[WebLivro] Ambições - Capítulo 42 - Separação


Capítulo 42 – Separação

— Quer dizer que está namorando? — a ruiva escondeu o desapontamento —. Fico feliz que tenha finalmente descoberto o que há entre você e uma pessoa.
— Não poderia ser coisa melhor! — sentou-se ligando o computador.
— Aposto que seja um daqueles românticos que encaram seus parceiros como se fossem a metade que lhes faltava, nem sempre é assim — repousando o álbum sobre a mesa, Elisa se colocou à frente do patrão.
— O que quer dizer? — Whesley tirou a atenção da tela acesa, dirigiu o olhar àquela que parecia alertá-lo —. Sabemos quando somos amados, posso garantir que não vou me arrepender.
— Não quero que sinta que estou com pensamentos pessimistas e nem que seja minha intenção apavorá-lo, é outra coisa... — em um gesto ousado, correndo o risco de ter suas intenções interpretadas, a modelo acariciou os dedos do empresário, encarou-o com firmeza, a cada segundo se encantava pelo rapaz, apaixonava-se por sua vítima —. Sinto grande carinho por você, foi quem me deu uma oportunidade que ninguém daria, minha gratidão me faz desejar que nunca sofra mal algum.
— É bom saber disso — educado, Whesley levou a mão às teclas sem deixar transparecer que não se sentira confortável com a atitude da funcionária, preferiu ignorar, talvez tivesse sido um gesto ingênuo, demonstração de apreço —. E como ficaram as fotos? Acha que podemos divulgá-las?
— Aqui estão elas — empurrou o álbum em direção a Whesley —. Na minha opinião ficaram ótimas, certas pessoas têm o dom de nos deixar mais belas.
— Como se fosse necessário — foi um comentário profissional, o empresário estava acostumado a acompanhar ensaios fotográficos das modelos que trabalhavam para sua marca, mas aos ouvidos da ambiciosa mulher o elogio soou com intenções maiores, despertou no coração a esperança que não deveria ter —. Pode mandar para o pessoal do marketing, será um sucesso!
Elisa deixou a sala refletindo no sorriso lhe dirigido, não percebia, mas começava a se esquecer do propósito que a levara até o rapaz galanteador.


— Todos fomos pegos de surpresa, não esperávamos por esse episódio embora soubéssemos que um dia o viveríamos, mas estamos livres de quaisquer problemas, fomos coagidos a manter silêncio, estamos inocentes — Adrian, escondendo sua contribuição para que o ex-governador fosse preso, estacionou em frente à delegacia —. Tem certeza de que fará isso?
— Hoje estarei completamente purificada das relações que tive com esse homem, se eu pudesse voltar no tempo relutaria sem medo, contestaria a decisão ultrapassada de uma mente estagnada, não me sujeitaria ao retrocesso — Sílvia, desabafando seus sentimentos, preparava-se para o último encontro com aquele ao qual fora entregue —. Volto logo...
A ex primeira-dama, cercada por policiais, mantendo a cabeça baixa, os olhos escondidos pelos óculos escuros e o silêncio incômodo à imprensa, adentrou a delegacia, teve passagem livre, vivia sobre os últimos minutos como esposa do odiado político.
— Confesso que não esperava por isso, pensei que tivesse me abandonado — Cícero recebeu a esposa com olhar sarcástico, sabia que sua presença ali era como um sacrifício.
— E abandonei. Achei que nunca mais precisaria encarar esse olhar repulsivo que esconde tanta maldade, no entanto não perderia a chance de vê-lo acorrentado, preso, sendo punido pelos atos que sempre lutou para encobrir, a justiça sempre chega! — sorriu vitoriosa, aliviada, declarar tais palavras pareceu tirar um peso de sua alma.
— Acha mesmo que me manterão trancado por muito tempo? — falava baixo —. Acha mesmo que alguém como eu pode ser derrotado pelo sistema que corrompeu? Que fiz questão de fragilizá-lo para que mais tarde não sofresse com sua rigidez? — parecia convicto em sua fala, como se conhecesse os próximos passos, como se soubesse exatamente como alcançar impunidade —. É tola se acredita nisso e sugiro que se prepare para o nosso reencontro, ainda não nos acertamos, você me decepcionou grandemente — usou tom de ameaças, soou perigoso.
Sílvia analisou a declaração, lembrou-se dos muitos atos do ex-marido que prejudicaram a segurança pública, que contribuíram para que o Estado se tornasse frágil em seu sistema prisional para criminosos como Cícero que não usam de explosões, agem em silêncio, atacam sem que ninguém perceba.
— Há homens que se vendem por tão pouco, há muitos homens que me devem grandes favores e eles não são loucos ao ponto de me negarem o acordo, sabem do que sou capaz! — em suas costas carregava as dores de muitas vítimas, não seria problemático colecionar novas angústias —. Não veio se despedir, ao contrário, está aqui para um até logo — agora o sorriso vitorioso era seu e o semblante prepotente não foi ocultado.
— É o que veremos! — Sílvia jogou o envelope pardo sobre a mesa de metal —. Meus advogados se prontificaram a vir em meu lugar, mas precisava ter certeza de que não os subornaria — estendeu uma caneta —. Assine, agora mesmo!
— O que é isso? — analisou o documento com surpresa.
— O nosso divórcio — encurvou-se —. Acabou!
— Tudo bem, não vou agir como um menino mimado, se esse é o seu desejo, eu atenderei — fez o que precisava —. Mas você não será feliz com Adrian, não é um aviso, uma previsão e nem um conselho — cravou o olhar sobre a mulher —. É uma firme e inesquecível promessa, não permitirei que fiquem juntos, puni-los-ei pela humilhação!
— Pare de se achar imbatível — levantou-se irritadiça —. Aceite o seu fim!
Partiu deixando para trás um homem derrotado.
Caminhando rumo ao carro, remoendo as afirmações de Cícero e a certeza com a qual declarou que não permaneceria preso por muito tempo, Sílvia interrompeu os passos, pediu para que os jornalistas se acalmassem, faria uma declaração.
— Quero que saibam que não estou me divorciando pelos surpreendentes fatos, mas por que há muito tempo não existia um relacionamento verdadeiro entre nós, ele, com sua arrogância, fez com que tudo se acabasse — fez uma pausa longa, pensou nas próximas palavras, perguntou a si mesma se estava pronta para as consequências, julgou-se apta a qualquer combate —. E peço uma coisa às autoridades, vigiem esse traidor, há cúmplices ao seu lado, pessoas que foram compradas para servi-lo, não permitam que os nossos cidadãos se sintam enganados por aqueles que juraram protegê-los, não permitam que os perversos pratiquem a impunidade, não deixem quem deve explicações escapar sem nada dizer! — prosseguiu no destino, levantou grandes suspeitas.


Quando estamos confusos e angustiados, com inúmeros pensamentos oprimindo nossos corações, recorremos àqueles que podem nos conceder um pouco de alívio, mesmo que só de nos ouvir.
Aflita, Sofia ligou o computador.
Recorreria a Samuel.

[Sofia]: Viu o que aconteceu?
[Samuel]: O país está sabendo. Não há outro assunto pelas ruas. As pessoas estão perplexas e revoltadas.
[Sofia]: Tenho visto muitos comentários, confiaram nele, consideraram-no um homem diferente dos demais, alguém que não alimentou o povo com promessas, apenas fez o que estava ao seu alcance, por que agiu assim? Por que preferiu se corromper ao invés de se fortalecer com a confiança das pessoas?
[Samuel]: O poder é algo que embriaga as pessoas e as deixa sedentas por muito mais ao ponto de cometerem loucuras em nome de suas ambições... Como é que você está?

A garota agradeceu por aquela pergunta.
Agradeceu por conseguir desabafar com alguém.

[Sofia]: Destruída... Muitas coisas aconteceram e estou farta. Posso ser sincera?
[Samuel]: Sempre.
[Sofia]: Falta-me vontade de viver.

O coração do jovem se quebrantou ao ler uma resposta tão preocupante e alarmante, o que mais temia parecia fazer sentido: a querida amiga não era tão forte como imaginava, corria o risco de não aguentar tantas pressões motivadas por descobertas revolucionárias que existiam ao seu redor.

[Samuel]: Não fale bobagens.
[Sofia]: Não é bobagem e nem coitadismo. Viver é difícil demais e já não tenho forças, muito menos motivação para tamanho fardo.


Continua...

No próximo capítulo:

[Samuel]: Acha justo desprezar o amor daqueles que lhe querem bem?
[Sofia]: Que amor?
[Samuel]: O meu significa alguma coisa?

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