[WebLivro] Ambições - Capítulo 65 - Final


Capítulo 65 – Ambições

Ambições.
Há um perigo talvez inimaginável por trás de toda ambição, até a mais ingênua, simples e inofensiva delas pode ser ameaça em potencial isso porque somos tentados a alcançá-la, a apalpá-la, custe o preço que for.
Muitos ambiciosos rejeitam tudo aquilo que aprenderam, desprezam a humanidade que possuem, desfazem do respeito que é necessário ter para com aqueles que estão à nossa volta e, de forma egoísta, dispõem-se a atitudes grotescas, trágicas, gestos que causam destruições impossíveis de corrigir.
Assim estava o mundo.
Vitimado por ambições individualistas.
E assim continuará.

— É uma pena que pessoas boas tenham perdido a vida ou sido vítimas de atrocidades vis para que meus olhos se abrissem e eu pudesse compreender que apesar dos perversos corações, existem aqueles nos quais a suavidade do amor impera — a senhora declarou encarando o surpreso Fernando —. Era eu. Eu era o Líder. Eu comecei esse pesadelo. E serei eu quem o findará eternamente! — assegurou.
— Não é possível — o homem ambicioso exclamou —. Isso é algum tipo de brincadeira? De onde veio? E como ousa me importunar?
— Nenhuma de suas perguntas me importa, não define quem sou, apenas remete a um passado que já não existe, tudo que precisa saber é que estou disposta a perdoá-lo por seus atos, pela tentativa de me assassinar, estou disposta a poupar sua vida desde que atenda ao meu pedido e permita que tudo se encerre com paz.
— Se quisesse mesmo intervir teria feito isso antes, teria se apresentado quando o Sistema não tinha toda essa força e veneração, agora é tarde, não vou abrir mão do que construí a partir de tantos esforços, se quiser acabar com isso terá que me confrontar antes, mas preparada para perder, ao contrário de você não tenho sensibilidade para misericórdias!
— É uma pena que não consiga compreender que devemos acreditar no amor, nem que o recebamos de apenas uma pessoa, nem que seja a forma mais simples de expressá-lo, é esse valoroso tesouro que deu forças a essas pessoas de aqui estarem e lutarem pelos seus e por aqueles que nem conhecem — a vidente se vestiu de seriedade —. Vão até a sala de controle e desliguem os satélites, do resto eu cuido! — começaria a batalha.

Ajudando Whesley a caminhar, Samara obedeceu ao mandamento embora tudo aquilo parecesse surreal. Seus amigos davam cobertura. Avançavam pelos corredores do esconderijo passeando entre corpos daqueles que foram vitimados pela aparição da vidente.
Mas não teriam que confrontar pessoas.
Teriam que lutar contra sentimentos.
Encontraram a cobiçada sala e não hesitarem em adentrá-la, estariam mais próximos do que nunca se não fosse pela presença de uma pessoa que atenta ao monitor do imenso computador alçou sua voz:
— Nunca pensem que será fácil, não importa qual seja a missão, estejam sempre preparados para o pior — ajeitou o microfone diante dos lábios —. Já temos o bastante, agora matem os resistentes — ordenou aos alienados e virou-se para os visitantes —. Se quiserem evitar uma carnificina farão exatamente o que eu disser! Não me venham com discursos emocionais, não estou alienada, não mais, essa sou eu! — era Acsa.

— Acha mesmo que pode me enfrentar? — Fernando, em questão de segundos, se colocou atrás da vidente —. Poupe-se de esforços inúteis — empurrou-a violentamente —. Deve imaginar o tamanho do ódio que sinto por você, não hesitarei em esmagá-la!
Erguendo-se dos destroços da mesa que destruiu ao se chocar contra ela, a mulher ergueu a mão direita, viu os fragmentos de madeira flutuarem e atacarem o Líder.
— Onde conseguiu seu poder? — divertindo-se com o semblante de dor que o perverso não pôde esconder, fez sua pergunta —. Protegi-o como se fosse um filho, no auge da minha cegueira aprendi a conhecê-lo como ninguém, era um homem como outro qualquer, não é possível que tenha escondido sua essência tão bem.
— De que adianta ser dotado de poderes extraordinários e não usá-los para o que podem proporcionar? — estendeu os braços —. Nunca subestime alguém com grandes ambições — moveu-os em movimentos circulares, a velocidade intensa causou os funis de vento que ergueram a senhora do chão e a lançaram contra a parede —. Ele pode criar seus próprios poderes!
— Falsificações não passam de ilusão, não são como os originais, sempre apresentam defeito e quando menos imaginamos eles aparecem — limpando a poeira da vestimenta, sentindo o corpo se afligir, a vidente se firmou sobre as pernas —. Qual seria o seu defeito? — abrindo a boca fez soar um som insuportavelmente agudo, Fernando fechou os olhos e tapou os ouvidos sendo consumido pela dor descomunal que parecia arrebentar seu crânio, das orelhas escorria sangue.
Suas pernas fraquejaram.
Caiu de joelhos.
Surdo.

Confuso, Felipe encarou a namorada, não sabia quais palavras declarar, como se dirigir a alguém que até pouco ordenou a morte de pessoas, não sabia o que estava acontecendo.
— Dêem meia-volta, retornem ao Líder e o ajudem a vencer o que quer que tenha se levantado e eu pouparei as vidas que poderão se perder, inclusive daqueles que fazem parte de seu vínculo — aquela era a exigência, o Líder pensara em muitas possibilidades, fizera a cabeça da oriental para que se rendesse aos seus argumentos e fosse o escape para qualquer emergência.
Mas ele se esquecera de um detalhe.
Lidava com pessoas dispostas a qualquer preço para salvar a humanidade.
Qualquer preço.
— Acsa, consegue entender a gravidade que existe em assumir uma postura tão cruel? — o jovem rapaz tentou um diálogo —. Eu a conheço, sei que é alguém de nobre alma, não importa o que tenha ouvido, o que tenham lhe dito, nesse lugar tudo é mentira, tudo é arma de manipulação, não permita que a corrompam!
— Não queira ser um moralista depois de ter me traído! — protestou —. Ele me contou, anos se passaram e você se esqueceu de mim, vi a foto, juntou-se à outra mulher — encarou Samara —. Ela, ela é sua esposa! Suas palavras foram mentirosas, foi você o manipulador, não queira me colocar contra quem abriu minha mente!
— Esposa? — Felipe não conteve o riso nervoso —. Anos? No máximo se passaram meses e em todos eles eu pensei em como salvá-la, em como tirá-la dessa prisão, não teve nenhum dia que eu não pensasse em você, que não rememorasse nossas conversas, o que vivemos juntos, não pode acreditar em alguém que não conhece nenhuma vírgula do que escrevemos!
— Ele me avisou que tentariam todo tipo de argumento, desistam e me obedeçam!

Angustiado por não ouvir, desesperado por não conseguir perceber o maior dos ruídos, Fernando se encheu de fúria, de ira, a maldade inflou seu peito.
— Enquanto tentam me parar milhares são mortos lá fora — esbravejou —. Carregarão essas mortes nas costas! — nem a própria voz conseguia ouvir —. O que você fez comigo? — encarou a vidente desejoso pela sua ruína —. O que você fez?! — flutuando sobre o chão, o Líder agarrou sua oponente, voou com ela contra a parede, levou a mão potente a sua garganta, impossibilitava-a de reagir.
A mulher não conseguia se concentrar para evocar as forças que possuía, o ar lhe faltava, a angústia de não respirar envolvia seu corpo.
Percebeu algo na roupa do opressor.
Lembrou-se que fora quem a construíra.
Na gola existiam botões.
Ela se convenceu de que Fernando potencializara a vestimenta que constantemente usava, era sua fonte de poder e força, era também o que o destruiria.
Apertou o botão que fizera por preocupação.
Sabia qual era o resultado.
Explosão.

— Ele a usou! — Samara se manifestou —. É um estrategista desprezível, consegue calcular cada passo do oponente, sempre soube que esse dia chegaria e que os inimigos o colocariam em situação complicada, a única forma de ao menos maximizar as consequências do Sistema seria colocando alguém como você para defender os satélites, alguém que não desejaríamos machucar, que não gostaríamos de enfrentar, está servindo de marionete!
— E se estiver fazendo isso por mim? — surpreendeu —. E se estiver cansada da maldade que há nesse mundo, das pessoas que nos afligem sem piedade, que nos confrontam sem a menor misericórdia? E se quiser mesmo que esse mundo seja destruído? O que me dirão? Que ainda sou uma marionete?
— Acsa, precisa me ouvir, precisa confiar em mim — mesmo conhecendo os riscos que assumia, Felipe avançou em seus passos, aproximou-se daquela que conquistara seus intentos —. É verdade. No mundo existem seres humanos dignos de desprezo, pessoas que não valem nada, que ferem e parecem impunes, mas e quanto àquelas que praticam o bem? E quanto àquelas que só querem amar? Merecem pagar pela maldade que há no mundo? Não deveriam ser fortalecidas para que contagiassem mais pessoas a serem como elas? — encarou os olhos marejados —. Não se passou tanto tempo e eu não me esqueci de você, ao contrário, guardei-a durante todo esse tempo dentro de mim, finalmente poderemos nos amar, seremos livres para o futuro que muito desejamos, permita-se a isso, deixe-me provar que meu amor é eterno...
A oriental se lembrou do passado.
Recordou-se do que fora apagado a partir da astúcia do Líder.
Rendeu-se ao emocionado abraço daquele que estimava.
A explosão foi sentida.
Amanda correu para o computador.
Foi capaz de desligar os satélites.

A estrutura subterrânea se abalou. Rachaduras surgiram. O som do desmoronamento começou a soar.
Correram.
Encontraram a vidente cheia de hematomas segurando a cabeça de Fernando.
Precisavam correr.
Um ajudava o outro.
Precisavam correr.

As ruas se acalmaram.
Pessoas tiveram de volta a consciência lhes roubada.

O esconderijo se rompia.
Atrás dos valentes resistentes a fortaleza ruía.
Avistaram a luz.
Deram o passo da vitória.
O Sistema chegava ao fim.

— Quem é você? — antes de partir, antes de dar às costas ao que representava tanta dor, Samara questionou a vidente, precisava de respostas.
— De que importa saber quem sou? Envergonho-me de mim, foi por minha causa que muitos choraram — falava com calma, sorrindo —. Importa saber que o amor me salvou, mudou minhas ambições, permitiu que eu pudesse corrigir um erro grotesco.
— Só preciso saber uma coisa: foi você quem controlou a mente do meu pai para que se matasse?
— Não, minha querida — levou a mão ao rosto cansado —. Jamais machucaria meu próprio filho — exibindo o semblante sutil, a vidente desapareceu deixando Samara com ainda mais dúvidas, deixando-a nos braços de Whesley.
— Podemos ir? — o rapaz perguntou, sentia-se exausto.
— Claro, preciso cuidar de você... — como sempre e para sempre cuidaria.


Depois de tantos dias no novo país, finalmente Elisa foi apresentada ao seu mentor, ao homem que a desejou ali, que precisaria de seus favores.
— Rodolfo? — espantou-se por dois motivos: pensava que o homem estivesse morto e nunca imaginou que o veria em uma cadeira de rodas.
— Seja bem-vinda, minha querida, desse lado do globo nada nos incomodará — o agente de modelos exibia satisfação.
— O que aconteceu? Poderia ao menos ter mandado notícias — aproximou-se do amante.
— Tudo tem a hora certa.
— E o Sistema? Não deveria salvá-lo?
— O Sistema foi um erro, um grave erro que tentei evitar, mas não se importaram — acariciou as mãos da ruiva —. Não existe maneira melhor e mais eficaz de dominar as pessoas do que falando exatamente aquilo que querem ouvir. É o que faremos...


Fim...?

Quero agradecer pela companhia de cada um de vocês que leram e comentaram nos capítulos dessa história cheia de intrigas, reviravoltas e ambições; aproveitem para dizer se desejam por uma segunda temporada e quais ideias surgem na mente criativa de vocês! Espero que tenham gostado e já aviso que em breve teremos novos WebLivros. Baixe esse, compartilhe com os seus amigos e leia onde e quando quiser, apenas clique aqui e tenha Ambições na palma da mão!
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Comentários

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