[WebLivro] Ambições - Capítulo 27 - Pessoas Queridas
Capítulo 27 – Pessoas Queridas
[Alguns
anos antes...]
—
Não... — tendo dificuldade para fazer soar a voz por conta do choro amargo que
sufocava sua garganta, Samara gesticulou os lábios, sussurrou a terna súplica,
não queria presenciar o fim da pessoa que a ensinara a guerrear, a batalhar e a
defender os oprimidos, a ser um ser humano de honra e respeito.
Fechou
os olhos, não assistiria à cena que jamais se apagaria, que jamais largaria os
inúmeros e atordoados pensamentos.
Matheus,
sem qualquer poder de reflexão, disparou.
A
munição atravessou o crânio.
O
corpo tombou junto aos demais.
–
Lamento que nosso primeiro encontro tenha acontecido de forma tão violenta — o
sujeito misterioso se aproximou da jovem apaixonada que mantinha as íris
esverdeadas em oculto —. Prometo ser um anfitrião melhor das próximas vezes —
tocou o ombro encolhido.
Em
um ato reflexo, Samara agarrou o braço do opressor, puxou-o contra si, antes
que pudesse golpear furiosamente a quem detestava desde que soubera da
existência, teve as mãos imobilizadas pelo Líder, um hábil lutador.
—
É tão imprudentemente arrogante quanto o pai, não conseguiu tirar nenhum
aprendizado do que presenciou aqui? Não concluiu que desafiar ao meu poder é,
além de inútil, uma decisão suicida? — lançou a opositora contra o chão, ao
lado do pai —. Quando vão entender que meus planos são complexos demais para os
simplórios pensamentos que possuem?!
—
Nunca desistirei, nunca desistiremos, retroceder nunca foi uma opção! — estava
enraivecida, nauseada pela presença insuportável, vestiu a coragem, a valentia,
a segurança que sempre admirou no pai, precisava reconhecer que ele a escolhera
como sucessora por acreditar em sua força, honraria aquele crédito —. Vai matar
a mim também? Vai dar um jeito de aliviar a pressão? Será inútil! Somos muitos
e vamos derrotar sua prepotência!
O
Líder apreciou cada palavra, sorriu como satisfeito, a satisfação logo se
revelou uma grande chocarrice.
—
A projeto de mulher achando que pode me desafiar... — estalou os dedos, gesto
suficiente para que seus homens dominassem a garota e o corpo de Matheus —.
Vamos ver se é mesmo digna de ser minha inimiga, vamos ver se é forte o
bastante para sobreviver... — analisou o ambiente ao redor —. Joguem na
correnteza, ninguém poderá dizer que não dei uma chance — deu às costas —. Boa
sorte, talvez tenhamos um próximo confronto e nele não pouparei a
insignificante vida que possui!
Não
adiantou relutar.
De
nada serviu se debater.
Samara,
juntamente ao pai, foi lançada contra o rio extenso, desconhecido e agitado.
Foi
jogada à própria sorte.
Agarrou-se
ao corpo daquele que amava, salvaria sua vida, faria o possível para que
garantisse a Matheus um digno funeral com homenagens merecidas, mas se não
fosse possível morreria ao lado do nobre homem.
Nadou
contra a fúria das águas, combateu contra a opressão da correnteza. Manteve-se
forte e determinada. Enfrentando dificuldade maior por não nadar apenas para
si, afogava-se, recuperava o fôlego cheia de desespero, sofria as dores de
trombar em pedras, sentir o choque das águas, mas não desistiu, nunca
desistiria.
No
meio da mata, sem saber onde estava, sendo levada pelo rio, alcançou terra
firme, repousou o corpo de Matheus e se jogou contra os pedregulhos. Precisava
relaxar.
Alguém
a surpreendeu.
Alguém
pronto a salvá-la.
— O Sistema se
fortaleceu, na verdade a cada dia ganha mais força, a cada dia que eu não sei
como detê-lo, como desvendar o seu segredo sem revelar ao mundo os problemas
que o esperam, isso causaria um cenário violentamente caótico, as pessoas não
saberiam como agir e enlouqueceriam — sendo verdadeira, descobrindo sua
história aos olhos de Whesley, Samara expôs qual era o verdadeiro trabalho que
exercia —. O corte no rosto de Sofia foi causado por eles, começaram a atacar
quem está perto de nós sem que necessariamente os levem embora, muito em breve
essa será a realidade: uns contra os outros.
Ouviu tudo
aquilo e reconheceu o tamanho da sua fragilidade perante algo inimaginável, o
jovem empresário sentiu maior admiração pela nova amiga, se já a amava agora
esse amor era ainda maior e o tornaria um aliado.
— Tem arriscado
a sua vida e tem até mesmo doado seu tempo para salvar pessoas que nem conhece,
pessoas que por certo nunca conhecerá, pessoas que nem mesmo nasceram — sorriu
maravilhado e acolheu fraternamente as aprazíveis mãos —. O que são os meus
problemas perto dos seus?
— Problemas não
podem ser subestimados, devem ser resolvidos para que não fiquem maiores e invencíveis
— aconselhou —. Por isso, queira sua irmã ou não, precisa se atentar a ela,
vigiar os seus passos, precisa protegê-la de forças inteligentes que arrancam
de nós quem mais desejamos ter eternamente ao nosso lado.
— Farei isso —
prometeu —. Mas também quero ajudá-la nesse desafio, quero fazer parte dessa
ação movida pelo amor às pessoas!
— Não posso
permitir que coloque a vida em risco com tantos planos que têm idealizado, só
de lutar por eles e conquistá-los será uma grande alegria ao meu coração.
— Samara... — em
um gesto automático, involuntário, Whesley levou a mão ao rosto suave, ficou em
silêncio por alguns segundos, apreciou aquele momento tão mágico —. Desde que
cheguei tem me ajudado, tem sido uma pessoa incrível, deixe-me retribuir esse apoio,
deixe-me cuidar de você também...
“Cuidar
de você também...”.
Espantada,
atingida por forte energia de sentimentos ao ter sua pele tocada de forma tênue
ao mesmo tempo em que marcante, a enfermeira aos olhos da sociedade encarou seu
oculto amante, encarou-o profundamente sonhando com o dia em que as barreiras
seriam extintas e a distância aniquilada.
— Tudo bem... —
cedeu aos encantos —. Mas precisa me prometer que acatará todas as minhas
recomendações e tomará muito cuidado, não quero perder outras pessoas queridas.
— Então sou
alguém querido? — impressionou-se com a fala, não deixou de frisá-la.
— Sim... —
respondeu acanhada como se não pudesse revelar o que existia em sua
consciência, como se ao fazê-lo estivesse vulnerável à mesma dor do passado.
— Você também
é...
Os corações
começaram a conversar.
Começaram a
entender qual destino os aguardava.
∞
Elisa,
reconhecendo que perigos a rondavam e que o campo no qual pisava era repleto
por minas ansiosas à explosão, não perderia mais tempo e nem esperaria
oportunidades para atacar, faria as próprias oportunidades, abriria os próprios
caminhos, seria ousada em sua ambição.
Adentrou o
escritório do governador lançando charme aos guardas do Palácio e enganando as
secretárias com sua lábia feroz, encarava-o sem medo ou timidez.
— Será que esse
lugar perdeu o respeito que antes tinha? — Cícero reclamou —. Quem é você e
como conseguiu aqui entrar? Não sabe que há inúmeras pessoas desejosas por
falar comigo? No que se acha melhor para invadir o que não deveria?
— Primeiramente,
quero que se acalme, senhor governador, somos adultos e não podemos nos prestar
ao tolo papel de bancarmos idiotas infantis — prepotente, dominava o espaço,
intimidando o poderoso homem, a ruiva se sentou numa das confortáveis e luxuosas
poltronas —. E em segundo lugar deveria reconhecer que não sou qualquer pessoa,
não faço parte das inúmeras, se consegui entrar em contato é porque possuo
maneiras próprias e persuasivas, deveria me ouvir de forma respeitável.
— Acho bom que
tenha um motivo plausível.
— E eu tenho —
tirou da bolsa o envelope pardo, sem qualquer inscrição, e o ofereceu ao
governante —. Sinta-se à vontade, é algo de seu interesse.
Cícero,
desconfiado, descobriu o conteúdo ali presente, impressionou-se com o que via,
espantou-se estranhamente.
— Só pode ser
brincadeira...
— Não senhor,
governador, no mundo de hoje, com câmeras em cada esquina e conexão em cada
quarto, é praticamente impossível falar sobre vida privada, principalmente aos
poderosos, as paredes os vigiam — levantou-se exibindo o semblante de vitória,
o semblante de poder —. Agora me diga, senhor governador, como sua esposa
reagiria a uma traição? — não lhe deu tempo para responder, vestia-se de
deboche, sua voz soava imbatível —. Como os seus eleitores reagiriam ao
descobrirem que não passa de mais um homem perverso que não consegue conter os
impulsos nojentos que possui?
Continua...
No próximo
capítulo:
— Isso não importa e nunca
importará — tocou as mãos frias, cobriu-as com ternura —. Rimos tanto,
divertimo-nos tanto, vivemos tantas experiências que se eternizaram em nossas
memórias, realmente nos amamos. Não deixe que um simples fato acabe com tudo,
apague tudo, não deixe que o orgulho a impeça do prazer que é se permitir ao
amor daqueles que a amam.
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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pela companhia, um forte abraço e até logo!

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