[WebLivro] Marcados Pelo Amor - Capítulo 79 - O Baile de Máscaras - Parte 1
Capítulo 79 – O Baile de Máscaras (Parte 1)
É nas festas que alcançamos descanso da rotina
pesada que carregamos. É nas festas que reencontramos velhos amigos e colocamos
em dia nossas conversas. É nas festas que temos a oportunidade de encontrarmos
pessoas com mesmas afinidades que as nossas e construirmos novas amizades. É
nas festas que nos divertimos, brincamos, sorrimos e nos distraímos.
Era uma noite de festa. Na fazenda do barão de São
Pedro.
Como recomendado no ato do convite, os convidados
usavam diferentes máscaras, cumprimentavam o anfitrião sem revelar a
identidade, alguns Frederico reconheceria até no escuro, já outros ficava se
perguntando sobre quem poderia ser. Conforme o sol desaparecia a casa se
enchia, alguns escravos voltavam à senzala enquanto outros tomavam suas
posições na casa grande a fim de servirem a homens e mulheres que, sedentos por
uma noite de descontração, jamais recusariam ao baile organizado por uma das
mais influentes famílias da região, uma família de aparência, aparência que
naquela noite poderia desaparecer para sempre.
Ana, usando um vestido vermelho, escondendo o rosto
atrás da máscara que usava, observava ao redor à procura do esposo, do homem
que nunca teria dificuldades para reconhecer.
— Donzela — Pedro, também disfarçado, trouxe de
volta a moça que se perdia em tantas faces e se preocupava por não encontrar
Artur —. Aquele a quem procura está a caminho, mas pediu para que dançássemos
juntos até que ele apareça — fazia parte do plano, tudo para que desconfianças
não fossem levantadas.
Aceitando à sugestão, dirigindo-se com seu par ao
centro do espaço no qual outros casais se deixavam guiar pelo ritmo da música
que tocava, Ana estendeu a mão ao amigo. Aproximaram-se um do outro, deram os
primeiros passos.
— Estão todos aí? — discreta, questionou.
— Sim. Alguns já entraram, outros precisam resolver
alguma coisa, mas pode ficar tranquila, a noite não terminará sem que a
liberdade nos alcance!
— Nem posso acreditar que finalmente seremos livres
para vivermos nossas próprias histórias! — falou com entusiasmo, sorridente,
animada por fazer o certo.
— Falta pouco! Amanhã será outro dia!
Observando os convidados com atenção, esperando pelo
melhor momento para surpreender os próprios inimigos, Frederico flagrou o casal
que dançava, praguejou contra eles, se acreditavam que o faziam de bobo
cometiam grave equívoco.
O guarda posicionado na entrada da fazenda,
segurando o armamento que a muitos intimidava, sentiu que era observado, olhava
ao redor sem nada encontrar, mas a sensação de perseguição não era afastada de
si. Ouviu um barulho às suas costas. Virou-se pronto para atacar. Mas nada
encontrou. Voltando à posição original teve tempo apenas para arregalar os
olhos, o Protetor causou seu desmaio com uma só pancada na cabeça.
Depois de tantos meses sem terem o direito de juntos
sorrirem e viverem, a família estava reunida outra vez, cheia de esperança,
cultivando a certeza de um amanhã melhor.
— Meu filho! — Adelaide abraçou o adolescente que
amava, não pôde poupar as lágrimas que correram de seus olhos —. Se soubesse o
quanto senti saudades, mas ouvir sobre suas conquistas aliviou o sofrimento,
encorajá-lo a seguir em frente foi o meu maior acerto!
— Mesmo distante nos garante o orgulho que sempre
despertou! — Artur, emocionado pelo reencontro com o irmão, juntou-se ao abraço
fraterno —. Não imagina a felicidade que senti ao saber sobre sua apresentação.
O mesmo que o silenciou teve que aplaudi-lo, a justiça foi feita!
— Devo tudo isso a vocês! — encarou as pessoas mais
importantes de sua vida —. Acreditaram em mim e me ajudaram a escapar, todos os
dias penso no quanto os amo, no quanto os valorizo, e agradeço por termos em
nossos caminhos pessoas fortes o bastante para nos ajudarem! Seremos livres! —
o brilho no olhar denunciava a fé na alma.
— E por falar em liberdade, tenho uma bela dama
esperando para dançar comigo — vestiu a máscara —. Irreconhecível?
— Nem eu reconheceria — Felipe brincou.
— Tome cuidado — ainda preocupada pelas visões que a
angustiavam, Adelaide tocou as mãos do filho —. De nada me valerá a liberdade
se um dos meus filhos não estiver comigo, então tome cuidado!
— Não precisa se preocupar — beijou a face da mãe —.
Te encontro no quilombo! — partiu cheio de contentamento e esperança.
Posicionado a alguns metros da casa grande, atento
ao movimento dos convidados, o guarda se distraiu pelo vulto que viu passar por
entre as árvores que circundavam o lugar. Preocupado que pudesse ser alguma
fera, o sujeito se aproximou a passos vagarosos posicionando o armamento
carregado. Não teve tempo de reagir. Foi puxado para o meio das árvores,
forçado a cheirar o pano cujo conteúdo causou o seu desmaio e esticado sobre o
chão pelo Protetor que fazia mais uma vítima.
— Baronesa... — a voz inconfundível soou atrás de
Laís —. Concederá a esse pobre homem o prazer de uma dança? — era Heitor,
camuflado pela máscara que protegia sua identidade.
Virando-se ao nobre galanteador, sorrindo apaixonada,
matando a saudade que doía há dias infindáveis, a mulher agradeceu por outra
vez estar ouvindo aquele som, o que pensou nunca mais ouvir, o que soara aos
seus ouvidos.
— Seria grande deselegância rejeitar a gentileza de
tão educado senhor — concedeu a ele sua mão sendo encaminhada ao meio de tantos
casais que dançavam graciosamente —. Se conseguisse imaginar o tamanho de minha
alegria por vê-lo vivo, sou incapaz de demonstrar em palavras...
— Não consigo imaginar, mas posso sentir o seu
coração pulsando com energia, a mesma de quando jovens nos encontrávamos para
conversar, a mesma que toma seu corpo quando aos meus braços se rende, a mesma
que domina o meu ser e só é aliviada quando sinto os seus lábios nos meus... —
se não fossem os perigos que os cercavam, teria beijado Laís, mas precisou se
conter e acreditar que em poucas horas teriam um ao outro para sempre.
— Pensar que estava morto agoniou minha alma, fez a
vida perder o sentido e a culpa me perseguir por várias noites roubando-me o
sono...
— Não pode se culpar...
— Há algo que precisa saber — interrompeu o amado —.
Pensei que tivesse partido sem desfrutar daquela que pode ser sua maior
alegria, sem descobrir o segredo que pode lhe ofertar maravilhosa sensação,
segredo que apenas eu poderia revelar — por trás da máscara, os olhos se encharcaram
—. Escondi a verdade por amá-lo e na intenção de protegê-lo, sei que tentaria
vencer barreiras perigosas demais, não poderia arriscar... — tomou coragem —.
Heitor, o nosso amor rendeu frutos, o maior deles se chama Ana, ela é nossa
filha!
Heitor não esperava por tal descoberta, embora
sempre sonhara com uma realidade diferente na qual possuía uma família com a
mulher amada, nunca pensou que poderia ter uma filha, que fosse pai, que Laís
fosse a mãe de um filho seu.
Retomou a dança.
— Não fique aborrecido, tente me entender... — a
baronesa começou a própria defesa incomodada pelo silêncio do homem estimado.
— Não estou aborrecido, apenas alegre, tenho uma
família! — respondeu com paciência —. Ela sabe?
— Ainda não, mas tão logo descubra a verdade sei que
se sentirá aliviada de carregar o fardo de ter nas veias o sangue de
Frederico... Tão logo Ana nasceu eu descobri a verdade, vocês possuem muitas
semelhanças, mas a maior delas é a marca que carregam nas costas, quando a vi
não tive dúvidas, a vida eternizou nossos sentimentos...
Ao longe, tendo entre os dedos a taça de vinho,
Frederico observava a esposa com o homem desconhecido. Não faria um escândalo,
afinal, em bailes como aquele as pessoas eram livres para dançarem com quem
quisessem, ele apenas queria saber quem era o sujeito que deixava a esposa tão
sorridente. Não poderia ser um antigo fantasma, não queria acreditar nisso.
##
No próximo capítulo:
— Nada demais,
meu amigo — Frederico, observando a todos, principalmente os inimigos, flagrou
o beijo que despertou seu nojo, que irou seu espírito —. A menos que você tenha
visto algo.
— O que quer
dizer?
— Ana acabou
de beijar um rapaz — encarou aquele que por um tempo acreditou ser um aliado,
mas que agora sabia o quanto era traidor —. E ele não é seu filho — esperou
alguma resposta —. Você não está surpreso? — sorriu maliciosamente —. Acha
mesmo que podem me enganar?
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