[WebLivro] Ambições - Capítulo 22 - Escolhas Geram Consequências
Capítulo 22 – Escolhas Geram Consequências
Confiar em
desconhecidos cujas palavras sedutoras nos levam a acreditar que são mesmo a
solução para os nossos problemas, pode ser um erro fatal que não deixa margens
para o reparo, para a salvação. Sucumbir aos momentos de tristeza e enfado
escolhendo se aliar ao inimigo é uma falha perigosa.
— Realmente, não
tolero os contestadores, mas no fundo os compreendo, não tiveram a sorte de
entender meu propósito — alguém pousou a mão sobre o ombro de Sofia —. Vire-se.
Eu sou o Líder!
A jovem garota,
percebendo que estar naquele lugar representava ameaças iminentes, levou a
atenção ao opressor, encarou o sujeito irônico, perverso, escondido pela capa
preta cujo capuz encobria seus cabelos, camuflado pela máscara atormentante que
exibia olhos flamejantes e um símbolo enigmático na forma de relâmpago. Era a
mesma figura de seus desenhos. Os que lhe causavam pensamentos perturbados.
Assustou-se.
— Fique
tranquila, cara seguidora, não pretendo lhe fazer mal a menos que me deixe sem
opções — o Líder caminhou por entre as moças e os rapazes que, envolta da
fogueira ardente, encaravam-no em silêncio, com temor, com ansiedade quanto ao
que aconteceria —. Está sofrendo um confronto de ideias, o que é normal.
Precisa assimilar as descobertas que têm feito conosco além de acomodá-las
perante tudo o que lhe foi imposto antes. Mas não se preocupe, queremos
ajudá-la — sua fala soou calma, escondia a ira eterna que inflava sua alma.
— Não preciso
dessa ajuda! — achando que seria fácil, que sairia da enrascada da mesma forma
como entrara, Sofia se levantou, preparou-se para partir.
— Sugiro que se
sente e me ouça, não queira experimentar métodos mais inibidores — o indivíduo
misterioso impôs sua ordem de forma firme e severa, incontestável e irrecusável
—. Acha que é fácil? Acha que pode fazer o que bem entende e todos devem
aceitar seus caprichos? Aqui as coisas funcionam de maneira oposta ao que
sempre viveu, aqui são as minhas vontades que prevalecem!
A jovem
adolescente, sem ações ou ideias que a livrassem do momento inoportuno, voltou
ao seu lugar, obediente e submissa, atentou-se ao dominador.
— Não quero que
se amedrontem e nem saiam correndo como insetos extermináveis, precisam
entender que somos uma irmandade e como tal às vezes é necessário algum
corretivo — procurou acalmar os ânimos, precisava fortalecer seu exército,
liderá-lo, conquistar sua confiança, mas não faria isso usando da força, não
com aqueles que teriam o privilégio da consciência, os quais seriam alienados
pelas palavras astutas e discursos atraentes, usaria da conquista pacífica e sedutora
—. Entendam que foram vocês que nos procuraram, aceitaram o propósito de se
libertarem das prisões, tudo o que ouvirem aqui faz parte do processo, o futuro
que os aguarda é glorioso! — os que ali estavam eram reservados para junto do
Líder governarem o mundo, serem seus ministros e darem prosseguimento ao
Sistema mesmo após sua partida.
Contudo, Sofia
já não acreditava nas filosofias que ouvia e a overdose que sofrera acresceu em
seu peito o desejo por desistir de tamanha loucura, queria aproveitar as novas
chances que a vida oferecia.
— Entendo que
aqui estamos seguros de muitos sofrimentos, aqui aprendemos a desprezar as
dores que nos afligem, mas há métodos melhores, métodos que não nos convencem a
desistir de quem amamos como se fossem insignificantes, métodos que nos
instruem a sermos melhores ao lado de quem estimamos — disse a garota, convicta
em sua escolha —. É por isso que quero sair, meu lugar não é aqui e tenho o
direito de decidir o que acho melhor.
O Líder abaixou
o rosto.
Meneou a cabeça
desaprovando tais afirmações, rejeitando-as completamente.
Tornou a dirigir
o olhar abrasador àquela que se rebelava.
Teria que
decidir o que fazer.
— A volta do seu
irmão mexeu com suas convicções.
— Como sabe
dele?
— Isso não é
relevante, o que importa é o que eu sei. Seu irmão, se é que podemos chamá-lo assim,
está de volta e com esse retorno sua crença nas pessoas parece reviver, mas
elas são traiçoeiras, cheias de segredos e desejos perversos, ferem-nos,
arrancam violentamente as nossas lágrimas e depois se fazem de vítimas nos
acusando de sermos incompreensíveis... Seu irmão não a ama como diz ou como
acredita, apenas quer se libertar da culpa que carrega, acha justo depois de
tudo que causou? — lançou a ardilosa pergunta.
Sofia refletiu,
talvez estivesse se rendendo fácil demais à reconciliação, enganando-se ao
acreditar nas supostas palavras de alguém que só queria o próprio conforto
através do engano.
Mas e se os
sentimentos fossem sinceros?
Perderia a
oportunidade de reviver o passado e construir um futuro ainda melhor?
Sofia não
acreditava que a forma mais eficaz de suportar as frustrações fosse mesmo se
entregando ao prazer inconsciente que as drogas proporcionam, afinal, o efeito
é limitado, finito, mas o sofrimento retorna. E nem adiantava ignorar quem ama,
as memórias se eternizam, nunca se apagam e são capazes de alimentar as
angústias.
— Para ser feliz
talvez seja necessário correr muitos riscos, enfrentar os próprios medos e
estou disposta a chorar, há formas mais sensatas para superar o enfado da
realidade — tornou a se colocar em pé, dessa vez prosseguiria em seus passos
sem se importar com as consequências.
Alguém a
conteve.
Segurou suas
mãos por trás das costas e a manteve imobilizada.
O Líder, com a
serenidade de sempre, caminhou até a opositora sendo acompanhado pelos olhares
apreensivos que o impossibilitavam de ser mais fervoroso em suas punições,
aceitaria perder uma, mas não arriscaria perder todos.
— A vida é feita
de escolhas, todos os dias, em todos os momentos, optamos por aquilo que
consideramos ser a melhor decisão, mas tudo tem o seu resultado, consequências
inevitáveis e até imprevisíveis, somos obrigados a vivê-los! — aproximou-se
mais de Sofia, levou a boca ao seu ouvido impossibilitando que ouvissem suas
palavras ou percebessem suas ações —. Garanto que pagará caro por tamanha
afronta — a voz desconfigurada sussurrava ameaçadora, mantendo a boca da vítima
fechada levou o canivete ao seu rosto, fez ali o desenho do relâmpago, o
símbolo que transmitiria uma mensagem —. Pode levá-la! — antes de se afastar,
forçou o rosto de Sofia para baixo, não queria que a vissem derramando sangue
—. A companheira fez sua escolha, devemos respeitar, mas não temos qualquer
controle sobre a consequência, nem mesmo ela!
∞
O sol raiava
naquela manhã de primavera, anunciava que o verão chegaria sem cerimônias ou
sutilezas. A luz forte despertou o casal que, amontoado, dormia profundamente.
— Nada melhor do
que acordar contemplando tão bela paisagem — Rodolfo, com toda sua lábia
convincente, sonolento pelo cansaço matutino, acariciou o rosto de Elisa —.
Dormiu bem?
— Desde que me
recebeu com o todo o carinho tenho dormido maravilhosamente bem, nem me recordo
de como eram minhas noites em São Bento — com voz arrastada, forçando os olhos
a se manterem abertos, a ruiva demonstrou satisfação pela nova vida.
— Ótimo. Noites
bem dormidas nos deixam ainda mais belos — beijou a ambiciosa companheira —.
Sabe que é a minha joia preciosa, não sabe? Sua companhia tem sido a cada dia
mais agradável.
— Parece muito
apaixonado para quem assegurou que só se envolveria por interesse...
— Algumas
oportunidades devem ser melhor aproveitadas — trouxe a mulher para mais perto,
sentindo o perfume de seu pescoço depositou beijos sobre a pele macia.
Alguém bateu à
porta.
Anunciava que
Whesley Rebelo o visitava.
Aprontando-se ligeiramente
e recomendando que Elisa se vestisse da melhor forma, o empresário recebeu seu
visitante cheio de entusiasmo, acreditando que daria início ao plano.
— Vejam só se
não é o exuberante Whesley me concedendo a honra de sua presença! No que posso
ser útil? — estendeu a mão para o cumprimento.
Até então
distraído por um belo quadro exposto na parede da sala de estar, o jovem rapaz
levou a atenção ao anfitrião, ignorou o cumprimento, não estava ali como amigo.
— Se eu fosse
você pouparia os elogios, sabe porque estou aqui e não poderia ser por
motivação mais covarde! — atacou.
Continua...
No próximo
capítulo:
— Recorda-se de quando falei que
uso e descarto? — acariciando o rosto de Elisa, contemplando seriamente as íris
claras que ardiam em sedução, o empresário retomou o aviso dado —. Se não agir
e começar o plano de arruinar os Rebelo é o que farei com você, descartarei
como se faz com o lixo!
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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pela companhia, um forte abraço e até logo!

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