[WebLivro] Ambições - Capítulo 64 - "O amor nos fortalece!"


Capítulo 64 – “O amor nos fortalece!”

Há fatos que são ocultos de nossos olhos, sobre os quais não temos o menor do conhecimento, nem mesmo suspeitamos, coisas altamente secretas, muito bem guardadas, protegidas e escondidas que quando rompem as barreiras, são capazes de queimar nossos olhos, atormentar nossas espantadas, perplexas e incrédulas almas.
— Não pode ser... — a detetive se enrijeceu, pensava ter perdido o pai, descobrira que era contra quem lutava. Lembrou-se do primeiro embate, da forma bruta como fora torturada, naquele momento pôde ter certeza de que no espírito sombrio não havia nenhuma possibilidade de humanidade.
— Poupe suas lágrimas, o que elas poderão fazer? O que poderão transformar? Absolutamente nada! — a constante frieza do Líder foi expressa desinibidamente, não se importava com nada mais, vivia em busca de sua ambição —. Aliás, sugiro a cada um de vocês que cessem as emoções afloradas, não importa o quanto sintam, o quanto sejam afligidos, aquele tanque continuará a se encher e em poucos minutos Whesley dará o último suspiro, assistido por todos! — sua postura perversa era como a de alguém doentio, alguém inescrupuloso —. Enquanto isso quero que conheçam a história de seu rei.

Alguns anos antes...

Fernando fora salvo da morte pelo então Líder do Sistema, um alguém terrivelmente descontrolado cuja mente não se desligava quanto ao propósito de acabar com a humanidade. Contudo, os motivos que o moviam eram diferentes daqueles que o então governador cultivava, ele queria destruição o outro almejava por dominação.
— Não consegue perceber a tolice que comete ao deixar passar uma chance como essa? — em uma noite qualquer, a sós com o Líder em seus aposentos, Fernando tentou convencê-lo quanto à frieza de seu coração —. Pode mais que destruir, pode reinar, pode comandar, pode transformar o mundo no que quiser!
— Não entende que a humanidade se corrompeu vergonhosamente? As pessoas se matam, se traem, se usurpam e se destroem e nada lhes acontece, parecem desfrutar de uma eterna impunidade, parecem ser livres para cometer toda a sorte de atrocidade e ainda serem aplaudidas. Deu errado. O mundo não funcionou. Precisa ser aniquilado! — argumentou —. Não importa o que façamos, não posso obrigar as pessoas serem justas e bondosas, a maldade e a crueldade estão enraizadas em seus corações, correm em suas veias, alcançaram um estágio irreversível.
— Domine seus pensamentos! — Fernando sugeriu —. Sei como fazer, podemos dominar a mente desses perversos, podemos ser seus controladores! — a forma como explanava sobre sua intenção era com entusiasmo, como se fosse o correto a se fazer, como se fosse a salvação para todos.
— Estaria enganando a mim mesmo — o sujeito mascarado retrucou —. As pessoas não seriam boas por vontade própria, mas por existir alguém impondo tal comportamento, não seriam autênticas e eu não passaria de um egoísta miserável.
— E não é? Quer destruir o mundo! Existe pior egoísta? — estendeu o copo de suco, detinha em suas mãos a confiança da mente por trás do Sistema.
— Quando digo que destruirei toda a humanidade é porque a destruirei, nem mesmo a mim pouparei! — feito a séria declaração, tomou o líquido refrescante.
Fernando ficou em silêncio.
Seria uma vítima.
Seria...
O suco estava envenenado.
O corpo do Líder tombou sobre o chão.
Mas antes que alguém pudesse descobrir seu rosto o corpo desapareceu misteriosamente, restou apenas a máscara agonizante e o casaco escuro cujo capuz escondia a cabeça de quem o usasse.
Fernando, então, aproveitou a ocasião para dar vida e direção às suas ambições.


As ruas estavam tomadas por uma violenta opressão, famílias eram trancafiadas em suas próprias casas na companhia de membros do Sistema que, armados, não deixavam de incitar o medo em suas vítimas. Outras pessoas eram levadas à força daqueles que amavam para um lugar qualquer, o cenário era caótico.
No meio da mata, andando a passos lentos, a vidente que ajudara Felipe e Rute escaparem do Sistema, interrompeu o caminhar, levou os dedos enrugados à cabeça, fechou os olhos como se alguma vertigem a incomodasse, recobrou as forças.
— Começou.


— Recuso-me a acreditar que todo esse cenário foi construído pela sua decepção com a humanidade, não é isso, você é uma espécie de mimado idiota, aquele tipo de gente que sente a necessidade de estar no controle de todas as coisas, não passa de um soberbo desprezível! — Felipe, sem receios, alçou a voz potentemente —. O amor existe sim, a fraternidade só não é vivida por aqueles que não se permitem, é por esse motivo que hoje estamos aqui, por amarmos!
— Amor? Fraternidade? Sentimentos? Afetos? — cuspiu contra a face do rapaz também amarrado à pilastra —. Platão disse que a paixão era como uma doença. Emoções são venenosas para nossas almas, vejam só o que foram capazes de fazer em nome de emoções fúteis e dispensáveis: adentrar território inimigo para serem mortos! — gargalhou malignamente, detinha poderes, causava angústia.
— Esse não é o meu pai! — Amanda esbravejou —. Não parecia ser um homem tão repulsivo, um louco que não consegue ouvir a própria voz, que não pode sentir a dor daqueles que rodeiam, não quero acreditar que está sendo capaz de ferir alguém que compartilha do seu sangue!
— Minha doce e querida Amanda, você me obrigou a esse tratamento, não me deu escolha quanto ao que fazer durante a rebeldia que dirigiu a mim, eu precisei agir como o pai que corrige seus filhos por amá-los — acariciou o rosto da detetive, seu tom de voz esbanjava deboche —. Mas não se preocupe, se se curvar aos meus interesses será a minha princesa! — sorriu divertido.
Amanda cuspiu contra a face do perverso.
O Líder desferiu um impiedoso golpe contra o rosto da mulher.
O tanque se enchia.
Olhando para o noivo cuja boca estava envolta por esparadrapo, Samara se condoeu, culpou-se, era por sua causa que um inocente agora pagava, era por sua causa que mais alguém perderia a vida para uma facção insana. As lágrimas caíam. Ambos choravam.
— Que lindo! — Fernando voltou a atenção ao casal que se comunicava através de singelos olhares —. Muito emocionante! — caminhou até o tanque aumentando a vazão —. Não é isso o que românticos apaixonados desejam ardentemente? Que estejam juntos e inseparáveis até o fim? — a água alcançou o peito do rapaz —. Não sou tão mau quanto pensam, estou proporcionando esse desejo a vocês, estou permitindo que ao menos se despeçam, devem me agradecer!
— Sabe, pensava que não, mas quando descobri o que é o amor confessei em meu coração que o sentido da vida, o único que de fato importa e que nos eterniza, que faz valer cada dia de luta, é amar, é espalhar amor, é cultivar esse nobre sentimento que um dia a nós retorna, volta às nossas mãos e envolta nossos corações — encarava o irônico ouvinte —. Você nunca saberá o que é isso, sua vida sempre será esse vazio interminável, essa miséria de espírito. Pode dominar o mundo, mas sabemos que seu verdadeiro intento é ser amado, mas não se engane, as pessoas não o amarão, antes o temerão e o medo desperta o ódio e o ódio desperta a inimizade e a inimizade, por fim, pode nos destruir para sempre! — profetizou —. Hoje somos nós, amanhã, inevitavelmente, será você!
O semblante debochado se encheu de ira.
O homem astuto aumentou ainda mais a vazão da água.
O nível do líquido que pode ser altamente benéfico ao mesmo tempo em que avassalador alcançou a garganta do jovem empresário.
A morte se aproximava.


Seus olhos contemplavam a violência.
Seus ouvidos ouviam os gritos medonhos.
Seus lábios se contentavam com tal cenário.
O carro blindado cujos vidros estavam revestidos por insufilm e eram impossíveis de penetrar com a luz, parou em frente à casa de Samara.
Elisa ignorou os pedidos para que não cometesse tal loucura.
Deu às costas à mãe e aos conselhos de Laura.
Adentrou o veículo luxuoso.
Em meio ao caos partiu triunfante.


Debatia-se desesperadamente.
Tentava a todo custo romper as amarras.
Sentia os pulmões se espremerem.
Abriu a boca.
Bolhas de ar saltaram à superfície.
Perante olhos assustados, complacentes e horrorizados inclinou a cabeça.
Um clarão.
Um estrondo invejável.
O tanque estourou.
Água por todo lado.
Os prisioneiros tiveram de volta a liberdade sobre seus movimentos.
A vidente inofensiva se apresentou perante todos.
— O amor nos fortalece!


Continua...

No próximo capítulo:

Ambições.
Há um perigo talvez inimaginável por trás de toda ambição, até a mais ingênua, simples e inofensiva delas pode ser ameaça em potencial isso porque somos tentados a alcançá-la, a apalpá-la, custe o preço que for.
Muitos ambiciosos rejeitam tudo aquilo que aprenderam, desprezam a humanidade que possuem, desfazem do respeito que é necessário ter para com aqueles que estão à nossa volta e, de forma egoísta, dispõem-se a atitudes grotescas, trágicas, gestos que causam destruições impossíveis de corrigir.
Assim estava o mundo.
Vitimado por ambições individualistas.
E assim continuará.

Nesta sexta, não perca, vai ao ar o último capítulo de Ambições!

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