[WebLivro] Ambições - Capítulo 40 - Em Ruína


Capítulo 40 – Em Ruína

O erro dos bons estrategistas é acreditar que foram mesmo capazes de pensarem em todas as possibilidades e que nada poderia ter passado despercebido culminando em rastros que guiam até o objetivo. Erram quando não se preparam para os erros.
Cícero não tinha palavras. Sentiu que a detetive não levantava suspeitas e nem tentava encurralá-lo para que dissesse a verdade, sentiu certeza na acusação, ela conhecia a verdade, seria inútil tentar convencê-la do contrário.
— E quem é que acreditaria numa desconhecida como você? — menosprezou o potencial da mulher —. Aliás, com que autoridade invade a casa das pessoas acusando os outros sem ter prova alguma?
— A casa é minha, ela é uma amiga — Adrian logo justificou.
— E eu não preciso lhe apresentar provas, sabe que falo a verdade, contenha sua ansiedade e aguarde até o início do processo, nenhuma desculpa que der será capaz de aniquilar os fatos que o condenam! — Amanda argumentou decidida em sua postura, anunciando que uma guerra judicial em breve começaria.
— Como foi que descobriu? — rendeu-se na intenção de descobrir quais eram os delatores, seus parceiros traidores seriam severamente punidos.
— Mostrei o vídeo com o qual o ameacei em nosso reencontro, foi quando tive a grata surpresa de que outras pistas o entregavam — Adrian revelou a participação que teve.
— Bom, governador, não podemos confiar cegamente em nossos aliados, nem todos possuem o mesmo sangue frio que nós e, com um pouco de pressão na consciência, acabam falando o que jamais deveriam — a detetive sorriu provocativa, contemplar o espanto no semblante de alguém que muito devia e acreditava jamais ser cobrado era divertido e gratificante, ossos do ofício —. Sugiro que aproveite essa noite para refletir sobre seus atos, pela manhã será buscado para depor e provavelmente terá outro lugar como morada — informou com simplicidade.
— Vai me denunciar? — franziu o cenho, de fato não acreditava na ousadia de uma mulher que o afrontava intimidadoramente.
— Alguma dúvida?
— Sabe quem eu sou?
— Posso saber até mais do que pensa e suas ameaças não poderão me assustar — manteve-se séria, controlava a conversa, não permitia que o acusado tivesse qualquer sensação de domínio sobre ela —. Nem pense em fugir, as autoridades já estão avisadas — aproximou-se do governante —. Hoje começa a sua humilhação!
Cícero ergueu a mão.
Ao avanço de Adrian, recuou em seu gesto agressor.
Sacou o revólver carregado.
— Não precisava ser assim... — Amanda reclamou —. Mas já que quer bancar o calculista! — acionou o dispositivo que carregava no bolso —. Acho que me enganei, sua humilhação começa agora!
Agentes da Polícia Federal adentraram o apartamento exigindo que o governador não demonstrasse qualquer resistência.
Foi algemado.
Aos olhos da imprensa já alvoroçada pela informação de que Cícero era suspeito pela morte de Fernando e que no dia seguinte todas as informações seriam reveladas, o governante foi obrigado a adentrar a viatura.
Seguiu para a delegacia.


O relógio se aproximava da meia-noite quando o plantão jornalístico interrompeu a programação anunciando a prisão do governador, notícia surpreendente, notícia preocupante.
— Meu Deus! — Sílvia exclamou.
— Preso pela morte de Fernando! — Whesley leu a manchete exposta no vídeo —. Descobriram a verdade!
— Como? — a preocupação da mulher não era com o ex-marido, preocupava-se pelo silêncio que manteve durante todos aqueles anos, sentia medo de ser definida como cúmplice no crime que chocou o Estado no passado e que agora causaria maiores problemas.
— A verdade não pode ser encoberta por muito tempo, devíamos saber disso e precisamos nos preparar para os ataques que a nós virão — o rapaz enxergava o futuro inevitável.

Em seu quarto, deslizando os dedos pelo smartphone, Sofia estranhou o nome do pai estar entre os assuntos mais comentados na internet, buscou por informações, encontrou as primeiras notícias publicadas, todas alarmando para o fato de Cícero ser um perigoso assassino, um homem mentiroso, alguém capaz de absurdos em nome do poder.
Só não pôde evitar o choro de medo e espanto.


Deitado na confortável cama, saboreando o refrescante champanhe, Rodolfo visitava canais aleatórios enquanto esperava por Elisa, que se vestia para mais uma noite de sono, quando se assustou com o noticiário, quase engasgou, aumentou o volume para ter certeza do que pensava ouvir.
— Droga! — exclamou levando as mãos ao rosto, sentia o desespero se aproximar.
— Esse não é a nossa vítima? — Elisa questionou atenta às imagens que exibiam o governante ser levado como um bandido.
— Surpreendentemente, sim...
— E essa acusação é verdade?
— É... Só espero que não fale demais... — encarava a televisão como se desejasse destruir a cena incômoda que seus olhos contemplavam.


Apesar do horário avançado a porta da delegacia estava cheia de repórteres e jornalistas sedentos por mais detalhes do que acontecia, tinha também eleitores frustrados gritando palavras ofensivas e acusações contra o homem ao qual confiaram seus votos.
Cícero observava ao redor com espanto e desespero, nunca se preparou para aquele dia, nunca imaginou que ele chegaria.
Atentou-se a um fotógrafo em especial.
Usava um boné que escondia os olhos, cobria parte da face, mas exibia o sorriso marcante.
Mais uma vez sentiu que Fernando retornava à sua vida.

— Prometo que será nosso último encontro, daqui em diante estará em mãos diferentes e, talvez, mais severas, não precisará contemplar a face daquela que o arruinou de repente — na sala reservada à interrogatórios, Amanda se colocou diante o governador, puxou a cadeira, sentou-se, apoiou as mãos sobre a mesa —. Quem foi o mandante?
— Onde estão os meus advogados? — questionou —. Não podem agir dessa forma, tenho direitos! — espancou a mesa de metal, revoltava-se grandemente.
— Aqui quem faz as perguntas sou eu! — a detetive Clarke aumentou a voz —. Por que não conta tudo o que aconteceu? Por que não dá os nomes envolvidos?
— Se sabe de tudo por que precisa dessas respostas?
— Sei que manipulou pessoas, que ameaçou friamente quem o denunciasse, quanto a esses não tenho nada a saber, quero que delate os mandantes!
Cícero se encurvou.
Encarou o olhar de Amanda.
— Matei e mataria quantas vezes fossem necessárias e não é porque mandaram, mas porque sempre quis o poder! — confessou.
— Tem mais uma coisa — a mulher se levantou —. Tive acesso às suas transações bancárias e nos últimos meses muito dinheiro foi movimentado, quem estava ajudando? Ou por quem estava sendo coagido?
— Acha mesmo que facilitarei o seu trabalho? — jogou-se contra o encosto da cadeira —. Procure!
— Pelo que depender de mim vai apodrecer nesse lugar!
— Por que tanto ódio?
— Eu sou Amanda Clarke, filha de Fernando Clarke!

As organizações criminosas agem como famílias unidas quando não querem que seus interesses sejam prejudicados, são capazes de terríveis decisões em proteção aos seus membros como também não toleram os traidores.
Exigindo fazer uma ligação e se utilizando de argumentos para que o autorizassem, Cícero não telefonou para parentes ou amigos, buscou auxílio no grupo do qual fazia parte.
— Quem é?
— Eu quero falar com o Líder! — desligou.
Não poderia receber visitas.
Mas sabia que aquele que seguia daria um jeito.
Levado para uma cela especial passaria ali a noite, tão logo o dia amanhecesse saberia qual destino estava reservado à sua vida.
Adormecido, foi chacoalhado.
Acordou assustado.
Lembrou-se de que esperava pelo Líder.
Observou o homem vestido de policial com grande surpresa.
— Rodolfo?
Seu visitante sorria singelamente.


Continua...

No próximo capítulo:

— Seu argumento de defesa está anotado, talvez comova o Líder e ele decida aparecer antes do tempo, até lá precisa pensar na vida e agradecer por seu castigo ser em um presídio, sabe quais métodos o Sistema utiliza em seus termos para punir quem merece — levantou-se —. Prepare-se para o futuro, seus serviços não foram todos realizados, contudo serão cobrados!

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