[WebLivro] Ambições - Capítulo 41 - Aquilo que nos muda
Capítulo 41 – Aquilo que nos
muda
As dúvidas surgiram imediatamente nos pensamentos do
prisioneiro, conclusões precipitadas, hipóteses que precisavam de
esclarecimento.
— Não, Cícero, você não foi enganado durante esses anos e nem
escondi a verdade que tanto busca, eu não sou o Líder — abriu a cela, tinha
poucos minutos até que as câmeras voltassem a funcionar —. Mas fiquei muito
chateado quando ele me despertou para que viesse socorrê-lo, sabe como valorizo
meus momentos de descanso.
— É bom saber que ainda existem pessoas compromissadas quantos
os acordos que firmam — levantou-se da cama desconfortável, dirigiu-se à saída
—. Não aguentaria passar um dia inteiro nesse muquifo.
— Mas vai ter que aguentar — Rodolfo interrompeu os passos de
seu rival, fez o alívio se transformar em agonizante preocupação.
— Do que está falando?
— O Líder não gostou do seu sumiço, muito menos da sua falta de
coragem para afastar Adrian do governo, isso prejudicou em muito os nossos
planos — sentou-se na cadeira ao lado da cama, cruzou as pernas e lançou seu
olhar irônico contra o já considerado ex-governador —. Acha que entrou em uma
brincadeira para saber quem pode mais? Ter o governo desse Estado miserável em
suas mãos não o faz maior que o Líder, ao contrário, torna-o ainda mais sujeito
a ele, é uma pena que tenha se equivocado...
— Durante todos esses últimos meses enviei o que me pediam, fiz
o possível para não permitir que desconfiassem, mas seria autodestrutivo
permanecer nesse esquema com Adrian vasculhando cada informação e exigindo
respostas, eu não posso me arriscar tanto por um qualquer que não tem a
capacidade de chegar até aqui e tirar a maldita máscara! — revoltou-se.
— Sua punição será aguardar até que saibamos o que fazer, se tentar
qualquer coisa que não as nossas ordens é melhor que esteja preparado para um
trágico, impensável e humilhante fim! — ignorou o desabafo contra o Sistema,
não estava ali para militar, mas para garantir que Cícero não bancaria o
rebelde —. Ainda não é o momento para que o livremos, pode ser difícil, mas
terá que confiar naquele ao qual se aliou.
O homem atordoado retrocedeu alguns passos, caminhou pelo espaço
tentando organizar os pensamentos aleatórios, buscando encontrar uma solução
para o problema que vivia.
— Não era tão simples obedecer à ordem, não era mais o simples empresário
com grandes influências sobre o governo, era quem foi eleito pelo povo para o
representar, olhos me vigiavam até mesmo quando menos pensava — começou a se
justificar —. Tirar Adrian da jogada seria imprudente, não conseguiria me
esconder por muito tempo, a verdade surgiria como agora...
— Seu argumento de defesa está anotado, talvez comova o Líder e
ele decida aparecer antes do tempo, até lá precisa pensar na vida e agradecer
por seu castigo ser em um presídio, sabe quais métodos o Sistema utiliza em
seus termos para punir quem merece — levantou-se —. Prepare-se para o futuro,
seus serviços não foram todos realizados, contudo serão cobrados!
Cícero viu as grades serem trancadas, o inimigo partir com
contentamento nos olhos e a realidade se mostrar completamente nítida: era derrotado
por aqueles que estiveram ao seu lado. Questionamentos invadiram sua mente,
agora não sabia o que fazer, se confiava no meliante ao qual servia ou se usava
delações para diminuir o tempo de punição, de qualquer modo as duas opções não
abriam margem para a previsão das possíveis tragédias que causariam.
∞
A estima que sentimos por alguém faz com que em nossas
lembranças revivamos momentos especiais, faz também com que imaginemos cenas
nas quais protagonizamos momentos de intenso amor, pura paixão, momentos que
muito desejamos.
Alguns anos antes...
Enfileirados, moças e rapazes aguardavam
pela vistoria de olhos perversos e maliciosos, seus corações se apertavam em
angústia, suas almas se contristavam grandemente, sentiam nojo, medo e pavor,
arrependiam-se pelos passos anteriores, arrependiam-se por terem confiado em alguém
que lhes prometera irrecusável ascensão.
Eram cercados por guardas.
Todos fortemente armados. Severamente
instruídos.
A ordem foi dada: os prisioneiros deveriam
ser levados aos quartos, no dia seguinte passariam pela última avaliação e,
então, teriam seus destinos determinados.
Mas uma das reféns se rebelou.
Durante a madrugada, sendo chamada de
imprudente por aqueles que não tinham coragem o bastante para contestar as
forças opressoras, Acsa se vestiu de valentia, violou a fechadura e seguiu seu
plano.
Cautelosa, virou o corredor.
Caminhou alguns passos a frente.
Foi pega por trás.
Engravatada.
Alguém a sufocava.
Perdendo o fôlego, sentindo as pernas
fraquejarem e o coração se desesperar, a oriental passou a bater sobre o braço
do rapaz impiedoso anunciando sua rendição, demonstrando que não resistiria ao
que fosse ordenado.
Felipe afrouxou.
Empurrou a moça contra a parede.
Encarou-a nos olhos.
— Sabe o que eu deveria fazer se visse
alguém tentando escapar? — sussurrava com raiva —. Matar sem deixar vestígios!
— revelou friamente, como se revelasse o que estava prestes a fazer.
— Então acaba logo com isso! — mantendo os
ardentes olhos presos ao olhar daquele que a oprimia, Acsa disse em meio à
rouquidão da voz —. Faça o que vocês, bando de cegos covardes, precisam fazer!
O rapaz cerrou o punho.
Golpeou a parede.
— Não mais! — encarar o rosto desinibido,
sem medo algum, fez sentimentos estranhos se manifestarem no coração que já
repudiava os propósitos do Sistema, que a cada dia buscava uma forma de se
redimir e não se corromper com a maldade —. Quem é você?
— Acsa.
— Quem a mandou para cá?
— Uma agência de modelos enganou a todos
nós e nos colocou nesse inferno...
— Volte ao seu quarto e confie em mim,
farei o possível para que permaneça aqui até que consigamos uma solução melhor
— recomendou liberando a cativa —. Preciso que acredite em mim, que me ajude...
A oriental assentiu.
Confiaria.
A partir daquele momento, Felipe passou a ser outra pessoa,
alguém mais humano, mais empático, que procurava garantir aos amedrontados
jovens um pouco de paz e esperança mesmo sabendo que não poderia salvar a
todos.
Foi a partir daquele momento que se encantou por Acsa, por sua
força, pela pessoa que era, por tudo o que representava em sua vida, pelo
significado que possuía.
Foi a partir daquele momento que na maioria das manhãs acordava
pensando nela, com carinho e ternura.
Mas dessa vez, além dos sutis sentimentos, era acompanhado por
preocupação.
Como ela estava?
Pensava nele?
Conseguia se lembrar dele?
∞
Apesar dos escândalos envolvendo o nome de seu pai e os
insistentes pedidos para que falasse com a imprensa, Whesley foi trabalhar com
sorriso nos lábios e brilho no semblante, considerava-se o mais feliz dentre os
homens, o mais agraciado, o conquistador, de sortes impressionantes.
— Nem parece que seu pai foi preso, está tão leve... — Elisa,
que o aguardava em seu escritório com um álbum de fotos em mãos, não deixou de
notar a animação nos olhos que passara a observar com admiração.
— Não sou o meu pai e, além disso, agora posso dizer que tenho
um grande amor! — declarou aquilo que era o motivo para sua felicidade, o
motivo para tamanho júbilo —. Quando amamos e somos amados nada mais importa se
não o amor! — romântico, deu voz ao coração.
Elisa se irritou.
Sentiu-se atrasada na conquista daquele que a atraía
intensamente.
Mas ainda estava em pé.
Ainda lutaria.
Continua...
No próximo
capítulo:
—
Acha mesmo que me manterão trancado por muito tempo? — falava baixo —. Acha
mesmo que alguém como eu pode ser derrotado pelo sistema que corrompeu? Que fiz
questão de fragilizá-lo para que mais tarde não sofresse com sua rigidez? —
parecia convicto em sua fala, como se conhecesse os próximos passos, como se
soubesse exatamente como alcançar impunidade —. É tola se acredita nisso e
sugiro que se prepare para o nosso reencontro, ainda não nos acertamos, você me
decepcionou grandemente — usou tom de ameaças, soou perigoso.
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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pela companhia, um forte abraço e até logo!

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