[WebLivro] Ambições - Capítulo 33 - Um Passo Ao Amor
Capítulo 33 – Um Passo Ao Amor
— Governador? —
Cícero não gostou do tom —. Voltou dizendo que queria unir a família, que
sonhava com o dia no qual todos estaríamos unidos e é assim que me trata? Não
sou o seu governador, sou o seu pai!
— Nem sempre diz
isso, nem sempre está disposto a ser um pai, em muitos momentos age como se
isso aqui fosse uma de suas empresas ou o governo que está em suas mãos, nunca
sei qual homem está falando comigo: o governador que coloca a própria imagem
acima de tudo ou o pai que só sabe cobrar — encarando o governante sem desviar
a atenção, o jovem empresário disse o que pensava, revelou o sentimento que
compactuava por alguém que nunca soube amá-lo.
— Vendo como
você, sua irmã e sua mãe estão me deixa com uma pontada de inveja, talvez eu
tenha errado, tenha priorizado coisas que poderiam esperar enquanto tardei para
aqueles que precisavam de mim. Estou disposto a recomeçar, a reconquistar
aqueles que são meus.
— Torço para que
suas palavras sejam verdadeiras, basta de tristezas, basta de separações, essa
família não suporta novos abalos.
— Tem razão e
por esse motivo quero convidá-lo para um jantar em família, tem alguém que
gostará de conhecer.
— Hoje?
— Posso contar
com sua presença?
— Talvez sim,
preciso ver minha agenda — repetiu a fala que ouvira de Cícero tantas vezes
quando pedia pela presença em alguma apresentação escolar ou quando planejavam
algum passeio, seu convite sempre era desprezado.
O governador não
respondeu.
Conquistar a
confiança do filho não seria missão fácil.
∞
Concentrada em
seu trabalho no escritório, Sílvia precisou interromper os afazeres quando
alguém bateu à porta, recebeu seu visitante com alegria, permitiu que a paixão
que entre eles existia tornasse a recepção mais afetuosa.
— Desculpe-me
não ter vindo antes, ainda assim saiba que também me preocupei com o que
aconteceu.
— Já está tudo
bem, mas acredito que não poderia ter acontecido coisa melhor — a
primeira-dama, sentindo-se em paz na presença de Adrian, abriu um sorriso
satisfeito —. Meus filhos voltaram a se unir e se abriram ao meu amor,
alcançamos remissão.
— E o seu
marido?
— Não o chame
assim, aquele homem já fez a sua escolha e nela permanece, pouco se importou
com o que houve, nem ao menos demonstrou preocupação com os pensamentos de
Sofia, manteve-se distante.
— Ele é um tolo
por não saber cuidar de pessoas tão queridas, poderia ser o homem mais amado do
mundo — por sobre a mesa os dedos se tocaram, precisavam sentir um ao outro.
— Perdeu esse
amor, na verdade perdeu a chance de ter esse amor... Não há mais o que esperar,
não há mais o que temer, vou pedir o divórcio, quero que vivamos como realmente
merecemos, você e eu...
— Tem certeza do
que fará? — Adrian se espantou com a repentina decisão —. É claro que estarei
ao seu lado para enfrentar qualquer reação de Cícero, mas quero saber se está
preparada para o que virá. Ele não é um homem que costuma agir com sobriedade,
sabemos do que é capaz nas horas de ira, quero que tenha a certeza de que
ficará bem.
— Não se preocupe
dessa maneira, o que ele poderia fazer para me impedir de seguir o meu caminho?
Não há mais a menor condição para que permaneçamos debaixo do mesmo teto, há
tempos vivemos distantes, o inevitável finalmente irá acontecer...
∞
Nos momentos de
dúvida, quando não sabemos o que fazer e nem em quem acreditar, recorremos
àqueles que possuem nossa confiança, àqueles que querem o nosso bem e nunca nos
enganariam com maus conselhos. Recorremos a quem se dispõe a nos ouvir.
Whesley, cheio
de dúvidas quanto à relação com o pai, recorreu à Samara, sua querida amiga, uma
pessoa tão diferente de tantas que cruzaram seu caminho. Levou-a para um dos
mais floridos e belos parques de Lobato, onde o sol garantia vida.
— Não sei se
seria uma boa ideia, pelo menos não agora que consegui o perdão de Sofia e
estamos bem, querer que meu pai se aproxime de todos nós pode ser perigoso.
— Tem medo de
que ele cause novas feridas?
— Tenho medo de
que não saiba o que é ter uma família e repita os mesmos erros... Minha mãe já
não o ama, minha irmã seria altamente resistente, pode não valer a pena lutar
por alguém que teve a sua chance e não soube usá-la.
— Não é sem
razão que sinta medo, no seu lugar pensaria muito se me renderia ou não, mas o
que seu coração diz? Qual é o desejo que pulsa aí dentro?
O jovem rapaz
abaixou os olhos por algum momento, observou os dedos se agitarem entre eles,
pensou no passado, nas coisas que aconteceram e que jamais seriam esquecidas,
nas coisas que se eternizaram em incômodas feridas.
Levantou o
rosto.
Revelou a fina
lágrima que passeava pelo seu rosto.
— Como foi ter
um pai? — questionou.
— Foi
maravilhoso — recordar-se de Matheus garantia à Samara acalento em seu ser, era
com alegria e orgulho que falava sobre seu verdadeiro herói —. Ele me ensinou
muito do que sei, instruiu-me a ser forte e nunca duvidar de mim, só não me
ensinou a dizer adeus...
— Já o meu nunca
me ensinou a abraçá-lo — exprimiu a triste verdade —. Não posso dizer que o amo
porque não sei, meu coração não o quer por perto...
Sentindo a
tristeza do estimado amigo, a enfermeira levou os dedos ao seu rosto, acariciou
suavemente por onde a lágrima correu, ofertaria paz.
— Não podemos
amar todas as pessoas do mundo porque nem sempre elas se permitirão a esse
amor, nem todas querem ser amadas e não é culpa nossa, não há o que possamos
fazer...
Encarando as
íris esverdeadas, encantado pelos próprios sentimentos, Whesley se lembrou das
palavras da irmã.
— E quando
queremos amar? E quando queremos nos entregar ao amor de quem também nos ama,
mas não conseguimos?
— É necessário
acreditar, acreditar que é possível, que é o certo a se fazer, que é uma
questão de felicidade, que é nossa vida que precisa ser decidida.
Não houveram
palavras.
Whesley
desprezou todas as incertezas, libertou-se da falta de coragem, rompeu a
distância milimétrica que ali existia, beijou a mulher que seu coração
escolhera para amar. Beijou-a sedento pelo seu amor, desejoso por render-se
àquela que já possuía seu afeto.
Separaram-se
surpresos.
Encarando-se.
— Whesley... —
Samara pensou em fugir, correr do que sentia pelo rapaz, escapar de futuras
dores que possivelmente a afligiriam, mas desistiu, desistiu da própria missão,
daria ouvidos à ordem do Líder, ao menos viveria o que sempre almejou.
Tornaram a se
beijar.
Firmavam naquela
tarde agradável o que inutilmente tentaram esconder.
∞
A noite caiu.
Os Rebelo
estavam reunidos aguardando pela chegada de mais alguém.
A campainha
tocou.
Cícero se dispôs
a atender.
— Governador —
Elisa o cumprimentou —, estou tremendamente honrada pelo seu convite.
— Acho que não
tive escolha — o poderoso homem falava baixo —. Isso é tudo o que posso fazer,
já não estamos no período medieval quando os pais determinavam com quem seus
filhos se casariam, deve saber disso.
— Fique tranquilo,
já fez o bastante, a partir daqui farei meu próprio caminho — simpaticamente
sorridente, a ruiva colocou os pés na Mansão Rebelo.
Whesley e Sílvia
já a conheciam.
Ficaram
surpresos.
— Esta é Elisa,
uma importante modelo que, acredito, faria uma excelente parceria com você, meu
filho.
— Já nos
conhecemos — o rapaz se manteve sério.
— Temo que
tenhamos nos conhecido de um jeito equivocado, segui o seu conselho, afastei-me
de Rodolfo, acredito que agora tenhamos o caminho livre para um acordo.
— O mesmo
Rodolfo que conhecemos? — Sílvia indagou.
— Infelizmente.
— Águas passadas
— a ambiciosa mulher insistiu —. Não podemos confiar cegamente em quem nos
promete fáceis ascensões, não sou tão ingênua quanto pensam.
— Isso é
importante no mundo dos negócios, deixa-nos um passo a frente do concorrente —
Cícero logo fez seu comentário embasado na carreira que construíra.
“— Mantenha-se
calma, não se esqueça de que você só irá embora depois de se tornar
irresistível ao tolo Whesley” — através do ponto eletrônico escondido no ouvido
de Elisa, Rodolfo dava suas ordens.
Continua...
No próximo
capítulo:
— Há mais uma coisa que quero
dizer... — a primeira-dama sucumbiu a poucos segundos de silêncio, refletiu
sobre a declaração que faria, sua decisão mudaria o rumo da história e o
resultado ela não imaginava.
— Estou ouvindo...
— Vamos nos separar. Quero o
divórcio.
De segunda a
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