[WebLivro] Ambições - Capítulo 23 - Embate
Capítulo 23 –
Embate
Os audaciosos
cegam-se pela própria força e acreditam que nunca serão derrotados,
interrogados, contestados e vencidos. Acreditam no poder que possuem, confiam
na capacidade que pensam ter, mas sempre que enfrentados são pegos de surpresa,
por serem convencidos altivamente nunca se preparam para perder, iludem-se
quando proclamam sua invencibilidade.
Rodolfo era
audacioso.
Não imaginava
que Whesley o encararia de maneira tão severa.
— Por favor, não
vamos começar com o pé esquerdo, podemos criar uma relação bastante amistosa,
esse é o meu desejo — o proprietário da Eras Modas, abaixando a mão,
mantendo-se confiante em seus propósitos, evitou atacar violentamente,
arquitetava vencer a guerra sorrateiramente —. Não importa o que tenham falado
sobre mim, dizem tantas coisas, inventam tantas mentiras, o importante é qual
Rodolfo você se dispõe a conhecer — sugeriu que se sentassem.
Recusando o
convite, continuando em pé perante o anfitrião que não dispensara descansar as
pernas, o jovem empresário não desmanchou o semblante sério, estava ali por
apenas um objetivo: afastar aquele homem de sua família.
— Não queira
enganar a mim, sabemos muito bem como é que se comporta, não faz o tipo de bom
moço, amigo de todos, o que anseia pela aceitação do mundo, sabemos que seus
intentos dispensam a consideração dos outros. Minha visita é rápida, apenas
quero que deixe minha mãe em paz, que não a importune mais com ameaças covardes
e nem persista nessa vontade inútil de ter a mim como parceiro, sabe que é
impossível.
— Caro Whesley,
está se achando tão inteligente, tão prepotente, mas não percebe que é usado
como marionete em mãos maldosas — pediu que lhe trouxessem café —. Sua mãe o
enganou, por certo te procurou com lágrimas nos olhos, arrependida pelo
passado, confessando estar disposta a novas posturas, mas a verdade é que ela
pouco se importa com você e com Sofia, importa-se apenas com a própria vida —
tomou um gole do líquido quente —. Juntou-se a Adrian, seu amante antigo, para
que consigam derrubar seu pai, sejam feitos de salvadores e vençam as próximas
eleições, além de tomarem todos os negócios de Cícero. Querem me afastar porque
sei a verdade e não descansarei enquanto não desmascará-los — fez uma pausa,
sorriu enigmático, seu olhar procurava esconder a falsidade das palavras —. Não
deixe que seus sentimentos sejam manipulados dessa forma, não é o momento de
ouvi-los, precisa ser forte e combater as próprias emoções, elas podem
destrui-lo!
O rapaz
refletiu.
Reflexão vinha
se tornando um constante comportamento.
Rememorou o
diálogo com a mãe, provou de sua sinceridade, da veracidade que suas palavras
possuíam, como ferira seu coração de uma forma sutil ao confiar a ele seu
segredo. Não poderia estar mentindo. Não estaria conspirando contra o esposo
apesar de não amá-lo. Seu olhar não denunciava falsidade.
Em
contrapartida, a cada vírgula soada da boca de Rodolfo, seu espírito parecia
incomodado, atormentado, não conseguia acreditar nas palavras que soavam
trapaceiras, mentirosas, oportunistas.
Não calaria os
próprios sentimentos.
Eram confiáveis.
— Continua o
mesmo aproveitador... Não pode ver uma oportunidade de destilar seu veneno que
não pensa duas vezes, coloca as garras para fora e destroça sua presa — riu
irônico —. Mas a mim você não engana. Se tem uma coisa que aprendi nesses
últimos anos lidando com toda a sorte de gente, construindo o meu negócio e
recebendo tantas ofertas, é que os mentirosos farão de tudo para convencê-lo da
verdade, muitas são as armas que utilizam, mas tem uma que se destaca — passeou
pelo ambiente contemplando as obras artísticas que o enfeitavam —. Os perversos
mentirosos tocam no mais profundo dos nossos sentimentos para que nos convençam
— voltou a encarar o ouvinte —. Quem fala a verdade não precisa disso, mas quem
mente sempre deseja comover.
— Vai mesmo
ignorar o meu alarde?
— Já chega! —
avançou contra Rodolfo lançando a xícara de café ao longe, fazendo-a em
pedaços, chamando a atenção de alguns empregados —. Se acha esperto, imbatível,
considera-se um astuto manipulador, mas não passa de um moleque covarde que se
esqueceu de amadurecer! — agarrou aquele que o irritava pelo colarinho,
levantou-o à força do sofá para que os olhares se encarassem fixamente —. Pode
fazer o que quiser, contar o que sabe a quem quiser, nada disso derrubará quem
eu amo, mas pense bem antes de tomar qualquer atitude vingativa, eu conheço o
seu segredo, sei que é tão culpado pela morte de Fernando quanto o meu pai e
não hesitarei antes de arrebentar as cortinas desse teatro sórdido! — empurrou
o empresário, fê-lo cair no sofá sem ação, sem conseguir pensar, tentando
aliviar a raiva que sentia por tamanha afronta.
— Rapazes, não
sejam tão infantis, não é melhor dialogar como pessoas sensatas? O diálogo
sempre nos leva às melhores decisões — Elisa, vestida de forma atraente por
recomendação de seu parceiro, fez sentir sua presença —. Sente-se, precisa se
acalmar — alisou o ombro de Whesley lhe oferecendo um copo d’água e o guiando à
poltrona.
— Quem é você?
— Sua
garota-propaganda — foi ousada no ataque —. Acredito que não queira perder essa
oportunidade.
— Era isso o que
eu queria lhe ofertar, mas não me deixou prosseguir, antes bancou o ignorante
descontrolado — ajeitando a camisa, Rodolfo se aproximou de sua modelo —. Quero
muito firmar um acordo, essa é a mais bela das moças que trabalham comigo, se
aceitar minha proposta asseguro que seus produtos mais valiosos serão
divulgados por essa cobiçada, disputada e invejada mulher — achou que convencia
—. O que me diz?
Repousando o
copo sobre a mesinha ao lado de seu assento, levantando-se desejoso por deixar aquele
ambiente pesado, o jovem rapaz não conteve os próprios impulsos e proferiu mais
ataques:
— Aposto que a
seduziu, satisfez seus desejos repulsivos e agora a obriga conquistar parceiros
para que continue debaixo de suas asas, mas e se ela não conseguir? O que fará?
— encarou friamente o homem que considerava perigoso, uma ameaça, esperou por
respostas, mas não as obteve —. Acha mesmo que consegue guardar todos os seus
segredos? — virou-se para a ruiva —. Se quiser mesmo trabalhar como modelo não
é ao lado desse crápula que vai conseguir.
Um soco.
No queixo.
Whesley perdeu o
equilíbrio das pernas e Rodolfo sentiu a ira invadir seu corpo, acelerar o
coração e provocar o ferver do sangue.
Sorrindo, como se
a dolorosa agressão não passasse de cócegas, o jovem empresário se recompôs,
não cederia às provocações, não sujaria as mãos.
— Para quem não
suporta a verdade só resta a violência! Fique longe da minha família, também
quero que corte relações com o meu pai e nos deixe em paz!
— Não lhe devo
obediências! — resmungou entre os dentes, sendo contido por Elisa.
— Sei que vai me
obedecer... A menos que esteja disposto a prestar depoimento — encaminhou-se
até a porta recusando que o acompanhassem —. Basta uma denúncia minha e deverá
explicar o que sucedeu às modelos que misteriosamente desapareceram — revelou
sua arma.
— Será que vale
a pena lutar tanto por aquela mulher? Será mesmo que ela confia em você o
quanto acredita? Nem tudo foi revelado, Whesley, ainda há segredos. Não sei se
gosta de surpresas, mas posso adiantar um pouco do que está por vir, Sofia não
é sua irmã, não passa de uma adotada inútil e muito em breve saberá a verdade!
— era a cartada final, sua vingança, ele nunca permitia ao inimigo sair ileso.
O rapaz se
perturbou.
Não queria mais
ouvir a voz que odiava.
Precisava
conferir os fatos.
— Você tem uma
semana para que me convença de que é tão capaz quanto acredito — cansado de
perder tempo, de sofrer derrotas, Rodolfo proferiu o ultimato à Elisa.
— Uma semana? —
a ambiciosa mulher não compreendera.
— Recorda-se de
quando falei que uso e descarto? — acariciando o rosto de Elisa, contemplando
seriamente as íris claras que ardiam em sedução, o empresário retomou o aviso
dado —. Se não agir e começar o plano de arruinar os Rebelo é o que farei com
você, descartarei como se faz com o lixo!
∞
Desesperado pela
verdade, não por ele, mas pela irmã que seria a maior atingida quando a
revelação acontecesse, Whesley se dirigiu à mansão, esqueceu-se dos
imprevistos, de que alguém poderia ouvir suas palavras e lançou seu
questionamento, perguntou se a fala de Rodolfo possuía verdade, se era um fato.
Sofia estava em
casa.
O rosto cortado.
O corpo com
hematomas.
E o coração
apertado.
Embora quisesse
perguntar se ouvira direito, se não estava confusa por conta da madrugada que
enfrentara, a jovem garota não conseguia soar a voz, a garganta parecia
amarrada, os pensamentos não fluíam.
Não era apenas
desprezada por aqueles que pensava ser sua família.
Fora abandonada
muito antes de conhecê-los, concluiu.
Correu em disparada.
Escapou da
mansão sendo perseguida pelo irmão.
Correu o quanto
pôde.
Distraía-se com
as aflições.
Corria
perigosamente.
Um carro.
O acidente.
Assustador
acidente.
Continua...
No próximo
capítulo:
Samara enxergava a dor do amigo,
via a terrível tristeza e a falta de esperança que oprimiam sua alma e se
faziam presente nos pensamentos perturbados, abraçou-o afetuosamente, acariciou
suas costas na tentativa de confortar o coração, encarou-o com convicção,
compartilharia fé.
— Vai ficar tudo bem, acredite em
mim! — mesmo que o pior acontecesse, mesmo que a tempestade se agravasse, ela
estaria ao seu lado e não permitiria que a dor o destruísse.
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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pela companhia, um forte abraço e até logo!

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