[WebLivro] Marcados Pelo Amor - Capítulo 82 - Tortura no Corpo e na Mente


Capítulo 82 – Tortura no Corpo e na Mente

— Nós nos casamos, nada do que fizer desfará isso! — Ana, achando que estava certa, acreditando que deixara o barão sem meios através dos quais se colocaria contra a sua união com Artur, fez o anúncio já conhecido pela mente perversa.
— Acha mesmo que a loucura que cometeram será aceita por mim? — a passos lentos, aproximava-se do casal —. Acha mesmo que pode se colocar contra as minhas decisões dessa maneira? — encarava a jovem mulher repudiando os seus atos —. Eu já determinei quem será o seu marido e isso vai acontecer!
— Você não pode ir contra os princípios divinos!
— Eu posso o que eu quiser! — falou ente os dentes —. E se quiser que esse sujeitinho miserável sobreviva você romperá agora mesmo seja lá o que existe entre vocês, desfará todas as declarações de afeto, todas as promessas insanas em nome de um sentimento nefasto, no lugar de tudo isso deixará claro o seu repúdio!
— Eu nunca faria isso! — firme, Ana discordou —. Não há como romper o amor, não há como desfazer o amor, não há como deixar de viver o amor! Eu amo Artur, sempre amei, para sempre vou amá-lo, suas ameaças não diminuirão os meus sentimentos, suas ordens não abalarão o que sinto, ele é o homem ao qual me entreguei, ele é o homem digno de me ter em seus braços! — provocou destemidamente.
— Você é uma nojenta! — ergueu o braço, cederia um tapa contra a face de Ana.
Mas Artur, contagiado pela valentia da esposa, sem mais temer a morte já que o amor de Ana seria seu para sempre, agarrou o braço do barão, segurou-o com força, encarou os olhos irados com a mesma ira.
— Enquanto eu viver, enquanto eu estiver ao lado de Ana, nenhum miserável tocará nela para agredi-la, para causar sua dor, nem que esse miserável seja o seu pai!
— Faz ideia do erro que está cometendo?
— Amei essa mulher em silêncio por todos esses anos, contemplei sua tristeza em muitos momentos, vê-la presa às suas asperezas apenas me irou, mas sempre tive que me conter, sempre precisei me esconder, porém estou farto da sua arrogância, estou cansado de ver gente fragilizada sofrendo nas suas garras repulsivas! Essa é a última vez que você tentou machucar a mulher que eu amo! — como um homem obstinado, pronto a defender o que é seu, Artur intercedeu pela esposa.
Sentindo o coração acelerar, Frederico se soltou do escravo, abriu a boca para atacá-lo, mas precisou se calar ao grito apavorante de alguém.
O guarda estava atento ao diálogo apreensivo quando, sem o direito de se defender, sentiu o corpo ser atravessado por uma espada que da mesma forma ligeira com a qual o invadira, o deixara. Vomitando sangue, o homem tombou. A porta se abriu. O Protetor se apresentou.
Ligeiro, o guerreiro rasgou a garganta de outro, pouco se importou com o sangue que derramava, para si a vida dos inocentes valia muito mais que a dos perversos. Guardando a espada na bainha, usou o corpo do morto como um escudo para os muitos disparos lhe ofertados, usando de destreza sacou o próprio armamento e, certo no que fazer, efetuou disparos.
Atrás de si apareceu Bruno, dando-lhe auxílio, desviando de tiros e efetuando os próprios, tinha um alvo, mas antes precisava derrubar os obstáculos.
Sebastião, percebendo as intenções do opositor, escondeu-se num dos cantos da sala que se transformava em um cenário de guerra.
Cercado por violência extrema, surpreendido pelo ataque que não esperava, vendo que perdia homens naquele confronto inesperado, Frederico puxou a filha para si, antes que Artur avançasse tirou do bolso o canivete afiado e reluzente, colocou-o no pescoço de Ana, não hesitaria em seu ato doentio se assim precisasse.
— Já chega! — bradou —. Ou uma cabeça vai rolar!
Espantados, Victor e Bruno interromperam seus ataques, foram obrigados a largar os armamentos, estavam ali para libertar os oprimidos, não para causar sua morte.

Laís, dirigindo-se à senzala, abraçou a única escrava que ali ficara, ambas recorreram ao conforto que poderiam conceder mutuamente, à esperança de que necessitavam para vencer aquela noite turbulenta, anunciada como o início da liberdade, apresentada como o fortalecimento da opressão.
Ouviram os disparos na casa grande.
Começaram a suplicar por compaixão, cada uma com sua fé.

— Se reagirem eu mato essa rebelde! Prendam-nos! — embrutecido, o barão determinou, não via nãos mãos a filha que acreditava ter, via apenas mais uma rebelde inconsequente que pagaria com a vida o preço de sua ousadia.
Bruno e Victor, rendidos à opressão, preferindo o próprio sacrifício ao ver a morte de alguém com puro coração, tiveram suas mãos amarradas, imobilizadas, ficaram vulneráveis a qualquer ato covarde.
— Tirem a máscara desse desgraçado!
Contra a sua vontade, Victor teve a identidade revelada para o espanto de Frederico que não tardou em reconhecê-lo.
— Como fui ingênuo! — lamentou —. Levem-nos à masmorra, logo colocarei minhas mãos nesses desprezíveis! — ordenou.
O medo tomava os semblantes.
O futuro antes certo agora se transformava em verdadeira incógnita.
— Quanto a você, uma pecadora idiota, terá o que merece! — vomitou suas palavras ao ouvido da moça —. Acompanhem-me todos! — começou a andar dominando os passos de Ana —. Ao menor gesto de rebeldia meus homens não pouparão severas respostas!
As estrelas pareciam ofuscadas.
A lua parecia sombria.
Era uma noite terrível.
Anunciando quais seriam suas ações, qual seria a punição que concedera à jovem mulher, Frederico amarrou-a ao tronco que a tantos viu conceder dor, que a tantos assistiu tirar a vida sem a menor piedade. Rasgou os seus vestidos desnudando suas costas.
— O mal é com o mal que se paga! Sempre lhe dei o que de melhor possa existir, sempre a eduquei para que fosse uma mulher respeitada e admirada no seio da sociedade, para que orgulhasse o meu nome, para que prosperasse nossas riquezas, mas o que você fez? — puxou os cabelos de Ana para trás, vociferou aos seus ouvidos —. Jogou-se no lamaçal e se deleitou com os porcos! — as palavras feriam, humilhavam, causavam o choro que molhava o rosto sereno —. Tentou me trapacear! — falou decepcionado tirando da cintura a chibata que a tantos cortou —. Tentou me arruinar! — encarou as íris douradas que refletiam a luz dos lampiões —. Mas provará do próprio veneno e será arruinada! Como sou um homem digno, que cumpre com o que fala, espero dos outros homens a mesma dignidade — dirigiu-se a Artur —. Você disse que enquanto vivesse ninguém a machucaria, que enquanto vivesse eu nunca colocaria as mãos nela — deu-lhe o chicote —, cumpra com suas palavras! — falou audacioso, vitorioso, satisfeito por ofertar angústias —. Chicoteie-a! Evite que os outros a machuquem! É sua chance de provar sua dignidade!
— Você é baixo! — cerrando os dentes, sem forças para evitar as lágrimas que desciam de seus olhos revoltados, Artur não hesitou ao usar o chicote para agredir a face do barão, gesto que atraiu Sebastião para si, contendo-o com fúria.
Levando a mão ao rosto, sentindo a ardência da agressão que sofrera, Frederico abriu um sorriso enlouquecido, passou a gargalhar insanamente, era a manifestação de uma raiva nunca antes experimentada, raiva de uma humilhação causada por um escravo.
— Vai fazer o que eu mando! — aproximando-se do rapaz, apertou seu rosto —. Não me importarei em perfurar o peito dessa ingrata e entregar a você o coração que por certo sempre quis ter em mãos! — sua maldade causava arrepios —. Quer ela viva ou morta?
Como uma criança angustiada, Artur começou a chorar, sua mente conturbava-se violentamente, sua alma fervia desolada, seu espírito afogava-se com tantas angústias. Foi solto por Sebastião. Fechou os olhos. A fim de salvar a vida de Ana teria que agredi-la como jamais imaginara.
— Perdoe-me! — com a voz embargada, suplicou.
— Faça o que é necessário! — derramando o mesmo choro, Ana falou.
A primeira chicotada.
— Não é para fazer carinho! — o barão protestou —. Não me importo em rasgar o peito dela agora mesmo, então faça o que estou ordenando e como estou ordenando, essa é a sua última chance de salvar aquela que prometeu proteger! — ordenou astutamente.
A ordem precisou ser cumprida.
Adelaide, assistindo à cena, viu o cumprimento das visões.
Laís, contemplando o horror, sentia a dor do casal.
Ana mordia os lábios, não gemia, não demonstrava a dor que sentia por ter as costas feridas, não queria que Artur vivesse atormentado pelo que acontecia. Dos machucados vertia sangue, dos lábios feridos corria o líquido da vida. Ana não aguentou mais conter a dor que tomava sua carne e perfurava sua alma, gritou com desespero em meio à opressão, tombou a cabeça como se rendesse a vida.
Artur, tendo as vistas bagunçadas pelas lágrimas que tomavam seus olhos, queria fugir, não acreditava que era o causador do sofrimento daquela que prometeu amar pela eternidade, não conseguia aceitar que era o formador dos vergões que se formavam sobre as costas nuas. Ao contemplar o sangue correr sentiu um soco no estômago, a tortura era para ambos, tortura no corpo e na mente. Ao ouvir o grito desesperado, Artur vestiu o semblante angustiado que sua mãe vira nas revelações, sua alma clamou por misericórdia, Ana precisava resistir.
— Já chega! — Frederico determinou —. Ela precisa estar viva para sentir a dor que ainda virá!


Continua...


##
No próximo capítulo:

— Não foi loucura nem uma traição, foi apenas o resultado de anos de injustiça, anos de uma dor insuportável que muitos precisaram aguentar, mas que já não aguentam — a baronesa respondeu —. A cada dia você se revela um desalmado, um sujeito mesquinho que não possui humanidade. Olhe para Ana! Olhe o resultado da sua insanidade! Até quando punirá as pessoas pelas suas insuficiências? Até quando fará o mal por não ser feliz? Até quando jogará a culpa da sua covardia nas costas dos outros?

De segunda a sexta, aqui no blog!



Livros gratuitos:

Encontre o blog pelas redes sociais:

Obrigado pela companhia, um forte abraço e até logo!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

[Conto] Vazias de Amor

[Conto] Homens de Paz

[Conto] Fascínio Coibido