[WebLivro] Marcados Pelo Amor - Capítulo 71 - O Amor é Libertador


Capítulo 71 – O Amor é Libertador

Enquanto uns padeciam simplesmente por amar, outros saboreavam dos deleites que experimentar o doce amor pode proporcionar. Enquanto uns choravam lágrimas de fogo em nome desse sentimento tão incompreensível à fragilidade humana, outros sorriam agraciados por terem a sorte de provar do alimento da alma.
Era o caso de Felipe e Sara.
Dois jovens apaixonados.
Seduzidos pelo que de melhor poderiam viver.
Sempre tão cuidadoso com aquele que despertara seus afetos, Felipe a ensinava como tocar o cobiçado violino, quando necessário ajeitava o corpo da namorada, mas a garota evoluía bem, já sabia ler as partituras musicais e conseguia fazer soar algumas melodias, aos poucos se transformava em uma talentosa musicista, seu sonho era em se apresentar ao lado do rapaz com quem descobriu o amor.
— Nem acredito que estou conseguindo! — finalizando a música, Sara comemorou animada —. Nunca pensei que pudesse tocar algum instrumento, achava extremamente difícil, mas vejo que me enganei — interrompeu o próprio falar, as palavras apressadas, dirigiu o olhar sereno àquele que adorava ouvi-la, que adorava admirar a alegria em seu rosto —. Deveria ter aparecido muito antes! — sorriu apaixonada.
— Eu acho que apareci no momento certo e da melhor forma possível — aproximando-se da donzela, Felipe acolheu suas mãos, possuía a mesma face apaixonada, o mesmo olhar que reluzia aquilo que aumentava e se fortalecia no peito —. Fico feliz que esteja descobrindo seus dons, o mundo será o maior beneficiado quando, com sua beleza majestosa, subir nos palcos e ofertar a magia da música — ele era um verdadeiro poeta, alguém que não se acanhava ao declarar o que sentia, alguém que não sentia vergonha de desnudar a alma diante àquela a quem se rendera. Sutil, acariciou o rosto de Sara, sentimental, abriu o coração —. Você faz com que eu me sinta humano.
Sempre que estavam naquela proximidade, envoltos pelos sentimentos que os ligavam, a garota sentia as pernas estremecerem, não era por medo ou ansiedade, mas pela intensidade das emoções que se manifestavam.
— Você é tão lindo... — não resistiu aos instintos e levou os dedos finos à face que com ternura observava, seu sorriso envergonhado não deixou o semblante, mas as palavras que revelariam seus mais íntimos pensamentos foram libertas: — Lindo por fora e ainda mais atraente por dentro. Quero que para sempre se sinta o que é, não por mim, mas por você mesmo. Sua alma é nobre, tê-lo em minha vida me faz a mais rica mulher...
— Confesso que sentia medo sobre o futuro, não fazia planos de amar alguém e com essa pessoa ter uma família, sempre achei que não fosse digno, acreditei que estava condenado a uma vida que não escolhi, cheguei a desejar pela morte — seus olhos marejaram, reluziram pelas lágrimas que neles se acumularam, mas o rosto continuou exibindo o prazer que dominava aquele espírito —. Só que uma reviravolta aconteceu e eu tive o prazer de conhecer a mais bela garota, a que transformou descrença em anseio, se antes eu não acreditava em futuro — interrompeu o carinho que fazia —, hoje quero vivê-lo todos os dias... — romântico, trouxe a amada para mais perto, no meio do jardim beijou-a apaixonado, o beijo que balançou as estruturas do coração e aqueceu as almas, afastou o inverno, trouxe o calor do amor.
Um beijo, também, contagiante.
De seu quarto Rute conseguia contemplar o jardim, ficou grande tempo observando os jovens adolescentes no exercício da música, não conseguiu ouvir o diálogo que entre eles transcorria, mas tinha certeza de que as palavras eram agradáveis de se ouvir, os semblantes contentes denunciavam tal hipótese, seu coração de mãe regozijava pela felicidade da filha, regozijaria ainda mais se a verdade fosse exposta. Assistindo ao beijo sentimental que deixara o jardim ainda mais belo, a mulher mascarada se afastou da janela, caminhou até a sala do casarão que mantinha escuro, depois de tantos anos abriu o piano que passara a servir de enfeite.
Contagiada pela força do amor, um sentimento ao qual conseguira se permitir outra vez deixando o passado para trás, Rute se sentou perante as teclas que há tempos não dedilhava. Esticou os dedos. Massageou o pescoço. Lembrou-se da melodia que a marcara desde quando começara a tocar. Depois de tantos anos expulsou o silêncio que imperava sobre aquela casa.
Mantendo os olhos fechados, deixando-se levar pela música que penetrava em seus ouvidos e tocava a alma necessitada de refrigério, a talentosa mulher confessou no coração o quanto era bom amar, o quanto era maravilhoso se sentir amada e o quanto era prazeroso que todos a sua volta pudessem se amar. Confessou que o amor é libertador.
Encantados pelo som que seduzia, os namorados foram atraídos ao casarão, ficaram admirando aquela que fora vítima de tristes episódios, mas que finalmente conseguia se libertar de todos eles a fim de viver incríveis novidades.
Soou a última nota.
Abaixou o rosto desfrutando do som que ecoava em sua mente.
Foi aplaudida pelos fãs que ganhara.
— Dona Rute... — emocionada, feliz por acompanhar a transformação de sua ama, Sara se dirigiu ao seu encontro, abraçou-a dominada pelo contentamento que experimentava por ter a certeza de que a mulher teria uma nova vida, aproveitava a chance para se livrar das amarras.
Rute, retribuindo ao abraço com a mesma intensidade, não conseguiu conter o choro de regozijo, quando mais jovem amava tocar, era seu maior deleite, uma satisfação que retornara ao seu ser trazendo mais forças, mais coragem e mais ousadia a fim de viver o tempo que se fora.
— Não me chame de dona Rute, não mais... — encarando as íris azuis herdadas de seu pai, o homem que se levantara contra o fruto de um amor não correspondido, a mascarada se vestiu de valentia, desfaria todas as mentiras, revelaria a merecida verdade —. Eu menti, sua mãe não a abandonou, ao contrário, esteve sempre ao seu lado, por todos esses anos, porque ela sou eu! — revelou a verdade, revelou-se, espantou.

¤

Atendendo ao pedido de Ana para que fosse à cidade em busca de informações sobre o paradeiro de Heitor, Bruno procurou pelo padre Miguel que, revoltado pelo que sucedera à baronesa, sugeriu que o rapaz procurasse por Victor, o homem que há poucos dias procurara pelo religioso para que ele atendesse ao desejo do enfermo e rezasse por ele.
Sem pestanejar, Bruno se dirigiu à casa do Protetor, teve sorte de encontrá-lo ali, sentiu-se aliviado por descobrir que o anúncio de Frederico não passara de uma mentira arruinadora, Laís teria total liberdade para voltar a acreditar no que sempre almejou.
Heitor, por sua vez, sempre repudiando as ações do barão, irou-se ferozmente quando ouviu os relatos, foi capaz de sentir a dor da mulher amada, se não fossem os conselhos que recebera partiria rumo à casa grande, com as próprias mãos procuraria pela justiça. Mas precisava se recuperar, ainda não estava bem, tão logo estivesse nada seria capaz de detê-lo.
— A baronesa será aliviada quando souber a verdade, tenho certeza de que a alegria voltará ao seu rosto. Por que não escreve uma carta? — Bruno sugeriu —. Ela deve reconhecer sua letra, garantirá momentos de consolo.
Compreendendo que aquela era sua única opção, Heitor deslizou a pena sobre o papel, derramou ali o que sentia seu valente, enfurecido e apaixonado coração.

Cumprindo sua missão, tendo consigo uma mensagem libertadora, o rapaz andou pelas ruas agitadas de São Pedro quando alguém impediu o progresso de seus passos, segurou-o pelo braço, chamou sua atenção.
— Bruno — era Pedro, aquele a quem perigosa e proibidamente amava.


Continua...


##
No próximo capítulo:

— É complicado continuar — com os olhos avermelhados, cheios de lágrimas que a intensa amargura da saudade é capaz de causar, o rapaz enlutado precisou forçar a voz embargada, sua garganta parecia densa, sufocada, carregada por tantas lamúrias —. Estávamos sempre juntos, compartilhávamos tantos bons momentos, mas agora tudo não passa de simples recordações, lembranças que nunca mais se repetirão... — a lágrima escorreu —. Precisava dela ao meu lado, agora mais do que em qualquer outra hora, precisava de sua voz anunciando que ficaria tudo bem, que seríamos muitos felizes, que a vida seria vivida da melhor maneira — precisou levar as mãos aos olhos, tentou conter o choro que não mais pôde segurar —. Mas tudo que tenho é silêncio, um estrondoso e angustiante silêncio.

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