[WebLivro] Ambições - Capítulo 24 - Descobertas


Capítulo 24 – Descobertas

Descobertas.
As descobertas são capazes de transformações que naturalmente jamais aconteceriam, são também o motivo de consequências graves que podem nos perseguir por muitos anos se não eternamente. Mudam realidades. Alteram visões. Depois delas nunca mais somos os mesmos.

Como uma pena, Sofia foi impulsionada para cima do carro, girou o corpo sobre o asfalto quente, por pouco não foi atropelada por outro veículo, perdeu a consciência, ficou estendida sobre o chão com os braços abertos, roupas danificadas e rosto lavado de sangue.
Parecia morta.
Whesley, sem êxito na perseguição, tendo os seus gritos para que ela parasse ignorados, assistiu a mais horrenda visão de sua vida, viu a irmã ser lançada ao longe sem que pudesse agir, interferir, evitar o fatal acidente.
Seus olhos se apagaram.
Seus ouvidos se fecharam.
Toda a atenção foi levada àquela que em um momento de insanidade, achando que correr desgovernadamente a livraria de novas e indesejáveis revelações, acabou sofrendo o que jamais imaginou.
O jovem rapaz se ajoelhou sobre o chão, acolheu Sofia chorando amargamente, suplicando aos céus que poupassem sua vida, que a livrassem do ponto final precoce e indesejável.
Sujava-se de sangue.
Não se importava.
Queria ter o poder de alterar a realidade.

Anunciando emergência, transformando o trânsito em um verdadeiro caos, desobedecendo a semáforos, abrindo passagens, a ambulância corria pelas ruas de Lobato, uma vida dependia de todo o esforço, o fracasso resultaria no seu fim.
As portas do hospital se abriram violentamente.
Enfermeiros focados em seu serviço conduziram a acidentada para dentro.
Whesley, ainda que suplicando cheio de desespero, não pôde prosseguir em seus passos, deveria controlar a aflição, encher-se de paciência e aguardar por notícias. Precisava confiar nos médicos.

— Whesley? — Samara o recebeu, estranhou o comportamento oprimido, logo entendeu que algo terrível acontecia.
— Samara... – o empresário se entregou aos braços da mulher e teve o choro intensificado, precisava de alguém naquele momento dolorosamente insuportável, precisava de ajuda para enfrentar tanta angústia —. Minha irmã... Está morrendo! — proferir tais palavras, confessar tão incômoda verdade, fez o rapaz se apertar naquele abraço protetor, tentava encontrar forças para se manter em pé, para se manter crente quanto o final feliz para o injusto episódio.
— Precisa se acalmar, render-se ao desespero não ajuda em nada — pedindo que trouxessem água, a enfermeira ajudou Whesley a se sentar, recolheu algumas de suas lágrimas e acolheu as mãos manchadas de sangue —. O que aconteceu?
— Descobriu que é adotada e saiu correndo como quem foge da ameaça — recobrando o fôlego, procurando se manter no controle das intensas emoções, o filho do governador deu início à explicação —. Parecia atordoada, sem rumo, como se não soubesse o que estava fazendo, como se quisesse desaparecer — reviveu as imagens, eram duramente excruciantes —. Não viu o carro e não consegui alcançá-la a tempo... Sofreu um grave atropelamento...
Samara enxergava a dor do amigo, via a terrível tristeza e a falta de esperança que oprimiam sua alma e se faziam presente nos pensamentos perturbados, abraçou-o afetuosamente, acariciou suas costas na tentativa de confortar o coração, encarou-o com convicção, compartilharia fé.
— Vai ficar tudo bem, acredite em mim! — mesmo que o pior acontecesse, mesmo que a tempestade se agravasse, ela estaria ao seu lado e não permitiria que a dor o destruísse.


A ira nos faz fortes.
A ira nos faz corajosos.
A ira nos deixa perigosos.
Repleta de ira, de raiva e frustração, Sílvia se dirigiu à agência de seu mais repulsivo inimigo, invadiu o escritório, pouco se importou com os avisos da secretária, ignorou que a segurança pudesse obrigá-la a se retirar, invadiu o espaço onde Rodolfo se reunia com diretores e representantes de parceiros antigos e de futuros aliados.
— Desgraçado! Traidor! — gritava estridentemente, chamou a atenção dos engravatados, esqueceu-se de que era a primeira-dama do Estado, de que era grandemente conhecida, poupou qualquer sutileza.
— O que significa isso? — o empresário logo se colocou em pé —. Não disse para essa louca que estou em reunião? — enquadrou a secretária.
— Tentei avisar, mas... — a moça se justificou.
— Por que fez aquilo? Por que revelou algo tão sério ao meu filho? — exigia respostas.
— Não tenho tempo para os seus problemas familiares, sugiro que se retire por vontade própria ou será lançada na rua como um animal nojento! — ameaçou.
— Você vai me ouvir! — agrediu a face do algoz. Percebendo os olhares espantados e curiosos, Sílvia decidiu dar uma oportunidade para que a conversa acontecesse sem terceiros ouvindo —. Mande que saiam todos, precisamos conversar! — seu semblante denunciava a fúria que a consumia, era melhor que a obedecessem.
Desculpando-se pelo imprevisto, Rodolfo dispensou o pessoal, pediu que o aguardassem por alguns instantes, faria questão de demorar o menos possível.
— Uma hora ele saberia a verdade, não acha? Sofia também descobriria, de um jeito ou de outro — acariciando o rosto avermelhado, o empresário se sentou, seu tom de voz estava cercado por ironia.
— Tudo tem a hora certa, o momento exato, e nessa questão apenas eu tenho o direito de intervir, é tão difícil compreender? É tão difícil aceitar que não arrancará nem mais um centavo da minha família não importa o que faça?!
— Mais do que empobrecê-los, eu quero destruí-los! — revelou —. Acha que me esqueci do que aconteceu? Todos os dias tenho aquela imagem perseguindo meus pensamentos e sempre que me recordo sinto nojo, repulsa, desejo de vingança!
— Do que está falando? — a mulher se irritou —. Não se faça de santo moralista, você ajudou o meu marido em muitas perversões, não pode querer que eu acredite que agora sente pelo que aconteceu com Fernando, não passa de mentira!
— Não é disso que estou falando! — levantou-se de repente e avançou contra a primeira-dama, passou a segurá-la com força pela cabeça, não a deixava escapar —. Eu era completamente apaixonado por você, sabe muito bem disso, chegamos a planejar uma fuga, mas no dia que colocaríamos o pé na estrada descobri a pior verdade que poderia enfrentar, suas palavras eram falsas, enganava-me a cada olhar, você nunca me quis como sempre disse! — jogou-a contra a parede e se afastou, era invadido por imagens amargas, consumido por rancores que jamais superaria —. Através de uma porcaria de carta anunciou que tinha desistido, que seu lugar era mesmo ao lado de Cícero, que não poderia abandoná-lo. Fui atrás, não acreditava naquelas palavras, pensei que tivesse sido descoberta e prometi a mim mesmo que a salvaria. Flagrei-a com Adrian, vi dois perversos se consumindo em malícia, vi que fui covardemente enganado!
— Está enlouquecido, não consegue perceber? — a mulher se levantou, nada do que escutara fazia sentido, nunca confessou àquele homem que o amava, nem mesmo combinara de fugir, sabia que tudo não passava de alucinações —. Com toda essa obsessão por mim, com esse desejo doentio de me possuir, começou a inventar histórias e a acreditar nelas. Nunca o amei, como confessaria isso? Como me renderia a uma insanidade aceitando fugir com você? Pare de inventar mentiras, pare de se permitir a fatos irreais, pare de negar que precisa de ajuda e procure se salvar!
— A única loucura que tive foi a que me fez amá-la ardentemente, a que tira de mim o controle quando a vejo, a que me impulsiona a demonstrar o que sinto quando sei que ninguém nos verá — pressionou a primeira-dama contra a parede —, e eu sei que sente o mesmo — resistindo aos ataques, ao confronto que entre eles existia, Rodolfo passou a beijá-la desesperadamente — Renda-se a isso — procurava pelos lábios cujo sabor ansiava provar —. Renda-se! — celou a boca que o repudiava.
Sílvia relutava.
Tentava escapar.
— Rodolfo? — Elisa adentrou o escritório.


Prometendo voltar com notícias, Samara adentrou a UTI, condoeu-se pela situação de Sofia, pelos hematomas marcados em seu corpo, mas os estranhou, não poderiam ser apenas do acidente, era impossível já que as roupas teriam coberto algumas partes. Prestou atenção no rosto inanimado.
Dentre os machucados se espantou por um deles.
Pensou que estivesse vendo coisas.
Mas se convenceu que não.
Identificou a marca do Sistema.


Continua...

No próximo capítulo:

— Perdoe-me, não posso afirmar que apenas tenho motivos para desacreditar tendo comigo uma pessoa tão especial, única, diferente de tantas outras — prestou a atenção nas íris verdes, perdeu-se naquele olhar envolvente, passou pela sua mente o desejo de acordar todas as manhãs contemplando tão belo olhar —. Agradeço por isso, agradeço por acreditar em mim.

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