[WebLivro] Ambições - Capítulo 26 - A Única Falha
Capítulo 26 – A Única Falha
[Alguns
anos antes...]
Nunca
há tempos de paz, não acredite quando disserem que a guerra acabou porque os
confrontos nunca terminam, as batalhas sempre são travadas. Ainda que tudo
pareça quieto e sossegado, tranquilo, calmo e em seu devido lugar, não se iluda
com o silêncio do mar e a inércia das árvores, às suas costas, longe dos seus
olhos, a guerra acontece.
—
Finalmente, estou cara a cara com meu maior inimigo, confesso que tem me dado
trabalho, muito me tem irado, mas o fracasso o alcançou! — o Líder, escondido
pela tenebrosa máscara, vestido com o longo casaco cujo capuz cobria sua
cabeça, dirigia o sorriso perverso ao corajoso Matheus.
—
Não teria tanta certeza e nem celebraria a vitória sem antes ter a confiança de
que ela é minha, pode ser um erro terrível subestimar seus inimigos — no meio
da floresta, onde o confronto acontecia, onde o perigo imperava, o Capitão
encarava seu algoz, não transmitia medo, ao contrário, parecia mais confiante
como jamais esteve —. Estamos cansados da sua malícia, enojados por sua arrogante
forma de pensar, sedentos por acabar com essa loucura!
O
Líder foi atingido em cheio.
Atrás
dele estava Samara com a arma de raio produzida por sua equipe.
Matheus,
seu pai, o admirado Capitão, lhe lançou um olhar orgulhoso, por entre as
árvores mais combatentes surgiram, todos ansiosos por cobrarem do sujeito
impiedoso as ruínas iminentes, perderam amigos, pessoas que amavam, não
permitiriam que as perdas fossem esquecidas sem a devida punição.
Levantando-se
vagarosamente, sentindo os efeitos da descarga que recebera, o Líder se colocou
em pé, cambaleou alguns passos, mas logo recobrou a postura.
—
Diferente de você não queremos machucar ninguém, apenas queremos justiça,
desejamos que pare com esse plano insano que em nada contribuirá para as
pessoas, um plano que quando sair de seu controle o fará vítima dele! — Samara,
cheia de valentia, participando de uma operação arriscada, enfrentou o
adversário com seus argumentos —. Renda-se, entregue-se sem maior resistência,
use o bom senso ao menos uma vez.
—
Bravo! — o indivíduo obscuro exclamou animado —. Seu discurso é perfeito, quase
convincente, digno de uma capitã! — levou o rosto ao velho rival —. Você é
inteligente, sei disso, aposto que já designou a garota para assumir seu
reinado tão logo dele seja tirado. Mas devo fazer uma ressalva, meu plano não é
insano, foi muito bem pensado para que eu me tornasse o dominador, não
subestime seus inimigos — repetiu o conselho —, eles podem estar muitos passos à
frente!
Da
copa das árvores inúmeros disparos.
Homens
e mulheres, dispostos a entregarem suas vidas pela humanidade, tombavam sobre o
chão.
Samara
e seu pai se jogaram sobre o solo, deixaram o corpo em contato com as folhas
mortas, protegiam a cabeça e gritavam para que se abrigassem, para que tivessem
a certeza de que estavam vivos.
Pai
e filha se esconderam atrás de uma rocha robusta.
Poucos
centímetros atrás deles a correnteza corria apressada.
Fizeram
silêncio.
—
Como planejado! — astuto e visionário, o Líder esperava pelo embate na mata,
antes que o Capitão e sua equipe chegassem, ordenou aos seus homens que,
camuflados, escondessem-se por entre as folhas das árvores corpulentas e
aguardassem pelo sinal —. Acham mesmo que lidam com amadores? Com bandidinhos
de padaria? Com uma facção que se contenta em explodir caixa eletrônico? —
caminhava por entre os corpos caídos, procurava por alguém vivo —. Meu plano é
complexo demais para que achem que deixei algum detalhe solto, alguma falha
autodestrutiva, pensei em todas as possibilidades!
—
Aconteça o que acontecer, não saia daqui e nem tente ver o que se passa, em
hipótese nenhuma! — Matheus, decidido no que fazer, fixou o olhar nos olhos da
filha, precisava que ela o obedecesse, só assim se salvaria —. Finja-se de
morta, faça o possível para não respirar, lembre-se dos treinamentos.
Compreendendo
o que o pai estava a ponto de fazer, Samara se angustiou.
—
Não, não vou deixá-lo sozinho, não pode enfrentar esse louco sem ajuda, precisa
confiar em mim! — começou a possuir os armamentos, não se contentaria com as
ordens do Capitão, não as aceitaria.
—
Confio em você, não para lutar ao meu lado nessa hora decisiva, mas para
continuar o nosso trabalho — abraçou aquela que orgulhosamente vira crescer —.
Seja forte, nunca se esqueça do nosso propósito, não deixe de acreditar em seu
potencial. Se eu não puder mais caminhar, caminhe por mim! — beijou a face da
garota, ainda jovem, prestes a deixar a adolescência, mas com maturidade e
coragem muito além de sua idade.
—
Eu te amo... — permitindo que as lágrimas fluíssem, declarou seu sentimento.
–
Até logo! — despediu-se.
A
passos ponderados, mantendo a metralhadora à sua dianteira, atentando-se a
qualquer ruído significativo, procurando por visões determinantes, Matheus
pisava sobre as folhas caídas, pela última vez teria a oportunidade de frear a
abominável criatura.
—
Armamento pesado...
Procurou
pela voz, mas nada obteve.
—
Poderá me vencer com isso?
O
som parecia vir de todas as direções.
—
Eu acho que não.
Em
menos de um segundo, a figura temida ressurgiu violentamente golpeando o
Capitão, lançando-o ao longe.
—
Vai mesmo morrer? Vai mesmo deixar para trás a oportunidade de ser feliz
permitindo que eu siga o meu caminho tranquilamente? Essa é a minha oferta, um
acordo de paz! — sugeriu.
—
Suas palavras são traiçoeiras e enganadoras — levantou-se —. Jamais confiarei
nelas — avançou contra o opressor.
Matheus
desferiu uma pancada na barriga daquele que odiava, não lhe deu tempo para
revidar, dispensou outro murro na face do indivíduo.
—
Vou destruí-lo nem que seja a última coisa que eu faça!
Samara
não conteve a curiosidade, precisava saber o que sucedia, precisava saber como
o pai estava. De longe, por trás da rocha, espiou a cena. O homem que admirava
confrontava o mafioso, estavam cercados por homens armados.
Massageando
a região golpeada, bufando como se estivesse entediado, o Líder não se deu por
combatido, vencido ou intimidado.
—
Não, Matheus, você mesmo se destruirá! — forte, usando as costas de uma das mãos,
garantiu a acentuada agressão na face do Capitão lançando-o ao longe.
O
homem de nobre e valoroso coração se viu jogado, atordoado, a força com que
fora atingido era descomunal. Viu-se, também, ao lado da metralhadora.
Pegou-a.
Disparou
compulsivamente.
O
Líder, balançando o corpo, caiu de joelhos.
Sorria.
Abriu
o casaco.
Vestia
o colete imbatível que ele mesmo produzira.
–
Como eu disse — dirigiu-se até a vítima que faria, ergueu-a do chão, permitiu
que os olhos da máscara se abrissem e revelassem as íris vermelhas —, você
mesmo se destruirá! — os olhos de Matheus também se avermelharam —. Sabe qual é
a arma que me vence? — aproximou os lábios do ouvido do opositor e sussurrou: —
A droga dos sentimentos! — libertou o Capitão —. Mas quem é que algum dia pensará
nisso?! — tornou a fechar a máscara —. Ninguém! — olhou em direção à rocha —.
Saia daí, Samara, ainda não é o momento para que tenha o mesmo destino de seu
pai.
Trêmula
e receosa, a garota deu ouvidos, caminhou alguns passos, o suficiente para que notasse
os olhos vermelhos do pai.
—
Faça o que deve ser feito! — o Líder determinou.
Submisso
como nunca fora, Matheus tomou posse sobre a metralhadora, parecia alheio à
realidade, parecia dopado, como se não refletisse sobre quaisquer ações.
Levou
a arma ao pescoço.
Pela
última vez lançou seu olhar à filha, parecia reconhecê-la, parecia transmitir
uma derradeira mensagem, parecia anunciar que não queria fazer aquilo.
—
Agora! — ordenou mais uma vez, arrependeu-se por ter revelado qual era o seu
ponto fraco, a única falha que não conseguia corrigir no plano maligno.
Continua...
No próximo
capítulo:
— Samara... — em um gesto
automático, involuntário, Whesley levou a mão ao rosto suave, ficou em silêncio
por alguns segundos, apreciou aquele momento tão mágico —. Desde que cheguei
tem me ajudado, tem sido uma pessoa incrível, deixe-me retribuir esse apoio,
deixe-me cuidar de você também...
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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pela companhia, um forte abraço e até logo!

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