[WebLivro] Ambições - Capítulo 36 - Promessas Românticas


Capítulo 36 – Promessas Românticas

— E, então, a que veio? — sonolento, mostrando completo desinteresse pela visita que recebia, lamentando ter o sono interrompido no meio da madrugada, Rodolfo se espreguiçou no sofá, suspirou cansado —. Se vamos mesmo ficar só nos olhando peço licença, tenho uma noite a dormir — ameaçou se levantar.
— Como pôde ter traído a mim? Como pôde ter quebrado um acordo que firmamos depois de tudo que fiz por você, pelos seus negócios, pela visibilidade que tem? — Cícero queria respostas.
— As pessoas cansam de serem úteis apenas quando os outros se encontram em apuros, não aceitaria ser manipulado por você, logo eu — debochou divertido —. Tantos segredos guardados, tanta cumplicidade envolvida e nem mesmo o cargo de vice-governador me concedeu... Estou começando a pensar que não vale a pena ser fiel a você...
— O que mais quer além de toda a riqueza que possui? — questionou indignado.
O empresário tinha a resposta, mas preferiu não declará-la.
— Não importa, não mudará nada — o governador se conformou com o silêncio —, mas sabe muito bem o que penso dos traidores, qual o fim que a eles desejo, no entanto, você tem sorte por conquistar a minha piedade, concederei a última chance — tirou do casaco o revólver que escondia, deixou-o na mira do anfitrião —. Mate a minha esposa — estendeu a arma —. Mate a minha esposa e continue vivo — sorriu perverso.
— Tem certeza do que está fazendo? — Rodolfo tentou o governante —. Se eu fosse você não deixaria o revólver tão vulnerável assim...
— Você não é burro. Vai querer que a imprensa noticie que o governador saiu morto da sua casa? Não... Não... Isso acarretaria muitos problemas, seria impossível manter o segredo em segurança — mostrou-se preparado para o debate —. Qual é a sua escolha? Obedecer ou bancar o rebelde?
— Parece que seus olhos finalmente se abriram, não é? — firmou o olhar, encarava o ouvinte como se descobrisse seus intentos —. Mas melhor do que matar sua esposa é tirar dela o que a faz uma traidora, estou certo?
— Aonde quer chegar?
— Digo com quem ela o traiu e me deixará em paz — fez a proposta irrecusável.
— Espero que saiba o que está falando, se não...
— Adrian. Adrian Armani. O mesmo paspalho que fugiu anos antes. O audacioso que agora o governa. Ele é o amante de Sílvia.


Ventava forte.
A tempestade era impiedosa.
O frágil barco parecia que a qualquer momento se renderia na batalha contra as águas.
Os relâmpagos estrondosos iluminavam o céu escuro, carregado por nuvens densas e assombrosas.
A tempestade era impiedosa.
Rute, murmurando o nome do filho, afastando o pavor que a consumia, remava com afinco, determinação, enchia-se de coragem para vencer mais aquele desafio. Felipe, por sua vez, pensava em Acsa, colocava no coração que a luta era por ela, por resgatá-la, por salvá-la de uma eterna escuridão, remava com a força de um guerreiro, a coragem de um herói.
Desistir e se entregar são ações que muitos escolhem quando estão prestes a ter vitória, que é quando o confronto se torna maior e mais cansativo, contudo, aqueles que resistem e persistem recebem o cobiçado prêmio, são alimentados por ainda mais fé e esperança.
Rute e Felipe pensaram em desistir, em se entregar ao que parecia invencível, mas o que era lutar contra um rio furioso em comparação com a batalha que precisariam enfrentar contra suas próprias mentes? Se chegaram até ali conseguiriam romper a linha de chegada, seriam vencedores.
As águas se acalmaram.
Aproximavam-se de terra firme.
Em poucos dias deveriam estar em Lobato.


Os dias se passaram.
O casal apaixonado continuou a se encontrar, trocar alguns discretos e ligeiros beijos, mas nenhum deles sabia dizer se aquilo era um namoro sério ou uma experiência passageira, apenas confessavam que viviam seus melhores momentos.
Naquela tarde de verão, caminhando pela natureza de Lobato, desfrutando da bela paisagem, homem e mulher davam as mãos, permitiam que suas almas conversassem.
— Sempre que fala do seu pai é com muito orgulho, queria ter a sorte de conhecê-lo, tenho para mim que foi um grande homem — Whesley, sempre observador, fez seu comentário.
— E foi mesmo — Samara levou os olhos ao céu —. Se a vida fosse como numa escola ele seria o melhor professor que poderíamos conhecer, sempre tinha ensinamentos sábios para aqueles que o procuravam...
— E você aprendeu muito bem... — interrompeu os passos, ficou parado em frente à amada mulher, acariciou sua face sutil, tocou os cabelos que repousavam sobre seu rosto —. É alguém em quem podemos confiar nosso coração, o maior tesouro que possuímos, nunca será capaz de quebrantá-lo.
Contemplando as brilhantes íris castanhas que garantiam ao companheiro um semblante ainda mais charmoso, a enfermeira tocou a mão que passeava por sobre sua face, acolheu-a com ternura, com carinho.
— Sei que também possui esse nobre compromisso, o de fazer as pessoas felizes... Desde que meu pai morrera coloquei no coração que jamais me entregaria a alguém, vi o quanto minha mãe sofreu, o amor que entre eles existia era algo surreal, acredito que um fosse capaz de sentir a dor do outro e a separação inevitável que os atingiu foi assoladora demais... — reviveu os dias de tortura, quando a mãe pensava em desistir da própria história —. Não amo metades, se for para amar que seja completamente, também sofreria se perdesse quem amo, não sei se suportaria — refletiu antes das próximas palavras, conferiu em seu ser que seriam sinceras e verdadeiras —. Mas com você não pude resistir, mesmo temendo o futuro preciso viver o presente ao seu lado... — involuntariamente, ruborizou-se.
O jovem rapaz achou graça na timidez da moça.
Encantou-se.
— Quer dizer que ma ama?
— É...
— Nunca pensei que diria isso a alguém, pelo menos não a quem não fosse da família, mas não dá para negar, é impossível, eu também te amo e não é pouco... — ajoelhou-se sobre a grama, estavam cercados por árvores robustas e plantas ornamentais, um verdadeiro paraíso —. Assim sendo, quero saber se me aceita como seu namorado — beijou a mão delicada que firmemente segurava.
— Jamais recusaria o que anseia minha alma, é claro que o aceito! — respondeu emocionada, sentindo o coração aquecer.
Os olhos se encontraram.
Os sorrisos eram trocados.
Os dedos se tocavam.
Beijaram-se.
Envolvendo a amada pela cintura, Whesley sentia o prazer de se entregar ao amor; acariciando os cabelos do amado, Samara saboreava o doce gosto da paixão.
— Prometo que o futuro será melhor que esse presente que a vida nos permite viver, prometo que me dedicarei a fazê-la feliz enquanto aqui estiver, você me mudou, transformou a minha vida e a quero para sempre... — abraçados, o maior firmou um compromisso em nome do amor.
— Também prometo que nunca me afastarei, lutarei todos os dias para que essa alegria nunca acabe, para que o futuro seja o nosso melhor presente — agarrada naquele com o qual se sentia segura para desnudar a alma, a jovem mulher anunciou seu compromisso ouvindo as batidas potentes do coração onde moraria.
Agora não restavam mais dúvidas.
Estavam rendidos ao amor.


Quando voltou para casa, já noite, Samara foi informada pela mãe para que descesse ao laboratório, tinha visita. Curiosa, a enfermeira por disfarce adentrou o lugar, não conteve a emoção, correu de encontro ao jovem que livrou da criminalidade, da mente perversa e recrutou para que lutasse ao seu lado.
— Não imagina o quanto estive preocupada desde quando Amanda voltou — abraçada a Felipe, a mulher se regozijava —. Por onde esteve? Como conseguiu escapar?
— O Líder não é tão imbatível quanto pensávamos, unidos às pessoas certas somos capazes de derrotá-lo — apresentou aquela que o acompanhava —. Esta é Rute, uma brava mulher que tem conseguido vencer a dominação do Sistema pensando no filho.
— Como isso é possível?
— Eu não sei — a mulher respondeu —. Pensava que era impossível, mas aprendi que me concentrando em Samuel consigo romper a ligação com aquele sujeito.
— Fique tranquila, daremos um jeito.
— Tem mais uma coisa... — Felipe estava sério —. Ele me deixou vivo para que anunciasse que seu plano está se cumprindo e que em breve dominará todo o mundo, mas não podemos acreditar nisso, tem alguém que amo nas garras daquele verme — os olhos se encharcaram —. Preciso que me ajudem a resgatar a pessoa que mais amo! — suplicava.
Há tempos refletindo sobre o último confronto que tivera com o Líder, Samara vinha perdendo as esperanças, endurecendo o coração, acreditando que talvez não valesse à pena lutar pela humanidade, salvando a si mesmo e aos que amava já era o bastante. E agora, tendo a chance de viver um amor, não queria que sua história terminasse, decidia acatar a proposta do inimigo.
— Precisarão me desculpar, mas não posso mais fazer isso — surpreendeu a todos que a ouviam, porém se manteve em sua postura —. Não quero mais bancar a heroína por gente que nem me conhece, não quero perder a minha vida.


Continua...

No próximo capítulo:

Não amo metades, se for para amar que seja completamente, também sofreria se perdesse quem amo, não sei se suportaria — refletiu antes das próximas palavras, conferiu em seu ser que seriam sinceras e verdadeiras —. Mas com você não pude resistir, mesmo temendo o futuro preciso viver o presente ao seu lado... — involuntariamente, ruborizou-se.

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