[WebLivro] Marcados Pelo Amor - Capítulo 21 - Ninguém Resiste ao Amor
Capítulo 21 – Ninguém Resiste ao Amor
Há fatos que nos
assustam, experiências que nos confundem, vivências que atraem e nutrem os
questionamentos, momentos que levantam dúvidas, desconfianças e incertezas
sobre o que é a vida, o que é viver, qual a segurança que temos de que a realidade
é mesmo real.
São fatos
intensos, que mexem com o nosso aparente imutável ser, que fazem nossos olhos
contemplarem o vasto universo de maneira conflitante. Fatos para os quais não
estivemos preparados, embora almejássemos, mas que nos ferem e nos transformam.
Ana sentia-se
confusa.
Desde a noite de
amor que tivera com Artur não teve coragem de encontrá-lo, encarar os seus
olhos, ouvir sua voz e desnudar os próprios pensamentos. Naquela noite sentiu o
quanto o amava, era imensurável e indescritível o tamanho de seu afeto por
alguém que não se distanciava de seus melhores desígnios. Era amada da mesma
maneira? Era estimada com a mesma violenta intensidade? Naquela noite descobriu
que o desejava mais que qualquer outro anseio, era com ele que queria desbravar
o futuro.
Se por um lado
sentia medo de que não houvesse reciprocidade, por outro teve a certeza de que
tal relação era perigosa, cheia de riscos e desafios imensos, poderia ser
fatal. Enquanto rendida aos afagos de Artur, libertando-se de opressões e
determinações, Ana chegou a concordar que seria capaz de qualquer coisa em nome
daquele amor, por alguns instantes, ainda que em silêncio, confessou que
poderia se encher de forças e ultrapassar os limites que acreditava contê-la,
sentiu medo de si mesma, da momentânea disposição alimentada pela experiência
que viveu, uma experiência que queria para sempre reviver, a experiência que
concedeu instantes de paz e alívio. Tal disposição poderia incentivar loucuras
irreversíveis.
— Ana... — Laís
bateu à porta antes de entrar nos aposentos da filha, estranhava o isolamento
da moça, a falta de alegria no rosto sempre esperançoso —. Podemos conversar?
A própria
companhia já não era o suficiente, a solidão já não trazia as respostas
acostumada a obter, precisava desabafar, precisava revelar um segredo íntimo,
algo que muitos repudiariam enquanto outros almejariam viver. Precisava
conversar, ninguém melhor que a mão, a única na qual confiava, para que
recebesse suas declarações.
— Mas é claro...
— sentou-se na cama sendo acompanhada pela baronesa.
— Tenho notado
certo distanciamento, desapontamento, desânimo... — acariciou o suave rosto da
filha —. Como vão as coisas com Artur? Sabe que torço por vocês.
Após um longo
silêncio, enquanto buscava pelo jeito mais sutil possível para que fosse
transparente, Ana encarou a boa mulher, segurou suas mãos, necessitaria de
apoio.
— Deve saber o
que sinto por estar sendo dirigida a uma vida que não almejo, deve conhecer meu
desespero ao imaginar que acordarei todas as manhãs ao lado de um homem que não
me desperta sentimento algum, deve compreender também que quanto nos
desesperamos, quando não vemos mais a luz e nem contemplamos o horizonte,
rendemo-nos aos nossos maiores desejos temendo não termos a chance de um dia
vivê-los... — emocionou-se, deu liberdade à fina lágrima para percorrer sua
pele —. Artur e eu passamos uma noite juntos, a melhor e mais decisiva da minha
vida, eu o amo incondicionalmente!
Perante tão
espantosa declaração, Laís recordou-se dos anos que se foram, quando na véspera
de ser entregue ao pior dos pesadelos não pôde resistir aos seus mais íntimos e
pessoais intentos, não pôde recusar aos toques de Heitor, às demonstrações de
um carinho profundo e eterno, quando foi derrotada pela paixão e também
alcançou uma certeza: aquele era o homem que a completava.
Emocionada,
enxergando-se naquela que amava, a baronesa trouxe Ana ao seu ombro, abraçou-a
com ternura, com compreensão, querendo esclarecer que em hipótese alguma a
desampararia.
— E se não for
verdade? — abriu o coração, deixaria passar as maiores preocupações —. E se ele
não me ama dessa forma dolorosa? E se por causa desse sentimento avassalador
for ferido, machucado, sacrificado?
— Minha querida,
precisa se acalmar, precisa esvaziar essa mente repleta de confusões, ao
entregar-se à filha do barão Artur assumiu um risco impensável, o que seria
isso se não amor?
— Desde aquela
noite não nos vimos, tenho sido receosa, agido com covardia, não pude estar ao
seu lado — tornou a encarar os olhos de Laís, olhos que brilhavam como o mel
fresco —. Sei que o que fiz não poderia ter acontecido, reconheço minha
fraqueza, mas quem vence o amor?
— Exato, ninguém
é capaz de passar por cima de um amor tão grande, não se culpe por isso, não se
condene por amar...
— O que devo
fazer?
— Fugir dos seus
sentimentos é inútil, não quero mais que essa tristeza domine seu olhar, quero
vê-la contente apesar de tudo, acreditando que sempre há um escape — preferiu
não revelar a proposta de Heitor, esperaria algum tempo, precisavam ser minuciosos,
cautelosos e prudentes.
¤
Pode alguém
escapar do amor? Inegavelmente, não. As pessoas podem recusar-se a um amor,
tentar se esconder desse sentimento que atravessa barreiras, mas o sentem,
sentem-no tanto que, por medo, negam, vestem armaduras, endurecem os corações,
mas no fundo sabem que amam e essa simples ideia as apavora.
Artur sabia que
amava.
Tentava esconder
que amava.
Mas amava
imensamente alguém que, em certos momentos, questionava-se se era merecedor, se
era digno, se não passava de insanidade.
Estranhava
aquele distanciamento, há dias Ana não visitava o rio e no anoitecer não abria
a varanda, aquele silêncio o ensurdecia, permitia que pensamentos contenciosos
gritassem em sua mente, esbravejassem em seu peito e trouxessem amargas perguntas
cujas respostas pareciam não existir. O que teria feito de errado? Seria uma
única noite capaz de esfriar os ardentes afetos? Precisava saber o que
acontecera, a falta de esclarecimentos o perturbava.
— Filho... —
debaixo do céu estrelado, limpo de nuvens, Adelaide se colocou ao lado do rapaz
pensativo, também fora capaz de perceber a mudança de comportamento, o silêncio
recorrente, dispôs-se a ser o auxílio de um jovem repleto de sonhos, mas que
estava impiedosamente aprisionado —. Sabe que não gosto de ver essa preocupação
em seu olhar, sabe também que pode confiar em mim...
Sempre almejou
por independência, ao invés de ser cuidado e protegido, queria ajudar e
defender a amada mãe junto ao estimado irmão, acreditava ser forte,
autossuficiente, mas confrontado pelo amor precisou voltar atrás e reconhecer
sua fragilidade.
— Nunca imaginei
que fosse afirmar tamanha loucura, mas estou sofrendo... — levou os olhos
ofuscados à mãe —. Sofrendo por amar... — forçou o desanimado sorriso.
— O que houve?
— Não vejo Ana
há dias e nem notícias tenho recebido, se ela soubesse o quanto essa situação
me incomoda... — refletiu sobre o que diria, precisava de ajuda, um auxílio que
somente alguém experiente poderia conceder —. As coisas ficaram estranhas,
talvez o amor tenha acabado depois de uma noite que passamos juntos...
Adelaide se
assustou, sentiu medo, cogitou repreender o filho e apontar todos os perigos
aos quais se arriscou, mas foi compreensiva, conhecia a potente força do mais
nobre dos sentimentos, ninguém o resistia, era impossível.
— Mesmo com
todas as ameaças, com todos os perigos, essa moça se rendeu à sua companhia,
deixou-se vulnerável à sua presença, ela o ama de forma corajosa... — recolheu
a serena lágrima do rapaz que sentiu o coração se acalmar —. Seja paciente, o
amor exige isso de nós...
¤
Se o amor tudo
suporta nada o pode conter, prender, encarcerar, acorrentar... Se o amor tudo
vence não é o tempo, não são as dúvidas, as incertezas nem o medo que o apagam,
ele é forte, imbatível.
Lançando pedras
sobre as águas corriqueiras, sentado à beira do confidente rio, Artur sentiu o
aroma inconfundível e as mãos sempre reconhecíveis pousarem sobre seus olhos.
Sorriram.
Encaram-se.
Beijaram-se
saudosos.
Continua...
##
No próximo capítulo:
—
Não se importe de sentir medo, não tente se privar dos receios, eles estarão
sempre ao nosso encalço, mas não permita que tais angústias a afastem de mim,
coloquem em incerteza o que não me canso de confessar, eu estou aqui... —
cobriu a mão que acariciava seu rosto, envolveu-a afetuosamente, era um gesto
de proteção, a promessa de segurança —. Esse amor que vivemos é mútuo, não
queira carregá-lo solitariamente, precisa confiar em mim, quero que conte com
meu auxílio, que ao menos procure nesse pobre apaixonado o conforto de que
precisa, farei sempre o possível para ver um sorriso nesse rosto lindo — beijou
amoroso a mão que não se enfadava de segurar —. Exatamente como esse que seus
lábios acabaram de desenhar... — beijou-a romântico, transbordou todo seu
afeto.
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