[WebLivro] Marcados Pelo Amor - Capítulo 59 - Destino
Capítulo 59 – Destino
Há quem não acredite em destino, que dê razão às
coincidências do caminho, mas quando algo que muito queremos não dá certo e lá
na frente somos surpreendidos por algo melhor não pode ser obra do acaso, não
pode ser uma mísera combinação, fomos predestinados àquele fim, fomos
predestinados ao que de melhor poderíamos abraçar. No passado, quando não
entendeu se quer uma vírgula da própria história, Rute se martirizou com o
sofrimento que experimentou, mas os anos se passaram, seu destino era conhecer
Victor, o homem que lhe devolveria o sorriso, que traria de volta a crença no
valoroso sentimento que faz desconhecidos se unirem e serem um só.
Enquanto as almas predestinadas ao encontro criavam
maneiras para que o amor fosse vivido, Felipe e Sara, acompanhados pela velas
repousadas sobre a mesa, saboreavam o jantar, apreciavam a companhia um do
outro.
O jovem adolescente, quando vira a amiga ser levada
por homens de terríveis intentos, encheu-se de angústia, elevou súplicas para
que nada de mal sucedesse àquela que o conquistara de uma maneira diferente,
que chamara mais do que sua atenção, atraíram um olhar apaixonado. O medo que
sentiu superava qualquer sentimento, não temeu perder uma amiga, temeu perder
alguém que adoraria ter ao seu lado pelo resto da vida, construindo as
maravilhas do futuro.
— Fiquei preocupado — quebrou o silêncio que marcava
presença —. Sei como eles são maldosos, não poupam agressividade ao castigar
quem se mostra contrário aos seus ideais, nem quis imaginar o que poderiam
fazer...
— Não tiveram a menor chance, afaste esses
pensamentos de sua cabeça — amistosa, cheia de simpatia, querendo que o amigo
especial se aliviasse das tensões, Sara permitiu que sobre a mesa os dedos se
tocassem, não esperava que através do singelo toque as mãos formigassem e o
coração palpitasse de maneira nunca antes percebida —. Victor chegou a tempo,
quase morreu por minha causa, mas o que importa é que estamos todos bem!
— Isso também é importante, mas há algo ainda mais,
algo que tenho escondido de você por medo ou insegurança, algo que hoje ganhou
proporção maior e me fez ter certeza sobre o que sinto — não se contentou com o
toque entre os dedos, entrelaçou-os encarando as íris azuladas que refletiam as
chamas das velas —. Não fiquei preocupado por simplesmente ser minha amiga, não
fiquei preocupado por sentir que nossa amizade é importante demais para que
acabe... Não sei ao certo como dizer, nem por onde começar, mas desde que a
conheci soube que não queria ser apenas um amigo. Não entendia direito, estive
confuso até quando meus olhos acompanharam sua partida, a partir daquele
momento descobri que me preocupo com você porque quero tê-la para sempre em
minha vida, mas não como amiga, quero que seja a pessoa que amarei pela
eternidade... — confessou seu segredo, declarou palavras com o poder de marcar
um coração.
Atenta a cada verbo, recebendo com interesse cada
frase, Sara concluíra em silêncio como aquela fala se encerraria. Enquanto
Felipe falava, seu coração acelerava, um friozinho ansioso tomava conta de seu
íntimo e o sorriso no rosto denunciava o prazer que era ouvir aquela voz.
Quando o discurso se encerrou, a jovem garota encarou seu admirador, o
sentimento era mútuo e ele precisava saber.
— Ao conhecê-lo me senti atraída, primeiro pela sua
história, por considerá-lo forte e corajoso ao ponto de se rebelar contra uma
realidade que poderia esmagá-lo e lutar pela liberdade que tantos desejam.
Achei que o considerei amigo pela admiração, mas logo percebi que não era apenas
isso, seu jeito me encanta, a forma como me trata é sutil, de admirada passei a
ficar encantada para então entender que me apaixonei...
Tímidos por desnudarem as almas, envergonhados por
abrirem os corações e revelarem seus segredos, os jovens adolescentes riram
constrangidos, mas os olhares voltaram a se fixar, o que sentiam um pelo outro
se manifestou mais forte que qualquer constrangimento e os atraiu como imãs. Os
lábios se uniram e o doce gosto do amor foi saboreado pela primeira vez por
aqueles que tiveram a chance de conhecer o próprio destino ainda tão cedo.
Voltando dos aposentos de Victor, Rute precisou
interromper os passos ao flagrar o jovem casal se rendendo ao prazer do amor, o
mesmo sentimento pelo qual sofrera, o sentimento que agora causava seu
contentamento. No coração, desejou sorte à filha, desejou também ter a
liberdade de abraçá-la como mãe, festejar aquele novo capítulo que se iniciava,
mas se convenceu de apenas sentir alegria, evitou demonstrá-la como gostaria.
¤
Dentro da igreja, levando consigo tantas angústias e
preocupações, acreditando que no templo sagrado estaria segura para ser quem
realmente era e externar o que de fato sentia, Laís suplicou ao padre Miguel
que a ouvisse, não como se fosse fazer uma confissão, mas como uma filha que
vai aos pés do pai em busca de sábios conselhos.
— O que a incomoda, minha filha? — sentados no
primeiro banco da igreja, o religioso levou a atenção à mulher de espírito
atribulado —. Sempre pôde confiar em mim, não será agora que estará sozinha.
— Sei disso, e é exatamente pelas suas palavras que
estou aqui, preciso desabafar o que me oprime, aquilo que pode me enlouquecer
em razão das dores que provoca — a baronesa começou —. O senhor sabe o quanto
tentei evitar meu próprio casamento, contei até mesmo com a sua ajuda, mas não
foi possível combater contra as ordens tiranas. Fato é que me casei sem amar
Frederico, pensei que com o tempo as coisas fossem mudar, meu coração mudaria,
mas o que é de verdade nunca se transforma, a verdade é imutável! Meu amor por
Heitor apenas cresceu, na noite anterior ao casamento dormimos juntos... —
lágrimas de culpa começaram a cair —. Estávamos desesperados, pensamos que
nunca mais nos veríamos, que ficaríamos para sempre saboreando a dor da
separação. Aquela noite fortaleceu o que já sentíamos, aumentou a paixão,
acresceu nossos desejos e nunca mais pudemos resistir à atração de nossos
corpos, ao anseio de nossas almas que a todo o instante suplicam para que
estejam juntas... Nós ainda nos amamos, mesmo sabendo o quanto é perigoso,
ainda nos desejamos e eu não sei mais o que fazer para evitar uma tragédia.
O padre Miguel, que já havia escutado as palavras de
Heitor, não demonstrou que conhecia a história, ao contrário, ofereceu a mesma
atenção àquela que tinha por filha, de quem o sofrimento acompanhou, de quem
lágrimas tantas vezes colheu.
— Distanciar-se, reprimir-se, tentar extinguir o que
sente, nada disso é uma solução — o religioso cobriu as mãos de Laís, oferecia
compreensão e conforto —. Contra o amor não há vencedor, até quando não
entenderão isso? Quando falamos de amor não podemos deixar de lado as loucuras
que por ele fazemos, os riscos que por ele corremos, as regras que por ele
ignoramos. Amar não é simples, de tão complexo acabamos sofrendo e quanto mais
tentamos fugir dele, maior fica o sofrimento. Vocês se amam desde sempre e para
sempre, não posso convencê-la do contrário, seria inútil, é como dar murro em
ponta de faca, lutar contra o amor nos garante desastrosas derrotas.
— E vivê-lo, no meu caso, coloca-nos em posição de
perigo.
— Nunca achei que fossem capazes de diminuir o que
sentiam, sempre soube que encontrariam uma forma para que estivessem juntos,
por que toda essa preocupação agora?
— Frederico sabe de tudo e suas ordens foram claras.
Temo pela vida de Heitor.
— Tema, também, pela sua vida, pelo que deixará de
viver em virtude do medo. Precisa ser cautelosa, estratégica, precisa manter
esse amor vivo em seu coração, precisa ver que um dia será completamente livre
para vivê-lo.
— A cada dia perco a esperança.
— Não deveria — o padre sorriu ligeiramente —. Se a
verdade é imutável, a mentira é frágil em sua construção — afirmou —. Até hoje
viveu mentiras, elas não se sustentarão para sempre, a verdade que clama em seu
peito desabrochará — apontou para a entrada da igreja —, nem que para isso eu
precise regá-la.
Pelas portas entrava Heitor.
Os eternos amantes logo foram tomados pelas tantas
boas emoções que um ofertava ao outro, emoções que nada seria capaz de ofuscar.
Continua...
##
No próximo capítulo:
O amor de Laís
e Heitor, sentimento nutrido desde que eram dois sonhadores adolescentes,
sentimento antigo, era sincero, era cheio de honestidade, era verdadeiro. Tal
amor vencera tantos desafios, até mesmo o perigo enfrentou, não seriam as
ameaçadoras ordens de Frederico que o minguaria, que o diminuiria, não seria a
hostilidade de um homem miserável maior do que a nobreza de tão íntegro afeto.
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