[WebLivro] Ambições - Capítulo 28 - Inimigos Desconhecidos
Capítulo 28 – Inimigos Desconhecidos
Conhecer o
inimigo é uma vantagem irrecusável, ao conhecê-lo desvendamos os seus passos,
seus limites e o que pode conquistá-lo. Quando sabemos quem é o nosso inimigo
temos a chance de comprá-lo e, assim, dominá-lo.
Mas e quando não
o conhecemos?
E quando nem
sabemos que temos adversários além daqueles que já se apresentaram com suas
exigências?
Desconhecer o
opositor é como estar em meio à guerra e perder a visão. Nunca prevemos de onde
virá o golpe fatal.
— Quem é você? —
mantendo-se sério, sentindo as mãos formigarem pela raiva que o invadia, Cícero
questionou a nova e nunca antes vista inimiga.
— Desculpe-me a
falta de sutilezas, se vamos negociar é bom que saiba que me chamo Elisa, Elisa
Oliveira, mas estou ansiosa por mudar meu sobrenome — sorriu divertida, sabia
que era quem daria as ordens, não perderia a chance de impressionar o homem que
a dominava.
— Sabe quem eu
sou?
— Mas é claro.
— Não, se
soubesse realmente não estaria seguindo os meus passos, não estaria me
importunando com ameaças covardes, nem pensaria em me ter como inimigo. Se
soubesse quem eu sou temeria o meu nome! — alertou.
Mas a ambiciosa
mulher não se deixaria abater.
Só sairia dali
com o objetivo alcançado.
— A partir dessa
descrição quer que eu tenha medo? — mantendo-se diante a presença do
governador, envolta pela valente prepotência, a ruiva mostrou que não era fácil
intimidá-la.
— Medo? Devo
confessar que o medo é uma emoção poderosa, a partir dele conseguimos
sobreviver, não colocamos nossa vida em perigos que jamais venceremos, é um
aliado — afastou-se da opressora, serviu-se com um copo de uísque —. Mas não quero
despertar o seu medo, quero que sua sensatez seja motivada a funcionar e que
sua inteligência se manifeste e a convença de que um homem poderoso como eu
devasta seus adversários sem a menor dificuldade — levou o olhar ameaçador à
rival.
— Medo... Podemos
sentir medo de tantas coisas, podemos ter medo de altura, de animais selvagens
ou de criminosos que usurpam nossas riquezas, mas há um medo especial, um medo
maior que todos os outros, o medo que, tenho certeza, o assombra todos os dias
— a passos vagarosos e resolutos, Elisa se dirigiu ao bar, serviu-se como se
fosse a proprietária do lugar, como se o conhecesse há tempos —. Tem medo de
escândalos, sabe que eles acabariam com a sua reputação. Passaria de aplaudido
e respeitado e odiado e desprezado, perderia amigos importantes, eleitores
tolos os quais controla descaradamente e a imprensa o apelidaria de tantas
ofensas, seu nome não seria mais Cícero, sabe muito bem.
— Desgraçada! —
perdendo o controle que insistentemente procurava ter sobre si, o governador
unhou o braço de Elisa, trouxe-a para mais perto, cravou os olhos escuros às
íris esverdeadas —. Se não quiser aparecer boiando por aí, sendo devorada pelos
vermes que não dispensam um estrume como você, ficará longe de mim e nem
sonhará em divulgar essas imagens! Isso não é uma advertência, é um juramento,
eu te mato! — soltou-a rispidamente, a marca dos dedos pôde ser observada.
— É mesmo um
babaca impulsivo que se acha o imbatível! Tente a sorte, faça qualquer coisa
contra mim, acha mesmo que trabalho sozinha? Acha mesmo que somente eu possuo
essas imagens? — enfrentou Cícero sem receio algum —. A ruína que o espera não
depende das minhas mãos!
A ficha caiu.
O governador
compreendeu que lidava com experientes, inimigos antigos que se usavam de novos
rostos para intimidá-lo, para persegui-lo. Reconheceu que não era quem dava as
ordens, se quisesse permanecer no prestígio que conquistara deveria cumpri-las.
— O que você
quer?
Finalmente,
pensei que não se abriria aos acordos, mas um homem de negócios sempre sabe
qual é o momento de negociar — a ruiva provocativa, cheia de ironia nos olhos e
sarcasmo nas palavras, lançou um sorriso satisfeito, sentia a aproximação da
vitória —. O que quero é muito simples, quero o seu nome, quero ser uma Rebelo!
— Está louca?
Como acha que faria isso sem provocar um furdúncio?
— Furdúncio? Não
deve ter entendido o meu desejo, para um homem tão arrogantemente inteligente
está deixando a desejar... Eu quero me casar com o seu filho!
∞
Após algumas
horas sem qualquer alteração no quadro clínico, Sofia recobrou a consciência e
com isso as lembranças quanto às motivações que a colocaram em estado tão
delicado.
Sem perder tempo
e ignorando qualquer procedimento padrão, Samara foi atrás de respostas, cada
nova informação representava grande ajuda.
— Quem fez isso
no seu rosto? — a enfermeira questionou.
— Eu não quero
ver ninguém, entendeu? Eu não quero que venham com falsas piedades — a garota
suplicou ignorando a pergunta, a voz denunciava a saúde fragilizada.
— Sofia, preste
atenção, independente do que pense eles são tudo o que você tem, representam a
família que possui, sem eles não é ninguém! — foi objetiva e transparente,
almejava alcançar seus intentos —. Agora me responda sobre quem fez isso no seu
rosto!
A jovem refletiu
por alguns instantes, parecia distante, primeiro assimilou a afirmação nem um
pouco sutil: “sem eles não é ninguém!”,
e depois voltou à noite na floresta quando conheceu o mascarado retratado nos
próprios desenhos.
— Um homem...
Vestia uma máscara, parecia ser o líder de todos eles.
— Onde vocês se
encontraram?
— Por que quer
saber?
— Ele é alguém
perigoso que não costuma deixar suas vítimas sobreviverem, se está viva há
algum propósito e tão logo ele seja cumprido você será perseguida e punida —
revelou a incômoda verdade —. Então se quiser viver em paz e tranquila vai me
ajudar!
— Na floresta —
respondeu imediatamente, suas suspeitas se confirmaram, envolvera-se com o que
não deveria —. Foi na floresta que tudo começou.
— É o bastante.
Decidida quanto
ao que fazer, Samara saiu da UTI, recomendou a Whesley que aproveitasse os
poucos minutos com a irmã para convencê-la de que ter uma família vai muito
além de laços sanguíneos, alertou também para que não se ausentasse do hospital
enquanto ela não voltasse.
Inseguro, sem a
certeza de quais palavras usar perante alguém fragilizado pelas intensas e
transformadoras descobertas, o jovem empresário se colocou na presença de
Sofia, ambos se encararam em silêncio, ninguém tinha o que declarar.
— Como se sente?
— Para quem foi
atropelada, muito bem...
— Não é isso o
que quero saber.
— Eu não sei...
— a jovem garota, com tantos questionamentos incomodando sua mente, atentou-se
ao olhar cuidadoso do irmão, o mesmo de anos atrás.
— Não pode
pensar bobagens e nem acreditar que as coisas devam mudar entre nós. Sempre
fomos tão unidos, intimamente ligados, sempre fomos irmãos... — os olhos se
encharcaram, o coração ardeu, queria estar no lugar de quem amava, queria
poupá-la da dor.
— Eu sou
adotada...
— Isso não
importa e nunca importará — tocou as mãos frias, cobriu-as com ternura —. Rimos
tanto, divertimo-nos tanto, vivemos tantas experiências que se eternizaram em
nossas memórias, realmente nos amamos. Não deixe que um simples fato acabe com
tudo, apague tudo, não deixe que o orgulho a impeça do prazer que é se permitir
ao amor daqueles que a amam.
— Whesley... —
gesticulou para que o irmão se aproximasse mais, o bastante para que o
abraçasse afetuosamente, para que encurtasse a abismal distância entre os
corações e sentisse a emoção sublime do amor —. Obrigado por tudo...
O rapaz se
perdeu naquele momento mágico, esqueceu-se do mundo, alcançava reconciliação.
∞
Olhos atentos.
Audição focada
no menor dos ruídos.
Samara caminhava
prudentemente pelas folhas caídas, o passado sussurrava em seus ouvidos.
Avistou alguém
de costas.
Sentado numa
pedra.
Olhando para a
Lua.
— O mundo dá
voltas e numa delas nos encontramos com o passado. É bom vê-la outra vez,
Samara, fico feliz que tenha sobrevivido — a voz desconfigurada provocou o
arrepio na mulher sedenta por justiça, ávida por vingança.
Continua...
No próximo
capítulo:
— Na vida só importa que sejamos
verdadeiramente amados, não importa como e nem por quem — Sofia respondeu —.
Erramos, somos falhos, mas devemos aproveitar a oportunidade que a vida nos dá
para recomeçarmos — as palavras acompanhadas de um aberto sorriso denunciavam
que estava sim disposta a tentar outra vez.
De segunda a
sexta, aqui no blog!
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pela companhia, um forte abraço e até logo!

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