores —. A única coisa que cobrei de você não era tão difícil de seguir, de atender, bastava o mínimo de caráter! Não precisamos pisar nas pessoas, vitimá-las a fim de ascendermos, precisamos apenas do nosso esforço!
— Ainda acredita nessa falácia criada para enganar pobres feitos você? — respondeu com desdém, sem se importar se suas palavras eram ácidas ou não, sem se importar com os corações que poderia ferir —. Esforço... Para quê tentar pelo caminho mais difícil se o mais fácil é muito mais do que uma tentativa, é uma oportunidade certeira?! Acha mesmo que pegaria toda a minha beleza, toda a minha astúcia e bateria de porta em porta até que alguém resolvesse abrir? Não, querida mãe, não sou do tipo que espera as portas se abrirem, eu as abro e entro triunfante! — a arrogância era nítida, a ilusão quanto o sentimento de invencibilidade era capaz de tapar os seus olhos.
— Não consigo acreditar que seja a Elisa que criei, que tratei com tanto afeto, não posso me convencer dessa loucura! — as lágrimas se manifestaram, o choro de frustração.
— Loucura é acreditar que carinho, amor, afeto, atenção, sentimentos inúteis, sejam suficientes, sejam o bastante, essas coisas não garantem riqueza, conforto, luxo, felicidade, são como aquilo que descartamos sem importância alguma — argumentou friamente.
— Para você pode parecer inútil, dispensável, corações apodrecidos não alcançam o privilégio de compreender os assuntos da alma — Samuel se colocou ao lado da mulher que lhe ofertou os tesouros apregoados —. Mas saiba que o mais rico dos homens pode ser o mais miserável deles se não tiver a chance de amar e sentir o amor, você nunca compreenderia o que é ser amada porque nunca pôde amar de verdade...
— Aposto que queria estar no meu lugar, segurando essa arma, dominando as pessoas, controlando seus passos em nome da ambição que possui, mas olhe para você, um pobre, um insignificante que se sujeitou a morar de favor na casa dos outros, sua filosofia apenas serve para disfarçar suas reais intenções, não seja ridículo! — protestou amargamente, entristeceu, ofendeu, nunca se importaria —. O que fazem aqui? Acreditavam que os receberia com sorriso nos lábios e amor nos abraços? Nada disso me entregaria o que assiduamente procuro!
— Não Elisa, não vieram por você, sempre souberam o quão ingrata é, sempre perceberam qual é a essência que possui, mas não quiseram aceitar, compreender que esse é o fato — Rute decidiu participar da discussão —. Vieram por mim! Amavam-me e por esse amor nunca desistiram de acreditar que um dia estaríamos juntos e mesmo que eu já não vivesse tenho certeza de que estaria em seus corações, mas e você? Tem a quem? Quem eternizaria o seu legado? Quem se entregou a você? Quem prometeu amá-la até o fim da vida? Aqueles que ofereceram tão inestimável gesto foram recusados, mas e agora? Quem os substitui?
A ruiva encarou Rute com ira, as palavras verdadeiras arderam em seu peito, incomodaram a alma iludida pelos caprichos da carne, coisas fúteis, passageiras, que não nos marcarão na vida de quem quer que seja. Não queria ouvir a verdade. Não queria acreditar nela. Não queria aceitá-la.
— Ande! — apontou para Samara —. Faça o que deve ser feito! — ordenou.
— O que pensa que ganhará agindo dessa forma tola? — encorajada pelos pesados discursos, a Capitã decidiu confrontar a rival, desprezar suas ameaças —. Acha mesmo que Whesley correrá aos seus braços e a amará como deseja? É a mim que ele deseja! Sou a mulher que o conquistou completamente e que não pretende abrir mão de um homem tão especial! Desista, ele não será seu! — assegurou.
— Ordinária! — puxando a enfermeira pelos cabelos, Elisa disparou contra o teto, trouxe para aquela casa o estrondoso silêncio, o sussurro do fim —. Não me importo se tiver que matá-la mesmo que com isso perca a única chance que teria com Whesley, ao menos se não for meu também não será seu, estará morto, você o levará consigo para o túmulo! — soltou a mulher —. Esse é o preço do amor que diz sentir? A vida de quem jura amar?
Samara não teve escolha.
Naquela situação era quem obedecia.
Obedeceria por amor.


Por amor sofreríamos as dores de quem amamos, pouparíamos quem mora em nossos pensamentos das dores que o incomodam, não nos importaríamos em ser oprimidos, talvez a angústia fosse suportável, o amor nos anestesiaria.
Mas isso é impossível.
Preocupado, cabisbaixo, ansioso por informações, Adrian experimentou a sensação de impotência diante das coisas inevitáveis às quais somos submetidos de repente.
E se tivesse se controlado? E se tivesse fugido dos próprios sentimentos? Negado aos desejos que se agitavam em seu corpo? Apagado os intentos que lotavam sua mente? Talvez tivesse poupado Sílvia daquela hora difícil, mesmo que sofresse por vê-la distante nos braços de outro homem, por certo estaria segura e isso o confortaria.
Preferiu se esquivar da culpa.
Simplesmente aconteceu.

— Senhor Adrian?
— Sim.
— Acompanhe-me, por favor.

A seriedade que muitos médicos utilizam é capaz de nos causar infinitas dúvidas, andamos pelos corredores do hospital cheios de aflições, procurando soluções às muitas hipóteses.
Adrian se afligiu.
Até que se colocou diante a mulher da sua vida.
— Milímetros podem parecer tão pouco, mas são o bastante para acabar com uma vida ou salvá-la milagrosamente — o médico anunciou —. Ela queria vê-lo.
Os corações se emocionaram.
Os amantes pouco se importaram com o ambiente melancólico, abriram os sorrisos apaixonados tão logo os olhares se cruzaram.
— Pensei que fosse o fim, que a perderia, que testemunharia uma tragédia... — o empresário aliviado não conteve o choro.
— Nada disso aconteceu... — a fraca mulher, debilitada pela quantidade de sangue que perdera, bloqueou os lábios do amante encostando neles o dedo trêmulo —. O que importa é o que faremos acontecer nessa nova oportunidade que a vida nos concede! — sorriu alegre, contente, alcançara grandiosa bênção, renascera.


Pelos corredores da construção subterrânea, Whesley foi arrastado, forçado a caminhar, levado até a presença do sujeito mascarado, sentado em seu trono, venerado como um rei poderoso.
— Pescadores não se cansam do mais cobiçado peixe e lançam às águas sedutoras a melhor, mais suculenta e irresistível das iscas — o Líder proclamou —. Seja bem-vindo, Whesley, você será o responsável pela morte de peixes audaciosos, prepotentes e imbecis!


Continua...

No próximo capítulo:

— Tentar governar? — o mascarado debochou —. Não percebe que há um exército ao redor do globo aguardando minha ordem? Será que o que presenciou na viagem com sua amada namoradinha não foi o bastante para que confessasse que sou sábio, visionário e invencível? — levantou-se e caminhou até o prisioneiro, seus passos eram densos —. Eis que chegou a hora de pessoas incrédulas como você serem caladas para sempre! A Anunciação acontecerá!

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