[WebLivro] Ambições - Capítulo 60 - Noite Agitada 2


Capítulo 60 – Noite Agitada II

Quando o inimigo permanece num longo silêncio acreditamos que não nos atacará, que desistiu da batalha, que o venceremos sem precisar de esforços cansativos, chegamos a retomar nossas vidas e criar motivos para comemorar.
Mas ele retorna.
Desperta.
Somos pegos completamente desprevenidos.
Sentada no sofá, sendo consumida pelo terrível desespero que agitava sua alma e acelerava o coração, Sílvia se encontrava na mira da morte, na direção de um homem com sangue nos olhos, com ira no espírito, um alguém vingativo que jamais aceitaria traições, que nunca deixaria escapar quem tinha por adversário.
Porém a mão que segurava o revólver tremia apreensiva.
Seu semblante denunciava a preocupação que o oprimia.
Fechava os olhos, ameaçava disparar, mas tornava a abri-los bufando, murmurando, não tinha forças para concluir o que devia fazer, afinal, bem ou mal teve uma história com aquela mulher, enquanto se manteve na justiça recebeu a sua ajuda para ascender, se ela o trocou a responsabilidade era dele.
— Por que teve que fazer aquilo?! — esbravejou —. Por que teve que me trair? Hoje não estaríamos aqui como inimigos que se odeiam fatalmente, hoje não precisaríamos colocar o ponto final que detestará!
— Sempre soube que não existiu amor, sempre soube que nosso casamento não passava de uma grande obrigação, um acordo firmado entre nossos pais, fui infeliz, você foi infeliz, não podemos culpar ninguém pelo inevitável — entre lágrimas, mantendo a voz sob controle, a ex primeira-dama apresentou seus motivos, o mais verdadeiro argumento, a pura realidade —. Não precisa ser assim, não precisa cometer mais um crime, se quiser posso ajudá-lo a fugir, a ter outra identidade, a ter uma vida longe daqui, mas não cometa essa loucura!
— Se existia ou não amor de pouco importa, não me preocupo com isso, fato é que tínhamos um compromisso e você me desonrou, rasgou o acordo, tratou nossas palavras como se não passassem de dizeres inúteis, inválidos, indiferentes! — continuava a abominar a traição, iria até o fim com sua convicção —. E agora quer me oferecer ajuda? Isso não muda nada! Não muda o que está acontecendo! — desabafou sobre aquilo que o perseguia, revelou que apenas cumpria ordens.
— Quem está por trás disso? — foi esperta.
— Do que está falando? — tentou despistar.
— Eu o conheço o bastante para saber que não se arriscaria em continuar nessa cidade com tantos olhos atentos procurando pelo seu rosto. Alguém ofereceu proteção e em troca disso exigiu que me atacasse, mas é um erro acordar com tão perverso plano, querem destruir o seu nome a começar por mim!

O porteiro ligou para a polícia.
Espionando do quarto, Sofia se lembrou do namorado da mãe, entrou em contato com Adrian.
Cícero esquecera dos efeitos colaterais que sofreria ao se entregar e confiar cegamente no Líder, alguém que o odiava, alguém que o colocava numa perfeita armadilha.

— Não tem ninguém por trás disso a não ser um homem irado por ter sido traído, enganado, humilhado! — justificou-se.
— Parece um santo falando desse jeito, parece um homem moralmente incorruptível, mas não passa de um hipócrita! — enchendo-se de valentia, desprezando a arma que era apontada para si, Sílvia se levantou, colocou-se firme diante o ex-governador —. Conheço suas traições, sei que também foi infiel, não pode me condenar como o mais justo dentre os seres humanos! — encarou-o determinada a vencer aquele debate.
O político se calou ao som de sirenes.
Mantendo o revólver na direção da ex-esposa caminhou até a janela do apartamento, amedrontou-se pelos policiais que cercavam o condomínio.
Avançou contra a mulher, arrastou-a até a janela, pressionou o armamento contra sua cintura, alçou a voz para que fosse notado:
— Ninguém entra! — aconselhou —. Ou tudo que farão será recolher um corpo! — ameaçou.


No laboratório da Resistência, acompanhando curioso as notícias que informavam o ataque à delegacia e o provável alto número de mortos, Adrian recebeu também a desesperada mensagem de Sofia, seu coração ardeu, sua garganta se apertou, precisava fazer alguma coisa, precisava salvar a vida daquela que amava.
Colocou-se a caminho.
Imaginava inúmeras coisas que o homem enlouquecido seria capaz de fazer, o que não entendia eram os motivos. Conhecia Cícero, não era nenhum bom exemplo, não tinha o direito de se fazer de justiceiro, não tinha o direito de privar duas pessoas que se amavam daquilo que mais queriam.
Avançava pelas ruas de Lobato.
Precisava fazer alguma coisa.


Impotente, sem o poder de alterar o que acontecia, incapaz de ajudar o homem que conquistara seu coração e que desejava ter pela eternidade em sua história, Samara se manteve atônita sentada sozinha sobre o chão do parque que pela primeira vez testemunhara momentos de pavor e angústia.
— É isso o que quer ofertar a ele? Uma vida de perigos que não pode prever, evitar ou vencer? — Elisa se aproximou, colocou-se ao lado da enfermeira —. Quem é você, Samara? Por que quando estão juntos algo terrível acontece?
— Não se meta no que não lhe interessa! — a Capitã foi rude, não estava disposta a uma inútil discussão, tinha preocupações muito maiores.
— É claro que me interessa! — gritou —. Sabe o que é estar apaixonada por alguém que a despreza? Sabe o que é desejar pelo bem de quem se ama e nada pode fazer porque ele não se permite ao que tem a oferecer? Essa sou eu, Samara, apaixonei-me pelo melhor homem que poderia conhecer, pelo mais nobre ser humano que já cruzou o meu caminho e tudo que experimentei foi desprezo! — as lágrimas rolaram —. A culpa é sua! — sacou a arma que carregava —. A culpa é toda sua!
— Não faça nada! — a enfermeira ergueu as mãos como rendida —. Se o ama como diz não fará nada! — alarmou.
— E por que não? Pelo que me parece já o perdi, sua vida de nada me importa!
— Eu sei onde ele está, sou a única capaz de salvá-lo, se me matar nunca saberá como agir! — aconselhou.
— Vou com você! — afirmou —. Nem pense em resistir a isso!
Sem alternativa, Samara foi obrigada a autorizar a entrada de Elisa em seu carro, ameaçada, foi forçada a levá-la para casa.
A Capitã ia adiante.
A ruiva vinha logo atrás apontando o revólver.
A porta se abriu.
Elisa teve uma indesejável surpresa: reencontrou-se com sua família.


— Desgraçado! — cercado, com um turbilhão de pensamentos confundindo sua mente, Cícero finalmente compreendeu que foi pego pelo Líder, caiu na armadilha, foi um tolo por não perceber as enormes chances para que sucumbisse à sua insignificância diante do mascarado —. Você vem comigo — pressionou o braço de Sílvia —. Será meu passaporte para longe desse inferno!

Assustada, Sofia, que a tudo assistia passivamente, não soube como agir.

O casal que guardava uma conturbada história saiu do apartamento, debaixo de tão intensa atmosfera entraram no elevador, passaram pelos longos segundos em opressor silêncio.
Cícero se desesperava, seria pego, não teria a chance de remissão, passaria pelo resto dos dias atrás das grades.
Sílvia se angustiava, sentia a morte sussurrar em seus ouvidos, sentia a frieza de um homem enlouquecido pelas próprias ambições.
— Abram passagem! — com a refém em seu domínio, forçando o revólver contra seu crânio, o político ordenou encolerizado —. Baixem as armas! É melhor que obedeçam!
Adrian correu em frente ao prédio, não tinha o que fazer.
A apreensão tomava conta de todos os presentes.
O casal acessou as escadas que davam para a rua tomada pelos agentes de segurança.

No topo do outro prédio que dava de frente para o que Whesley morava, posicionando o fuzil, o homem encapuzado forçou o ponto eletrônico no ouvido, escutou a voz do Líder.
— Direto no peito!

Disparos.
Sílvia perdeu a força das pernas, tombou ensanguentada.
Mais disparos.
Os policiais se alvoroçaram.
Cícero enxergou o meliante sorrindo para si.
Contemplou os policiais que avançavam contra ele tendo em mãos as algemas temidas.
Posicionou o revólver contra a garganta.
Matou-se.


Continua...

No próximo capítulo:

— Para você pode parecer inútil, dispensável, corações apodrecidos não alcançam o privilégio de compreender os assuntos da alma — Samuel se colocou ao lado da mulher que lhe ofertou os tesouros apregoados —. Mas saiba que o mais rico dos homens pode ser o mais miserável deles se não tiver a chance de amar e sentir o amor, você nunca compreenderia o que é ser amada porque nunca pôde amar de verdade...

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