[WebLivro] Ambições - Capítulo 62 - Preparando-se para a guerra


Capítulo 62 – Preparando-se para a guerra

Estrategistas.
Os estrategistas não gastam muita força e nem perdem tanto tempo, criam ocasiões quando tudo parece perdido, fazem o possível para atrair o inimigo sem precisar cansar, usando apenas a mais poderosa e democrática arma que existe: a inteligência.

Cansado de permanecer num ciclo sem fim, sendo vigiado pela Resistência e atormentado pelas hipóteses que subiam à sua mente quanto aos planos do grupo opositor, o Líder atacou na fraqueza da Capitã, no que ela tinha de mais valioso, só assim tiraria o seu foco, enquanto ela pensasse em inúmeras formas de recuperar o que fora roubado, ele terminaria o que começara.
— O que está achando desse lugar? — sorria para Whesley, provocava no jovem empresário aflição suficiente para dissipar toda e qualquer sombra de esperança —. Os homens são extremamente capazes de atos grandiosos, como construir uma fortaleza escondida da humanidade. Deve estar se questionando quanto aos meus planos, o porquê de tê-lo raptado, a resposta é simples e cala qualquer dúvida que possa ter: não deixaria de usar a capacidade que possuo, não sou como os tolos ingênuos que não acordaram para o poder que carregam.
— Está certo de que jamais será combatido? Tem mesmo a convicção de que seja uma boa ideia tentar governar o mundo? — o jovem rapaz, sabido quanto à força do Líder, provocou as indagações, procuraria enfraquecer a mente perversa.
— Tentar governar? — o mascarado debochou —. Não percebe que há um exército ao redor do globo aguardando minha ordem? Será que o que presenciou na viagem com sua amada namoradinha não foi o bastante para que confessasse que sou sábio, visionário e invencível? — levantou-se e caminhou até o prisioneiro, seus passos eram densos —. Eis que chegou a hora de pessoas incrédulas como você serem caladas para sempre! A Anunciação acontecerá!
Para uns a notícia soava como vitória.
Para outros, porém, soava como o estrondo de um impiedoso trovão.


— Ele está morto! — a detetive anunciou perplexa —. Não é possível que tenha acontecido, hoje mesmo conversamos! — reclamava indignada.
— Infelizmente aconteceu e agora não temos outra opção se não confiar em sua palavra — Samara preferiu ter fé ao invés de se desesperar —. Rodolfo não foi nem de longe um bom homem, talvez tenha se arrependido e delatando o grupo buscou por remissão... — preparava os armamentos que levaria, a guerra não tardava em começar.
— Rodolfo? — ainda portando o revólver apontado contra a enfermeira, Elisa teve a curiosidade aguçada —. Rodolfo morreu? O agente de modelos?
— Sim — a Capitã notou com estranheza o interesse da ruiva pelo falecido —. Conhecia?
— Isso não importa — esquivou-se da resposta —. Estamos perdendo tempo, já era para estarmos a caminho! — exigiu.
— E o que acha que estamos fazendo?! — perdendo o controle, a líder da Resistência virou-se para a opressora, largou os objetos sobre a bancada, dirigiu toda a atenção à ambiciosa mulher —. No que pensa que é melhor do que nós? Faz a mínima ideia de quem vamos enfrentar? Tem noção de quem levou Whesley e coloca sua vida em risco? — a passos discretos, avançava contra a ouvinte —. Se tivesse a menor noção não se comportaria como uma garota mimada que sente a necessidade de fazer as coisas se voltarem a ela! — declarou —. O problema é que aprendi que nem tudo o que queremos de fato podemos e esse aprendizado diz muito sobre quem sou — parou diante da mulher espantada —. Não suporto gente mimada! — falando entre os dentes, Samara atacou de repente, lutou pelo revólver, não desistiu enquanto não o dominou —. Seu joguinho termina aqui, agora serão as minhas regras!


A campainha tocou desesperadamente.
Seja lá quem fosse, estava apressado.
Sofia despertou assustada, não vira as horas se passarem e nem conseguiu sair do quarto desde que ligara para Adrian e ouvira os disparos, não queria ouvir nenhuma trágica notícia, não suportaria descobrir que a mãe partira.
A passos cautelosos, relutantes em prosseguir, a garota caminhou pelo apartamento, o tilintar agudo da campainha a atraía para a porta, mas os pensamentos angustiantes não permitiam que atendesse a visita.
Mas precisava vencer aquele medo.
Precisava de informações.
— Quem é? — com a voz trêmula, gritou.
— Sou eu! Preciso entrar! — a voz inconfundível soou abafada, foi capaz de encorajar a assustada jovem.
Samuel beijou rapidamente a namorada, não tinham tempo para cerimônias, seu olhar apreensivo anunciava que algo terrível acontecia.
— O que houve com ela? — Sofia se sentiu oprimida, desamparada, despreparada para tragédias —. Como minha mãe está? — fazia força contra as lágrimas, conseguia vencer aquela luta.
— Foi baleada, mas não corre nenhum risco de vida, já acordou e está acompanhada por Adrian, não precisa se preocupar — fez a boa revelação —. Mas não foi Cícero que disparou, foi alguém do Sistema, ele nos movimentam como peças de Xadrez, precisamos tomar cuidado! — entregou o bloqueador de sinais à namorada —. Samara ordenou que ficássemos juntos, tranque todas as portas e janelas, não podemos receber ninguém enquanto a Resistência não invadir as emissoras de televisão e anunciar que fomos vencedores, mesmo que implorem por compaixão! — a forma como repassou o que ouvira causou medo, uma fase perigosa e desconhecida se aproximava da história da humanidade, uma fase alimentada por ganância e falta de empatia.
— O que está acontecendo? — era tudo o que queria saber.
— Apenas me ajude a trancar todas as entradas, não sabemos quando o pesadelo se iniciará! — afirmou.
Correram pelo apartamento.
Protegeram-se de todas as formas possíveis.
Precisavam sobreviver.
Foram para o quarto de Sofia, esconderam-se no canto próximo da cama deixando apenas a luz da televisão dissipar as trevas e o som diminuir o atordoante silêncio.
Estavam juntos.
Unidos.
Buscavam paz um no outro.
— Agora pode falar o que está acontecendo? — a jovem garota sussurrou.
— Samara disse ter certeza de que o sequestro de Whesley funcionará como uma distração para que a Anunciação domine aqueles que receberam o chip, precisamos nos prevenir, buscar proteção.
— Meu irmão foi levado?
— Sim... — sabia quer era uma notícia difícil de receber, não hesitou em oferecer conforto no abraço que concedia àquela que amava —. Mas não se desespere, é o momento de pensarmos positivamente, tudo que podemos fazer é implorar por aqueles que arriscarão os seus sonhos em nome dos nossos!


Ajeitou a câmera.
Respirou fundo.
Contou mentalmente até cinco.
Seu breve discurso seria transmitido aos demais laboratórios da Resistência espalhados pelo planeta.
— Não há mais o que esperar. Não há mais o que proteger. Ou lutamos e talvez morramos com dignidade ou nos acovardamos e também morramos, mas como homens e mulheres que em um momento de medo deram às costas aos seus irmãos! Felipe, Amanda e eu partiremos para o confronto direto, é nossa responsabilidade, mas vocês deverão permanecer firmes, correr por essas ruas afastando a força do mal, criando barreiras que impeçam o Sistema de avançar. Não tenham medo. Lutaremos para vencer. Mesmo que percamos a vida, deixaremos esse mundo como heróis, não renegaremos a missão que nos foi delegada. Inocentes dependem da nossa bravura para que jamais percam a liberdade de ser. Boa sorte a todos nós!
Abaixou o rosto.
Sentiu o peso do mundo esmagá-la sem sutileza.


Continua...

No próximo capítulo:

— Chega de fingirmos ser aquilo que não somos, chega de mostrar coragem onde só existe medo e chega de esbanjar piedade onde só existe ambição — levou as mãos à máscara —. Chega, também, de se manter no anonimato, é chegada a hora de conhecerem o seu rei — permitiu que a luz tocasse seu rosto.

São os últimos capítulos! De segunda a sexta, aqui no blog!

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