[WebLivro] Ambições - Capítulo 35 - Perguntas sem Respostas
Capítulo 35 – Perguntas sem Respostas
O disparo fora
dado a qualquer lugar, mas a demonstração de ameaça era o bastante para
imobilizar Sílvia, deixá-la assustada, sem coragem para enfrentar aquele homem.
O governador,
pensando nos escândalos que mais uma vez seu nome protagonizaria, imaginando os
efeitos colaterais que tal fato causaria na vida política que tão
minuciosamente construiu, apontava o revólver contra a esposa, decidiria o que
fazer.
— Pai — Whesley,
usando de humildade e cautela, aproximava-se de Cícero a passos vagarosos —.
Não faça nenhuma besteira, não vale à pena causar tragédias que depois não
conseguirá corrigir... Abaixe a arma!
— Você sabia que
a sua amada mamãe não passa de uma nojenta que joga o nome dessa família entre
os porcos? — levou o artefato fatal na direção do filho interrompendo, assim,
os seus movimentos —. É uma traidora!
— Não sei quem
inventou essa história, mas não pode acreditar em tudo que dizem...
— Ninguém
inventou nada! — estrondou a voz —. Ela quer se separar de mim, está ouvindo? A
família que você quer unir ela quer destruir!
— Não... Ela não
quer destruir, você a destruiu faz muito tempo! — Sofia, atraída pelo som do
disparo, adentrou o quarto, colocou-se atrás do irmão —. Deveria deixar de lado
a arrogância que possui ao achar que todos devem sucumbir às suas ordens e
entender que há coisas sobre as quais não temos controle. Se for o desejo dela
se separar nada do que você faça mudará isso, nem ameaças perigosas, nada!
— Quem é você
para falar alguma coisa? — o governante retrucou indignado.
— Pai, por
favor... — Whesley previa quais seriam as palavras.
— Pai? — Cícero
debochou —. Agora, sentindo medo, querendo poupar quem ama do sofrimento, sirvo
para ser chamado de pai?! — indagou com ironia —. Você não tem o direito de
palpitar, deu-nos às costas ao invés de ser grato por tudo que conquistou e nem
essa órfã pode falar coisa alguma, o que lhe fizemos foi caridade, se não fosse
por nós estaria até hoje esquecida naquele orfanato!
— Se não fosse
por vocês talvez tivesse encontrado pessoas muito melhores, dispostas a amar de
verdade — o jovem rapaz não se calou.
— Não, Whesley,
não queira jogar a culpa contra mim, não queira tornar as coisas em cenários
agradáveis, hoje ela pode entender o motivo pelo qual sempre foi rejeitada! —
falou com frieza, disposto a causar ferimentos.
— Já chega! —
até então calada, Sílvia não mais hesitou, não permitiria que aquela que
verdadeiramente amava ouvisse maiores absurdos, não poupou forças ao quebrar o
vaso de cerâmica na cabeça do repudiado marido.
Um gesto
corajoso.
Surpreendente.
“— Saia daí. Já
está feito! — Rodolfo ordenou e Elisa prontamente obedeceu”.
— Vocês vêm
comigo, não podem ficar com esse desequilibrado, na minha casa estarão seguras
— preocupado, Whesley logo ofereceu abrigo —. Levem apenas o necessário, depois
buscamos o resto.
Mãe e filha
acataram a recomendação.
Não eram capazes
de prever qual Cícero despertaria do desmaio: o zeloso com a própria imagem ou
o sedento por vingança.
∞
— Eu não
imaginava assistir algo tão emocionante, pensei que todos se matariam ali mesmo
— Elisa se divertia com os fatos, rendia-se aos planos maldosos de seu
manipulador.
— Já eu não
imaginava que pudesse ser tão convincente em suas palavras, Whesley não pôde
recusar ajuda —. Rodolfo ergueu a taça de vinho para um brinde.
— Falei que o
ajudaria em seus interesses, não falei? — colocando-se atrás do empresário, a
modelo ambiciosa passou a massageá-lo, ajudava-o a relaxar —. Será que agora já
pode confiar em mim?
— Mais que
confiar... — virou-se rapidamente —. Posso amá-la cegamente — beijou-a. Era um
perfeito estrategista. Fazia a ruiva se entregar cada vez mais às suas mãos.
Contudo algo saía do planejado. Apaixonava-se por ela.
∞
Arrumando as
poucas coisas que levara consigo no novo quarto, Sofia recebia a ajuda do irmão
e remoia as palavras que escutara de Cícero, talvez ele tivesse razão, falara a
verdade, talvez ela não devesse acreditar que fazia parte da família.
Sem perceber,
sentou-se na cama observando a foto que há tempos guardava, ali estava
retratado um dia de diversão: ela, ainda pequena, sorrindo alegremente, estava
sobre as costas do irmão que, extrovertido, demonstrava felicidade.
— Foi quando
conheceu o mar — Whesley se sentou ao seu lado, revisitou o agradável dia —. No
começo teve medo, não se sentiu tão confortável, mas ofereci que subisse nas
minhas costas, disse que seria os seus pés, você me ouviu, aceitou e, quando
estava distraída demais com as piadas que fazia, perdeu o medo, permitiu que as
águas mergulhassem seu corpo — o rapaz abriu um sorriso nostálgico —. Foi a
irmã que sempre quis ter...
Os olhos da
jovem garota se encheram d’água, por breves segundos reviveu os muitos momentos
do passado, confessou que em todos eles teve a compreensão e a amizade do
irmão.
— E se estiver
certo? — lançou sua pergunta —. E se fui mesmo rejeitada?
— Pode afirmar
que em algum momento eu a rejeitei?
— Você não sabia
a verdade...
— Mas agora sei.
Estou rejeitando a sua companhia?
Sem encontrar
resposta, Sofia repousou a cabeça sobre o ombro do mais velho, fechou os olhos
na tentativa de esconder o choro. Whesley, sempre tão carinhoso, envolveu a
menor com um dos braços, passou a acariciar seu rosto, compreendia a dor que
assolava aquele coração.
Sílvia, entrando
no cômodo, foi levada de volta ao passado, quando as duas crianças se aninhavam
daquela mesma forma enchendo-a de esperança quanto um futuro melhor, um futuro
de felicidade.
— Meus amores...
— meiga, fez soar sua voz; sutil, permitiu-se a participar daquele momento de
intimidade —. Não dêem ouvidos ao que disserem, não acreditem nas palavras que
não saíram da minha boca... Sempre amei vocês — abriu o coração, deu voz aos
nobres sentimentos —. Eu era infeliz, não sabia demonstrar amor, fiz tudo
errado e deixei de ser a mãe que mereciam, mas estou disposta a recuperar todo
o tempo perdido, não importa coisa alguma, vocês são meu maior tesouro, meus
filhos!
O discurso
comoveu os corações.
— Nós também te
amamos — sentindo-se melhor, Sofia declarou a verdade pela qual lutaria.
∞
— Estou surpresa
com sua recuperação, em poucos dias já apresenta boa melhora! — a boa senhora
se admirou pelo sadio Felipe.
— Jovens são
mesmo assim, quero ver quando tiverem a nossa idade — Rute brincou.
— Acho que é por
amor — Felipe teve que confessar —. Tem alguém precisando de mim, não poderia
me dar ao luxo de longos repousos.
— Talvez esteja
planejando enfrentar o Líder tão logo saia daqui, mas não poderá cometer esse
engano, sua vida não será poupada outra vez — a convicção com a qual a anfitriã
discursara espantou seus visitantes, parecia um anúncio do que estava prestes a
acontecer, uma profecia.
— Entendo que se
preocupe, nesses poucos dias conheci uma pessoa maravilhosa, aliás, duas
pessoas extremamente especiais, que se importam com as demais, mas não posso
deixar que Acsa permaneça em mãos maliciosas — o rapaz argumentou.
— Felipe, ela já
foi alienada, já é mais uma das que perderam a própria identidade, se ele
ordenar que o mate, ela obedecerá, não apenas ela, mas todos que o servem —
continuou em seu alerta —. Precisa dos seus amigos, precisa daqueles que ainda
acreditam no amor e que destemidos se dispõem em deter o Sistema!
— Não posso
arriscar... Até que os encontre...
A senhora perdeu
a paciência.
Agarrou as mãos
de Felipe.
Revelou as
visões que já conhecia.
O rapaz se
angustiou.
— Mas ela está
viva e pode ser recuperada, desde que esteja preparado para essa guerra!
Atordoado, o
guerreiro procurava por soluções imediatas.
Elas não
existiam.
— Preciso ir
embora, preciso encontrar os meus, antes que seja tarde! — era a fala mais
sensata que tivera.
— O rio é
agitado, longo, mas os levará até a cidade — a vidente instruiu —. A viagem
deve durar algumas horas, não importa, o importante é que acreditem na causa
que os move, que essa crença seja maior que qualquer perigo, qualquer desânimo,
qualquer incerteza — com a ajuda daqueles que recebiam seu auxílio, a senhora
lançou a canoa sobre as águas frias e cristalinas —. Diga à Samara que o amor é
nossa maior arma.
— Como a
conhece? — Felipe se interessou.
— Ajude Rute a
encontrar seu filho e quando se encontrar com Acsa não esconda o que sente por
ela — apontou para o rio —. O mundo os aguarda!
— Quem é você?
— Vão... — a
mulher deu às costas, subiu no cavalo, seguiu seu destino deixando perguntas
sem respostas.
Felipe e Rute
também prosseguiram.
Tinham vidas a
salvar.
∞
Estonteado,
Cícero se levantou.
Caminhou pela
mansão e não encontrou ninguém.
Tomou uma
decisão.
Estacionou o
carro.
Antes de descer
abriu o porta-luvas.
Tomou posse
sobre o revólver escondido.
Continua...
No próximo
capítulo:
Não amo metades, se for para amar
que seja completamente, também sofreria se perdesse quem amo, não sei se
suportaria — refletiu antes das próximas palavras, conferiu em seu ser que
seriam sinceras e verdadeiras —. Mas com você não pude resistir, mesmo temendo o
futuro preciso viver o presente ao seu lado... — involuntariamente,
ruborizou-se.
De segunda a
sexta, aqui no blog!
Livros
gratuitos:
Encontre
o blog pelas redes sociais:
Obrigado
pela companhia, um forte abraço e até logo!

Comentários
Enviar um comentário
Não deixe de expressar sua opinião, ela é muito importante!